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Esquerda: a preferência pelo marketing no lugar da realidade econômica


Por Wilson Oliveira

A esquerda possui um discurso encantador, principalmente para atrair jovens da classe média e pessoas em situação financeira desfavorecida. Mas cada vez menos o segundo grupo está se deixando levar pelas promessas de igualdade, justiça social e gratuidade, porque eles sentem na pele como isso não passa de uma falácia politiqueira. Os jovens de classe média, por outro lado, que são consumidores de serviços privados e não se movem no sentido de se tornar um usuário de serviços públicos como na saúde e na educação básica, estão cada vez mais admirados com o discurso da esquerda. Neste artigo, abordamos que justamente por conta do público atingido com mais sucesso, a esquerda dá total preferência ao marketing no lugar da realidade financeira da sociedade e da administração pública.

Falar coisas bonitas com ar de modernidade é mais convincente do que falar a realidade. Ser um militante da igualdade, da justiça social e da gratuidade (para os pobres) é bem recebido nos encontros. Nas festas, nos encontros com os amigos ou nas rodinhas de conversa do trabalho, quem concorda com esses temas sem nem levantar uma crítica sequer é visto como "gente boa", como alguém amigável, e que por isso pode ser inserido na identidade coletiva daquele grupo. Samy Dana, especialista em administração, Ph.D in business e membro do Instituto de Finanças da Fundação Getúlio Vargas, escreveu em seu blog um artigo sobre um estudo da instituição britânica RSA a respeito do poder de persuasão. Dentre os pontos assinalados como primordiais, estão o consenso e a afinidade.

"Consenso é outro ponto que consolida a persuasão. Somos motivados a agir de acordo com o coletivo. Ou seja, o que a maioria faz, de certa forma, nos influencia. Para mostrar como isso funciona na prática, o psicólogo (Robert Cialdini) cita um estudo que aponta como uma rede de hotéis conseguiu aumentar o reuso de toalhas nos quartos. Deixar um bilhete dizendo que o reuso é importante para o meio ambiente não teve tanto impacto entre os clientes. No entanto, havia um dado de que 75% dos hóspedes que ficam pelo menos 4 dias no hotel vão reutilizar toalhas em algum momento. A estratégia foi levar essa informação a eles de um modo sutil. "75% de nossos clientes reutilizam toalhas, faça como eles". A tática fez o reuso de toalhas crescer 26%.

Por fim, a persuasão também ganha mais solidez com base em nossa afinidade. Nós tendemos a gostar de pessoas que se parecem conosco, nos elogiam e colaboram com a gente de alguma maneira. Cialdini menciona um experimento em que dois grupos foram orientados a negociarem de formas diferentes. O primeiro recebia a informação de que "tempo é dinheiro" e era direcionado a tentar fechar negócio o mais rápido possível. O segundo grupo recebia a instrução de interagir um pouco com as pessoas com as quais iriam negociar. O primeiro grupo conseguiu fechar 55% das negociações, enquanto o segundo atingiu o patamar de 90%. Criar um elo com as pessoas presentes na negociação é uma forma de aumentar o seu poder persuasivo."

Assim como no mundo dos negócios, a esquerda em todo planeta também formula o seu discurso como uma "estratégia de venda". Para eles, é preciso vender uma ideia que crie uma identidade coletiva nas pessoas, impulsionando a afinidade e o consenso (de onde nasce o conceito do "politicamente correto", já desenvolvido pela Escola de Frankfurt na década de 1960). Exatamente por isso a esquerda investe tanto em se colocar como defensora dos pobres, dos negros e dos gays. O interessante de se notar nesse processo é que para a esquerda o ideal é que esses perfis estejam de acordo com o pensamento esquerdista. Se pessoas desses "grupos sociais" resolverem contestar as "verdades esquerdistas", poderão ser ignorados ou até mesmo sofrer o que na verdade era pra ser combatido: preconceito.

A esquerda nunca assume um erro por ela cometido

Quando um esquerdista é confrontado a falar de algum problema, a tática também é bastante conhecida: sempre colocam a culpa no outro. E geralmente o fazem sem se importar com o quão inacreditável seja a culpabilização de um terceiro. Um político esquerdista nunca faz uma mea culpa porque ele nunca reconhece que possa ter cometido erros ou exageros. E se um governo de esquerda erra, a esquerda diz que aquele governo não era "de esquerda". Mas se esse governo estiver em vias de sofrer alguma derrota, a esquerda se une para defendê-lo. Isso aconteceu no Brasil há pouquíssimo tempo.

Um político esquerdista durante uma campanha política usa dois formatos de discursos. O primeiro recai justamente sobre o que foi dito neste artigo: explorar bastante os conceitos de igualdade, justiça social e gratuidade. Esses termos já são trabalhados no dia a dia entre as pessoas - as militantes e as "isentonas" que não percebem que estão sendo envolvidas nessa identidade coletiva. Portanto, fica praticamente automático ter a aceitação desse público (em sua maioria jovens da classe média) que se classifica como "moderno e progressista". O segundo formato é o de colocar a culpa nos outros mesmo quando as propostas daquele político esquerdista funcionem como acentuadora da crise. Abaixo um exemplo do que seria o discurso mais honesto de um político esquerdista em campanha.


A necessidade da esquerda em combater a iniciativa privada

A justificativa da esquerda para combater a iniciativa privada é a tal da "justiça social". Ou seja, a esquerda procura construir na mente dos receptores das suas ideias que com a iniciativa privada fica mais difícil estabelecer uma justiça social. No entanto, o termo "justiça social" não possui uma definição técnica. Seu significado pode ser tão variável que é praticamente impossível várias pessoas responderem da mesma forma o que é, de fato, uma justiça social, uma vez que o entendimento do que é justo também varia de pessoa para pessoa.

O economista Friedrich Hayek escreveu, dois anos após ganhar seu Prêmio Nobel de Economia, sobre o uso enganador da expressão "justiça social" por políticos que, na verdade, queriam apenas que militantes "comessem nas suas mãos", convencendo mais pessoas a acreditarem na justiça social, o que se reverteria em mais poder para aqueles políticos que estavam no poder, e que de acordo com aquela narrativa seriam os únicos capazes de fazerem o "bem" aos mais necessitados.

Outro ponto que a esquerda gosta de atacar para confrontar a iniciativa privada é o conceito do imposto progressivo. Quando um político coloca a sua insensatez acima das soluções mais óbvias e defende pautas indefensáveis como o imposto progressivo e a redistribuição de renda, esse político na verdade está propondo punir quem gera riqueza e incentivar a geração de pobreza.

Você já deve ter escutado um esquerdista falar sobre a "divisão do bolo". O que esse esquerdista não sabe - mas deveria - é que essa ideia é totalmente equivocada e inútil em termos de desenvolvimento econômico. Seria muito mais eficiente dar liberdade para as pessoas produzirem mais bolos ao invés de querer dividir um já existente.

Com uma plataforma tão metódica e restrita, a esquerda se coloca contra a liberdade econômica dos cidadãos. Para suavizar esse autoritarismo, justamente após a Escola de Frankfurt a esquerda passou a abraçar o que seria uma "liberdade social". Mas os esquerdistas sempre estarão atrasados na leitura de uma sociedade com liberdade, pois ser livre para viver da forma como lhe convém prescinde liberdade para poder ter o próprio negócio, por exemplo, o que também se encaixa no conjunto de ideias conhecido como "iniciativa privada".

A iniciativa particular de um cidadão para agregar valor ao mercado é a definição exata do que é o capitalismo. Ou seja, um livre mercado com a troca voluntária entre os indivíduos de bens valorizados pela moeda. Ninguém deve ser obrigado a beneficiar o outro por solidariedade, mas deve ter a liberdade de fazer isso caso queira por livre espontânea vontade. No entanto, as relações funcionam através de recompensa. Quando o açougueiro vende um pedaço de carne, ele o faz em troca de uma recompensa financeira, assim como acontece em todas as atividades comerciais.

Mas a esquerda, quando tenta te convencer a concordar com ela, esconde tudo isso e opta pela utilização de um marketing que, de forma absolutamente artificial, desenha um mundo perfeito e bom com o político definindo o que é bom para as pessoas e estabelecendo uma igualdade, uma justiça social e uma gama de serviços gratuitos, que eles juram que um dia será de qualidade mas que eles, na prática, nunca se mostram dispostos a utilizá-los. 

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