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Danilo Gentili e a mentalidade dos justiceiros sociais



Por Victor Oliveira 

Nos últimos dias o humorista e apresentador Danilo Gentili foi novamente alvo dos “Social Justice Warriors” (Guerreiros da Justiça Social), ativistas virtuais progressistas que têm como maior objetivo a propagação de uma fiscalização social, censurando tudo aquilo que confronte as convicções pessoais dos que pertencem ao movimento.

Propagadores do que há de mais caricatural no politicamente correto, os justiceiros sociais já veem Danilo Gentili como um inimigo há um bom tempo, pois suas opiniões políticas e sua irreverência em relação ao humor faz do mesmo um alvo clássico dos ativistas de Facebook.


A polêmica da vez teve como base uma imagem retirada da série escrita e protagonizada pelo humorista, na qual em uma determinada cena, o personagem interpretado por Danilo é visto à frente de um cartaz escrito “Não sou negro graças a Deus”. O personagem, um político corrupto, utiliza da narrativa para confrontar outro personagem e ressaltar uma piada, tendo como foco a gramática e suas "consequências". 


Independentemente do objetivo dramático ou cômico da cena, fica claro dentro do próprio conceito que tal coisa é pertencente a uma narrativa fictícia, fazendo com que qualquer julgamento real a respeito disso para com as figuras ali atuantes, seja uma completa desonestidade intelectual. Para dar um exemplo mais claro, seria como dizer que Wagner Moura é um traficante por interpretar Pablo Escobar na série Narcos, da Netflix, o que nós sabemos que não possui evidência alguma, mesmo que Wagner feche publicamente com Freixo. 


É, de certa forma, peculiar como esse tipo de desonestidade e comportamento costuma ser pertencente à esquerda. Não que outros movimentos políticos sejam imunes à canalhice e à desonestidade, mas, de forma constante, as alas progressistas costumam demonstrar tal comportamento não apenas como um sinal de falha humana, mas como um “modus operandi” cultivado e incentivado. E isso na verdade possui embasamento em uma simples concepção que está presente nas ideologias revolucionárias: me refiro a falta de compromisso com a realidade. 

O pensamento revolucionário tem como parâmetro a movimentação em torno de um ideal de mundo abstrato e futuro, onde sua existência depende das ações daqueles que o cultivam no presente. Essa mentalidade direcionada a um mundo inexistente que não pode ser palpável por aqueles que não o idealizam, faz com que aqueles que o idealizam sejam guiados moral, ética e intuitivamente pelo objetivo de chegar a essa realidade. 

O indivíduo guiado por esse pensamento, automaticamente, entende que suas ações devem ser pautadas nessa realidade futura, justificando qualquer meio em nome do fim. Sendo assim, a suposta superioridade do indivíduo que enxerga esse futuro abstrato faz com que ele se submeta não aos parâmetros morais e éticos da realidade vigente, mas a essa realidade futura que sendo abstrata, inexata e invisível - e mais ainda, supostamente perfeita -, se torna precedente para ações, que mesmo condenáveis no momento atual, são justificadas em nome deste fim revolucionário.


É justamente por isso que é de grande facilidade para a esquerda se opor às leis, à ordem e à moral, tanto em mínimos acontecimentos, tendo como exemplo o caso citado neste texto, como em ações de maior nível trágico, tendo com exemplo a própria história, que nos comprova através de regimes autoritários e totalitários dos quais a esquerda bate recorde.

Como diria o filósofo conservador Sir Roger Scruton, “a posição à esquerda define a si mesma como opositora, é contrária as coisas.” Dito isso, entendemos que o pensamento revolucionário e/ou progressista é, em síntese, a ideia da destruição do que conhecemos em nome de um futuro que eles mesmos não conseguem definir, mas que de alguma forma nos levará a uma perfeição - e que de alguma forma justifica todo e qualquer ato nocivo e contrário aos nossos parâmetros morais e éticos. 


É a partir deste entendimento que conseguimos compreender como a esquerda age em sua própria proposta de existência. Tais distorções como a do caso de Gentili são apenas simples exemplos diários comparado a toda narrativa que a esquerda domina e/ou tenta emplacar. Tudo, no fim, em nome do jogo político. Coisa que se comprova na própria hipocrisia e indignação seletiva de tais justiceiros que tampam as vistas para diversas situações que se tornariam textões e motivos de protestos em cerca de segundos, caso estivessem ligadas a figuras que não fazem parte do "lado do bem". Bons exemplos não faltam. O próprio Lula e a história do "grelo duro", Duvivier e a mulher do Pedro Paulo e outros casos peculiares que seriam banquetes para a "polícia virtual". 

Isso demonstra claramente o quanto a manipulação de uma narrativa muita das vezes é o principal objetivo dos "progressistas iluminados", fazendo com que sejam hipócritas, seletivos e pior, fazendo com que cheguem ao ponto de tentar manipular a própria realidade, na mais clara falta de coerência intelectual. Tudo em nome da resistência contra "os opressores" - leia-se aqueles que não concordam com o "lado do bem" . 

Tal comportamento é reflexo de toda a mentalidade revolucionária que age em nome de suas próprias convicções arbitrárias. Pois assim como o pensamento revolucionário não se submete à lei, à moral e à ética, ele também não se submete à verdade. O que é real se torna um instrumento a ser manipulado em nome do jogo político. Como na lenda do “golpe”, a mentalidade revolucionária sempre dará o aval para usar da mentira, ou melhor, de sua realidade abstrata, para conseguir seus objetivos. E tais objetivos, muitas vezes, podem ser nocivos e consideravelmente destrutivos.

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