Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

PSOL: origem, controle, revolução e a defesa de ideias fracassadas


Por Pedro Augusto 

O Partido Socialismo e Liberdade surgiu em 15 de novembro de 2005, mas a sua história começou um pouco antes. Durante a votação sobre a reforma da Previdência Social, no governo Lula, a na época senadora Heloísa Helena e os deputados federais Babá, João Fontes e Luciana Genro foram expulsos do PT por se posicionarem contra a medida e fundaram o PSOL. Logo após, outros insatisfeitos migraram para o partido como Ivan Valente, Chico Alencar, Marcelo Freixo e Plínio de Arruda Sampaio.

No caminho da fundação, o partido contou com a ajuda de um homem polêmico: o italiano Achile Lollo, que foi do Poder Operário, grupo comunista que fazia parte do Partido Comunista Italiano. Ele foi condenado pela Justiça de seu país à pena de 18 anos em 2003 por incendiar um apartamento de um varredor de ruas. A motivação do ato foi “punir” este homem que seria um “neo-fascista”, na visão de Lollo. Neste episódio morreram Virgílio de 10 anos e seu irmão Stefano, de 22. Após a historia se tornar conhecida, o PSOL o expulsou. 

O que o PSOL defende?

Não é segredo que eles defendem o aborto; ideologia de gênero nas escolas, algo que falarei em um futuro ainda distante aqui no site; casamento homossexual; controle de armas; liberação das drogas e aumento do tamanho do Estado. Mas hoje o foco serão outros pontos. 

Venezuela 

Um texto publicado no site do partido expressa bem a posição deles em relação a Revolução Bolivariana. Lá diz. 

"O PSOL tem posição aprovada já em seu primeiro Congresso Nacional sobre a situação política venezuelana. Então capitaneada pelo companheiro Hugo Chávez, a revolução bolivariana recebeu incondicional apoio de nosso partido. E o fizemos por considerar que o processo de enfrentamento aos interesses imperialistas e monopolistas naquele país é decisivo para fazer avançar a luta pelo socialismo em nosso continente como um todo. Visto com certa desconfiança por parte da esquerda latino-americana nos primeiros meses, o projeto liderado por Chávez mostrou-se rapidamente o mais importante processo de resistência popular da região. Desde então, renovamos em todos os nossos fóruns o apoio à revolução bolivariana. Esse apoio é outorgado de forma acrítica? Evidentemente não. Mas diante da guerra midiática contra o governo da Venezuela, optamos por manter internas nossas avaliações acerca do complexo processo político naquele país e expressar publicamente apenas nosso apoio. Essa é uma opção política consciente, tomada por dirigentes com larga experiência na política internacional, longe da postura de uma 'torcida'."
Atualmente, o povo venezuelano sofre com a falta de comida, de empregos descentes e altíssimas inflações. O governo é autoritário, prende opositores e controla a mídia, aquilo que o PSOL chama de “democratização da mídia”. Ainda sobre a situação política do país, o texto diz.
 “Não consideramos, por exemplo, que o governo venezuelano possa ser caracterizado como um “regime autoritário” (conceito, por si só, demasiado problemático). Por exemplo, com que conhecimento de causa nosso deputado fala em “milícias bolivarianas”? Esse é um mito reproduzido insistentemente pelas agências internacionais com o objetivo de associar o governo venezuelano aos “regimes autoritários” do Oriente Médio, como a Síria. Na Venezuela, o que existem são forças de segurança regulares, públicas, constitucionais. As Forças Armadas, a polícia, e mesmo o Serviço Bolivariano de Inteligência, são instrumentos legais a serviço de um governo constitucional”. 
Será que o governo venezuelano é defensável?

Impostos

Em seu programa, o PSOL defende a taxação das grandes fortunas que é o que Karl Marx defendeu em O Manifesto Comunista. Lá, ele faz a defesa de um "imposto fortemente progressivo" para países mais adiantados no processo revolucionário. Ele sabia que as constantes taxações levariam a ruína da economia de mercado e em seguida o agigantamento do Estado caso os socialistas estivessem no poder.

Como já falei aqui no Congressista, esta ação traria problemas principalmente para os pobres. De acordo com o think tank norte americano Tax Foundation, a tributação das fortunas traz desemprego e redução de investimentos, de salários e de produção. 

A França é o maior exemplo de como isso não deu certo. Após aumentar a alíquota para 75% para os ricos, muitos empresários foram embora. O think tank francês Concorde, em um estudo, mostrou que o país perdeu um milhão de empregos após essa ação do governo. No entanto, a realidade não basta para curar os delírios socialistas. 

É interessante destacar que nas eleições municipais do Rio de Janeiro, o candidato à prefeitura Marcelo Freixo é o mais votado pelas pessoas de maior renda. No programa do candidato, que estava em seu site no primeiro turno, diz na página 6 que ele planeja “a implementação de uma reforma tributária, baseada na proporcionalidade e na progressividade da cobrança de impostos, que objetive garantir equidade na taxação, reduzir as desigualdades sociais, promover a distribuição de renda e assegurar o cumprimento da função social da propriedade”.

Ou seja, caso eleito ele cobrará mais impostos. Na mesma página também diz: “Atualizar a Planta Genérica de Valores e os fatores de correção para reduzir a defasagem no cálculo do valor venal dos imóveis na cidade, que desde 1999 é corrigido apenas pela inflação”. Ou seja: ele pretende aumentar, e muito, o IPTU de seu eleitorado. Será que eles sabem disso e ficarão satisfeitos em pagar mais impostos? Freixo parece estar seguindo à risca os conselhos de Marx.

Ruptura com o sistema 


Como o próprio nome do partido sugere, estamos diante de um grupo de socialistas. Adeptos a essa ideologia defendem uma ruptura com o sistema capitalista. Em outros trechos do programa partidário são feitas muitas criticas ao “grande capital”. Como a imagem acima mostra, o partido defende sim uma ruptura com o sistema capitalista. Para eles “A lógica egoísta e destrutiva da produção, condicionada exclusivamente ao lucro, ameaça a existência de qualquer forma de vida”, embora a lógica do lucro tenha sido a que mais trouxe riqueza e melhoria de vida das pessoas. O economista Ludwing von Mises acertou quando disse que após entrar-se na lógica de mercado, até os mais pobres passaram a ter acesso a coisas que nem os senhores feudais jamais pensariam em ter. 

Os psolistas ainda acreditam na mentira de Marx que o capitalismo trouxe mais pobreza a todos. O que eles não falam, ou não sabem, é que o autor falsificou dados do Parlamento Britânico, os blue books, parar mostrar que a lógica de mercado era empobrecedora. No entanto, o historiador Paul Johnson em seu livro Os Intelectuais mostrou a verdade. 

Os métodos para ruptura da ordem capitalista podem variar. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), em uma palestra, mostrou bem qual seria a sua estratégia. Ele diz: 
“Não só como acadêmico, mas como alguém que estuda comunicação, […] que tem uma formação marxista-gramsciana e trabalha com a ideia de negociação com a hegemonia e a ocupação de lugares estratégicos, é nesse sentindo que eu, Jean Wyllys, sem querer falar no nome de ninguém…” 
Antonio Gramsci foi um intelectual italiano e marxista da primeira metade do século XX que defendeu a ideia de revolução cultural, diferente de Marx.

Para Gramsci, os revolucionários deveriam estar em pontos estratégicos como na política, meios de comunicação, universidades etc, para mudar a mentalidade da população. Seria uma revolução lenta e gradual. Wyllys disse na palestra que está em locais estratégicos justamente para fazer mudanças na sociedade, mesmo que lentas. Além de já ter sido professor, também é colunista da Carta Capital e é deputado federal, que foi o responsável pelo Projeto de Lei sobre a identidade de gênero. 

Controle: mídia e empresas 


A democratização da mídia nada mais é que o Estado regulá-la. Isso já aconteceu nos países comunistas, como ainda ocorre em Cuba, na Venezuela, na China e na Coreia do Norte. Não precisa nem explicar muito o que realmente acontece. Inclusive há uns meses em uma conversa entre o presidente do Senado, Renan Calheiros, e Sérgio Machado, foi revelado que a ex-presidente Dilma Rousseff tinha pedido a ajuda de João Marinho, dono da Rede Globo, no processo de impeachment. Na conversa, Calheiros diz que Marinho teria dito a Dilma que não daria para influir porque já teria feito isso em situações semelhantes. Ou seja, é a mídia se associando com a política para guiar a opinião pública. Daria certo a associação entre mídia e governo? Não aconteceria de algumas ações dos governantes serem ocultados por pressões políticas?


O partido defende o controle das empresas. Isso ocorre em outro lugar do mundo: na Venezuela. Lá há proibição de demissões e prisão de empresários acusados de sabotagem. 

O PSOL, diferente do que seu nome produz, não quer dar autonomia e liberdade aos empreendedores para gerirem seus negócios. Eles, como todos os socialistas em sua visão de arautos do mundo perfeito, querem controlar o mercado, com muita sede de controle.

Como já mostrei aqui no Congressista, o controle do Estado sobre a economia impossibilita-se a formação de preços e uma distribuição racional do bens. Esse tipo de ação também ocorreu na União Soviética e foi uma das causas de seu declínio, algo que Mises já tinha falado no inicio do século XX. 

Conclusão 

Muitos ainda acham que o PSOL é um mero partido como qualquer outro. Entretanto, como foi mostrado através de partes do programa do partido, eles defendem uma total ruptura com o capitalismo, ou seja, querem acabar com a ordem vigente. 

Eles defendem Cuba e dizem que são militantes das liberdades de todos. Porém, o país é uma ditadura que suprime a liberdade de expressão controlando a mídia e prendendo opositores do governo, é um local cheio de pobreza e que já perseguiu homossexuais e religiosos, como as Testemunhas de Jeová.

Suas ideias são muito próximas do que ocorre na Venezuela e dos planos socialistas em geral: sempre buscando ter mais poder e mais controle, seja na mídia ou no mercado. No entanto, as consequências dessas ideias, mesmo quando aplicadas parcialmente, são sempre desastrosas. Será que valeria a pena entregar um país, um Estado ou um município nas mãos deles? 

A centralização das decisões na área econômica, na verdade, são apenas as ordens que o partido quer ter quando estiver no poder. No mercado, as pessoas estão tomando diferentes decisões a todos os momentos, por isso que um poder central reger a economia suprime a liberdade dos agentes mercadológicos, já que estes não farão o que precisam, mas o que o Estado planejou. 

O PSOL, como todo partido socialista, quer apenas uma coisa: controle, embora seu nome defenda a junção de duas coisas antagônicas: socialismo e liberdade.

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

http://www.ocongressista.com.br/