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Perguntas e respostas que explicam a queda de Freixo no segundo turno do RJ


Por Wilson Oliveira

Marcelo Freixo está desenvolvendo o roteiro da própria derrota no segundo turno da disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro. E não é apenas pelo fato de que Crivella será eleito o próximo prefeito. Tem uma questão ainda mais importante para o deputado estadual e seu partido, o PSOL: Freixo tem tudo para sair dessa eleição menor do que entrou. A confirmação do resultado ainda do primeiro turno foi recebido com gritos de "Não ao golpe!" e "fora, Temer!" que hoje só servem para contagiar um pequeno grupo da sociedade brasileira: militantes de esquerda e admiradores de Dilma, que juntos, no Rio de Janeiro, significam um contingente muito menor que a metade da população.

Quando algum movimento social de esquerda afirma que irá "parar o país" diante de alguma decisão que os desagrade, isso não passa de uma estratégia retórica para tentar impor medo e insegurança, mas que logo se esvai. Os tempos são outros e a população está, cada vez mais, tratando essas "convocações" com indiferença, dando as costas para a conversa mole de apoio a grupos sindicalistas para uma "justiça e igualdade" que nunca chega nem nunca vai chegar - e que as pessoas estão percebendo que não passa de papo furado. O mesmo repertório se repete no Rio. A tal primavera amarela do PSOL não está passando de uma marolinha. E neste artigo selecionamos perguntas e respostas que explicam a derrocada "freixista".

Por que Marcelo Freixo não consegue decolar entre os mais pobres mesmo com um discurso voltado para eles?


Apesar do discurso do Marcelo Freixo ser teoricamente voltado para os mais pobres, ele conversa mais intensamente com os eleitores de classe média e de faixa etária entre 25 e 40 anos da zona sul, pois é praticamente a única parcela da população que ainda está interessada em ouvi-lo. Na zona oeste para além Barra-Recreio, por exemplo, é interessante notar que nem todo morador coloca o combate às milícias como prioridade, pois para muitos as milícias trazem segurança, por mais estranho que isso possa soar para quem não é do Rio de Janeiro. E para Freixo as milícias são o grande mal a ser combatido.

Já nas comunidades carentes localizadas nos cinturões da Leopoldina, do subúrbio, do grande Méier, dos arredores da Avenida Brasil e dos corredores paralelos à Linha Amarela, Marcelo Freixo é visto como "defensor de bandidos". Isso se deve por seu intenso trabalho nos direitos humanos voltado para presidiários e por sua abordagem de violência focar apenas nas milícias, deixando praticamente de fora os traficantes de drogas, justamente os grandes vilões que há décadas aterrorizam a população dessas localidades.

Sem contar que as promessas de foro municipal também não convencem os mais pobres. Esse é o problema de um candidato de nicho, como é o caso de Freixo. Quando ele não fala para as pessoas de classe média, de 25 a 40 anos que vivem na zona sul, Freixo está falando para sindicalistas ou para integrantes de movimentos sociais. Acontece que as promessas que servem para esses setores (mais empresa pública para agradar sindicatos e mais cargo para alocar movimentos sociais no governo) não servem de nada para os mais pobres, que querem soluções práticas. E convenhamos, o que Freixo promete na área de saúde e educação, por exemplo, é o velho, que já foi tentado lá atrás e que não deu certo.

Por que o Marcelo Freixo está perdendo o apoio dos mais jovens de 16 a 24 anos?


A campanha feita para os mais jovens é uma campanha à parte. É o que rola nas redes sociais, é o que as pessoas compartilham principalmente no Facebook e no Whatsapp. E nesse meio está havendo uma surpresa: Marcelo Freixo está virando motivo de piada. E esse é o pior cenário para um político enfrentar em se tratando de eleitores entre 16 e 24 anos. Seu discurso moderado, inteligente e moderno de outros pleitos deu lugar a uma histeria e um desespero que está ficando mais evidente neste segundo turno. A esquerdização da sua retórica se tornou uma arma que está se virando contra ele próprio.

Esse processo tem sido um prato cheio para montagens (às vezes até apelativas), mas que é justamente o que os jovens mais procuram. O vídeo que circulou pela internet cujo título é "Dia de Esquerda" e que tem justamente o deputado como personagem principal ganhou ar de algo ridículo. É um filminho que só faz sentido para quem é militante esquerdista. Para o público jovem que (ainda) não milita em ideologia nenhuma, que está na transição escola para faculdade, se tem uma coisa que eles condenam é o fato de serem relacionados a alguém bizarro e que demonstra fraqueza, que é o que está acontecendo com Freixo a medida que ele ataca desesperadamente o candidato Marcelo Crivella por ver que a derrota vai ficando cada vez mais certa.

Por que Freixo cai e Crivella cresce entre os que ganham mais de 10 salários mínimos?




Outro ponto terrível para um candidato, dessa vez olhando para a elite, é o seu plano de governo ser visto como o mais obsoleto, contraproducente, irresponsável e, de certa forma, suicida. Antes, Freixo tinha apoio mais sólido por ter um ar de modernidade, de equilíbrio, de ponderação, de zona sul paz e amor, aquela coisa "pra frentex" e mente aberta, o progressista perfeitinho para os cools do Leblon. Por isso era a opção de boa parte dessa parcela nos primeiros turnos que disputava.

Dessa vez Freixo conheceu um terreno que ele nunca tinha pisado: o segundo turno. É o momento em que essa aura artificial não é mais suficiente e que os eleitores que ganham mais de 10 salários mínimos procuram ver se as propostas do candidato realmente lhes beneficia. E lá, no programa do Freixo, eles estão vendo muita promessa de criação de empresas públicas para agradar sindicatos e muita promessa de criação de cargo no governo para alocar líderes de movimentos sociais. Mas e para a elite da cidade? Apenas promessas de enfrentamento, de cortes de negócios, de ameaças de cancelamentos de contratos e de romper o pagamento da dívida pública municipal. São exatamente as medidas que a elite, principalmente a financeira, quer ver distância.

A tendência, como mostrou o Datafolha, é Freixo perder ainda mais apoio dessa parcela, pois para se recuperar seria necessário mudar radicalmente seu plano de governo, mas o PSOL jamais permitira. No dia 06/10, Freixo tinha 43% das intenções de votos contra 35% do Crivella avaliando apenas quem ganha mais de 10 salários mínimos. Na pesquisa do dia 14, Freixo caiu para 30% e Crivella subiu para 39%. O programa do Freixo é tão ruim para a elite que ele passou de "opção moderninha" para a "opção indesejável" que está obrigando a elite a votar no Crivella mesmo não gostando.

Por que os eleitores de Pedro Paulo, Índio da Costa e Osório, em sua ampla maioria, preferiram aderir ao nome do Crivella?



O eleitorado do Pedro Paulo, do Índio e do Osório reúne justamente os blocos que falamos anteriormente. Parte dos mais pobres que também votou no Bolsonaro e que não acredita nas promessas megalomaníacas da esquerda, e que de certa forma estava votando pela continuidade do PMDB ou de alguém parecido, simplesmente porque acha que fizeram pouco, mas que possuem medo de um esquerdista chegar e lhes prejudicar da mesma forma que Dilma Rousseff lhes prejudicou enquanto esteve na presidência.

Também tem a parte dos mais jovens que acha ridículo essa coisa de militância de esquerda (na zona norte e na zona oeste nem todo aluno segue a doutrinação dos professores esquerdistas, pois nas escolas públicas eles quase nem têm aula e nas particulares eles possuem coisa que consideram mais importante para se preocupar do que o papo de "revolução socialista"). Acrescenta-se também a parte dos adultos que também não se simpatiza com o discurso de esquerda, muito pelo contrário, sempre olhou isso tudo com muita desconfiança e agora desconfia mais ainda, principalmente por toda a questão da corrupção envolvendo o PT.

Quando Freixo teve confirmada a sua ida para o segundo turno, ele fez questão de aproveitar que estava sendo filmado pela Rede Globo para gritar "Fora Temer". Só aí ele perdeu a chance de conquistar o apoio desse eleitorado, que é aquele pai e aquela mãe de família que está de saco cheio de ouvir falar de "golpe", que quer saber de resolver o seu problema do dia a dia e que também não sente a menor pena do PT, e sim vontade de vê-los o mais longe possível.

Alguém disse para o Freixo que gritar "golpe" e "Fora Temer" lhe colocaria em vantagem. Quem lhe disse isso errou feio. Foi a estratégia mais errada dessa eleição, que dilacerou a candidatura da Jandira Feghali e que está dilacerando a do Freixo no segundo turno, que pra piorar ainda resolveu andar com figuras conhecidas do PT pelas ruas do Rio. Freixo cavou a própria cova entre esse eleitorado.

Por que o Freixo não consegue apoio dos evangélicos?



O segundo turno desta eleição para prefeitura está mostrando que Freixo possui muitos pontos fracos e que ele não consegue driblá-los. Marcelo Freixo está descobrindo que não é um Deus e que também não está acima do bem e do mal. O principal ponto fraco é que ele não consegue falar com outras camadas que não seja a do seu nicho (leia-se esquerdistas que pertencem a movimentos sociais ou a sindicatos).

Ele prega pluralidade, democracia, respeito, saber ouvir as pessoas, mas quando faz debates em universidades públicas convida apenas filiados do PSOL, para uma plateia que também só reúne simpatizantes do seu partido. Ou seja, Freixo se acostumou a falar com quem concorda com ele em tudo e que só sabe aplaudi-lo. Marcelo Freixo não faz a mínima ideia do que pensam e do que almejam aqueles que não pertencem ao seu nicho. E os evangélicos estão completamente fora do nicho do Marcelo Freixo.

Os evangélicos estão, em sua maioria, na zona norte e na zona oeste, nos localidades mencionadas na primeira resposta desse questionário. São justamente aquelas pessoas que querem ver os filhos vivendo numa cidade que não tenha mais tráfico, que não tenha mais desordem, que não tenha mais Black Blocs, que não tenha mais ninguém usando droga, que não tenha mais violência urbana que vai muito além das milícias.

É uma parcela da população que quando quer escutar uma palavra de carinho, conforto, espiritualidade e incentivo procura a sua igreja, o seu pastor. E quando se coloca para escutar um político, quer ouvir soluções que sejam minimamente executáveis - e esse é outro ponto fraco de Marcelo Freixo que também já foi mencionado. Ou seja, Freixo não faz nada para agradar os evangélicos - apenas, como como já foi dito, para agradar sindicalistas e movimentos sociais.

Por que o apoio de artistas renomados não está adiantando para Freixo?



Os artistas mais empenhados na campanha do Marcelo Freixo são Chico Buarque de Hollanda e Wagner Moura. Se é que eles possuem o poder de influenciar o voto de alguém, esse alguém se encontra justamente na zona sul. É aquela parcela do eleitorado que já está convicta a votar no Marcelo Freixo. Se você subir o Complexo do Alemão ou adentrar a Cidade de Deus para falar ao morador dessas comunidades que o Chico Buarque vai votar no Freixo, esse morador vai balançar os ombros, virar as costas e continuar a sua rotina sem dar a mínima importância para o voto do Chico Buarque.

Já o Wagner Moura, com todo o ar de intelectualidade, está completamente fora de moda no Rio de Janeiro. Na época do Tropa de Elite, que foi quando Moura e Freixo ficaram bastante conhecidos na cidade, vimos essa fama ser traduzida em votos - Freixo realmente teve chance de derrotar o Eduardo Paes. Mas como as modas são passageiras, essa também já passou. Hoje o eleitorado que está fora do nicho específico do Marcelo Freixo olha para ele com desconfiança. E pelo andar da carruagem, nada parece fazer esses eleitores mudarem. Pelo contrário, Freixo está batendo no Crivella, mostrando desespero e até despreparo. E as pessoas estão se decidindo justamente a votar no Crivella, não por gostar dele, mas por achar que Freixo pode ser muito pior.

A campanha do Freixo este ano já começou errada (ele teve a sua menor votação desde que começou a disputar o cargo de prefeito) e pelo visto terminará pior ainda, pois ele está caindo em vários segmentos do eleitorado.

*Fonte dos gráficos: site G1.

2 comentários:

  1. Não há o que acrescentar, avaliação perfeita. Não deixou espaço a não ser para o aplauso.

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  2. Discurso raivoso não tem mais ressonância entre a população.

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