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A difícil missão de ser você mesmo

Loué sois-Tu
Por Nivia Junqueira

Eu já recebi diversos conselhos para me calar sobre assuntos políticos e/ou polêmicos. De mãe, de amigos, de falsos amigos, de conhecidos, de profissionais da minha área e de familiares. Eu até chego a pensar no assunto, dar certa razão a um ou outro, pensar no futuro, no meu trabalho e na minha própria exposição. Mas aí me lembro no que realmente acredito, e prefiro continuar expondo o que penso.

Uns me elogiam pela forma que escrevo, pelo conteúdo e pela coragem de falar. Outros recriminam, debocham, ofendem. Já ofendi muita gente também com palavras em meio a esse jogo político. Uns até me arrependo e peço desculpas, outros não. É necessário? Na maior parte das vezes, não. Mas o fato é que todos nós estamos dispostos a errar. E isso nos faz crescer e mudar, cada um a seu modo, se assim soubermos aproveitar e nos autoanalisar.

Com cada debate, conversa, discussão (necessária ou desnecessária); e com cada nova amizade que fiz e também “amigo” que perdi ou me afastei temporariamente, ocorreu um processo de transformação e amadurecimento intelectual e pessoal. E a cada livro, a cada artigo, a cada novo conhecimento adquirido, a vontade de escrever e expor opiniões se elevava.

Eu não sei ao certo quando foi que tomei o gosto por escrever e me expressar. Mas lembro de um presente de minha mãe, um livrinho de salmos com ilustrações que eu adorava e que usei como referência para ganhar meu primeiro prêmio num concurso de poemas da Igreja.

Lembro-me das boas notas em redação no colégio e na facilidade de escrever trabalhos, artigos e monografias na época acadêmica. Depois de formada, lembro-me do dia que fiz e postei meu primeiro texto, para meu primeiro blog, feliz e orgulhosa.

Cheguei a São Paulo e continuei escrevendo. Tive a oportunidade de publicar mais algumas coisas em alguns sites e em uma revista. Criei meu próprio site, fui convidada para ser colunista em outro. Hoje, estou também aqui, em O Congressista, podendo compartilhar experiências com vocês.

Nenhuma dessas conquistas, que poderiam ter sido maiores se eu tivesse me dedicado mais a isto, aconteceu porque eu planejei. As pessoas dizem que eu deveria escrever somente coisas voltadas à minha área. Eu digo que escrevo o que tenho vontade, o que acho válido, o que sou e o que acredito. Se vou ter alguma recompensa financeira ou oportunidade de trabalho pelo o que escrevo, não sei e não penso nisso. Se vou perder alunos, dinheiro, amizades ou oportunidade pelo o que penso e escrevo, também não sei.

E falo isso não por soberba, mas pelo simples fato de que do mesmo modo que há pessoas que pensam totalmente diferente de mim e podem se afastar por isso, existem tantas outras que se aproximam por pensar igual ou parecido. Há quem prefira abster-se de expressar opiniões divergentes de seus grupos e nichos para ter muitos ao seu redor; e há quem não se importe para uma seletividade e mudança natural que possa ocorrer.

O que sei é que nem sempre me calar é o mais correto e o que me faz bem. Muitas vezes, vale mais exercer o meu direito de liberdade de expressão do que me corroer por dentro e me sentir aprisionada enquanto ouço, leio e vejo ideias absurdas, mentiras e inversão de valores sendo propagados cada vez mais.

Escrever faz parte do que sou. E acredito suficientemente em mim e na minha capacidade para ter uma vida na qual considero bem sucedida através do meu trabalho e de meus valores pessoais. Não foi à toa que escolhi ser autônoma: as pessoas me escolhem, eu as escolho, se assim desejarmos e se nossos princípios, valores e formas de pensar forem semelhantes e gerar confiança.

Uma das coisas que considero mais valiosa nesta vida é a capacidade que cada pessoa tem, e a liberdade de se desenvolver intelectualmente e de transmitir o que se aprende e se cria. Qualquer um que esteja disposto a mergulhar neste mundo e se expor tem que ter em mente que não há espaço para “moleza afetiva”. Críticas virão; amigos, conhecidos ou familiares podem se afastar e você precisa estar disposto a encarar e saber que isso é normal. Afinal, a tolerância é muito bonita no papel. Na vida real, somos todos seres que não suportam muitas diferenças.

Acho válida e muito bonita a relação que tenho com muitos amigos que pensam totalmente diferente de mim. É claro que é possível respeitar e conviver. Mas quando afinidades e valores não batem mais, a confiança se perde e a liberdade de um é barrada por outro, a atitude mais saudável é afastar-se.

Querer manter todos seus amigos antigos quando você está disposto a melhorar a si mesmo, conforme o que considera virtude, e evoluir intelectual, cultural, espiritual e financeiramente é perda de tempo. As coisas mudam, os objetivos mudam, as pessoas mudam, poucos ficam.

Estou apenas começando a jornada que escolhi, e muitos deles já se foram. Que assim minha vida prossiga, se renovando e trazendo pra perto de mim pessoas que acreditam nos mesmos princípios e valores que eu. E que o amor próprio expressado por meio da coragem, da razão e da individualidade seja sempre o motor que vai me fazer viver conforme minhas convicções e permitir que eu seja eu mesma. Não é fácil, mas essa vida é realmente muita curta pra você não ser quem você deseja ser!

Boa nova aos que permanecem, aos que chegam e, até mesmo aos que retornarão.

Aos que se foram, eterna gratidão pelos momentos vividos.

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