Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

Eleição de Doria deu vitória a São Paulo, não ao PSDB. Entenda


Por Wilson Oliveira

João Doria foi eleito prefeito de São Paulo com 53,29% dos votos, ou por ter sido escolhido por 3.085.187 eleitores. De imediato, a imprensa nacional partiu apressadamente para a afirmar superficialmente que o PSDB foi o maior vencedor diante do resultado paulistano. Nada é tão falso. É óbvio que ao olhar o mapeamento das eleições decididas no primeiro turno em todo o país de fato o partido tucano foi o maior vencedor. No entanto, em São Paulo existem algumas particularidades que mostramos nas linhas abaixo deste artigo.

A cúpula municipal do PSDB não queria João Doria

Boa parte da direção do PSDB não queria a candidatura de João Doria. Prova disso é que um terço dos dirigentes deixaram os cargos que ocupavam na executiva do partido. Esses correligionários não compactuaram com as propostas economicamente liberais do agora eleito futuro prefeito de São Paulo. Em uma carta intitulada "Nota dos Tucanos Autênticos da Cidade de São Paulo", eles afirmaram: "somos forçados, neste momento, quando deseja nos representar alguém que simboliza tudo contra o que lutamos desde a nossa fundação, a dizer não a esta candidatura".


Inicialmente, muitos desses dissidentes compararam briga com a própria legenda manifestando um apoio formal a ex-petista Marta Suplicy, que concorreu pelo seu novo partido, o PMDB. No entanto, após uma suspensão ser aplicada a esses membros, o apoio a Marta passou a ser discreto, sem a citação do nome da ex-prefeita. Mas o episódio não tinha nada de confidencial. 

Antes do lançamento da candidatura, houve uma prévia dentro do PSDB que deu início a toda essa confusão. Doria concorreu contra Andrea Matarazzo, que descontente com o resultado do primeiro turno acusou o pleito de fraudulento e abandonou a disputa do segundo turno, se desfiliando e levando seus apoiadores juntos numa filiação conjunta ao PSD, onde se lançaria candidato. Porém para formar uma chapa com mais tempo de TV, acabou sendo escolhido como vice justamente de Marta Suplicy.

Doria enfrentou adversários, o próprio PSDB e mais um pouco

O descontentamento com a candidatura de João Doria não foi uma exclusividade do diretório municipal. Caciques nacionais do partido também se negaram a apoiá-lo. É bem verdade que o presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves, gravou um vídeo para inserção televisiva da campanha de Doria, mas quadros importantes do partido que são de São Paulo não fizeram o mesmo. Fernando Henrique Cardoso chegou a prometer uma gravação, mas os apoiadores de João Doria ficaram em dúvida se isso realmente seria cumprido.

José Serra, atual ministro das Relações Exteriores e que trabalhou publicamente pela candidatura de Andrea Matarazzo nas prévias do partido, se manteve distante de Doria, chegando a declarar que não trabalharia pela sua eleição no primeiro turno. Já o senador Aloysio Nunes participou da convenção que colocou Doria como vencedor, mas depois não se envolveu na campanha.

A situação chegou a um grau tão sério que importantes tucanos chegaram ao cúmulo de tentar impugnar a candidatura de João Doria. José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, que é ligado ao PSDB, chegou a entrar com um processo contra Doria no Ministério Público Eleitoral. Já o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, que é vice-presidente nacional do partido, chegou a publicar em seu site que não "indicava de forma alguma" o voto em Doria e que o candidato era "uma desgraça para o PSDB".



Quem realmente apoiou Doria foram os seus eleitores. E só

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin foi o grande responsável pelo lançamento do nome de João Doria, sendo, portanto, o padrinho da candidatura. Mas quem realmente se saiu vencedor dessa disputa foi a cidade de São Paulo, que mostrou de forma inequívoca, logo no resultado do primeiro turno, rejeitar os projetos representados pelo atual prefeito Fernando Haddad (PT), por Celso Russomano (PRB), por Marta Suplicy (PMDB), por Luiza Erundina (PSOL) e Major Olímpio (SD). A trajetória de Doria na disputa comprova isso.

Em uma pesquisa divulgado pelo "G1" no dia 21 de junho, ainda com pré-candidatos, o nome de João Doria aparecia apenas em quinto lugar, somente com 6% de votos, atrás de Celso Russomano (26%), Marta Suplicy (10%), Luiza Erundina (8%) e Fernando Haddad (7%). Em outra, divulgada no dia 15 de julho, o resultado foi quase o mesmo, com a diferença que Marta e Erundina apresentavam um crescimento, mas os nomes apareciam nas mesmas posições. No dia 29 de julho, ainda antes do lançamento oficial da campanha, o Ibope divulgou outra pesquisa, que mostrava o crescimento de Russomano na liderança e um empate absoluto entre Doria e Haddad pela quarta colocação.

Alguns analistas acreditavam que com o início da campanha oficial a candidata Marta Suplicy pudesse apresentar um crescimento por ter um recall de votos do período em que foi prefeita de São Paulo. Esses mesmos especialistas também opinavam que Fernando Haddad se beneficiaria por aqueles que foram contra o impeachment de Dilma Rousseff. Já o nome de João Doria costumava ser ignorado como possível a crescer. Mas conforme a campanha esquentava, os candidatos se apresentavam e o eleitor ganhava a oportunidade de vê-los nos debates televisivos. E o que aconteceu foi totalmente diferente do previsto.

A disputa paulistana parece que foi formulada por escritores de cinema, com alto grau de reviravoltas. A primeira pesquisa após o período o lançamento oficial das campanhas, feita pelo Datafolha, mostrava Russomano com uma liderança ainda mais confortável, com 31%. Em segundo Marta, com 16%. Embolados atrás vinham Erundina, com 10%, Haddad, com 8%, e Doria, com 5%. Alguns dias depois, o mesmo Datafolha já mostrava um cenário diferente, de certa forma pegando os analistas de surpresa. Doria havia disparado do quinto para o terceiro lugar, e dessa vez aparecia com 16%, contra 21% de Marta e 26% de Russomano, que começava a experimentar uma incrível queda nas pretensões.

Mesmo diante de toda a resistência ao nome de Doria, com ataques sendo feitos por blogs petistas, com a campanha de Fernando Haddad entrando na Justiça para tentar impugná-lo e até com correligionários atuando nos bastidores para miná-lo, como foi o caso da esposa de Goldman, que fazia campanha contra o tucano via Whatsapp, João Doria obteve o apoio daquele que era o mais importante nisso tudo: o eleitor. Pela primeira vez na história, São Paulo escolheu um prefeito ainda no primeiro turno. Para não deixar nenhuma margem de dúvida, foram mais de três milhões de pessoas manifestando oficialmente a escolha em Doria.

O sucesso do prefeito Doria pode significar o surgimento do liberalismo econômico no Brasil


As propostas de Doria, diferentemente dos outros projetos que concorreram pela prefeitura de São Paulo, e diferente do que o brasileiro se acostumou a ver em termos de promessas de campanhas, caminha na direção de dar liberdade econômica ao paulistano e na redução tarifária do governo, com um novo olhar sobre o dinheiro do contribuinte, que geralmente é transferido para o poder público. O candidato tucano apresentou uma plataforma sinalizando que o paulistano pagará menos ao município.

De cara, Doria propôs a privatização do Parque Anhembi e do Autódromo de Interlagos. O estádio do Pacaembu também é outro ativo que deve ser vendido. E sem sombra de dúvida essa é a melhor, senão a única, forma da prefeitura obter uma grande arrecadação sem ser através de impostos, que inevitavelmente sempre pesam sobre os mais pobres. Quando o poder público em vez de cobrar e aumentar as taxas resolve vender seus próprios ativos, o mais rico é quem paga a conta ao poder público, mas somente aquele que se interessar em comprar o ativo colocado à venda, preservando os cidadãos mais carentes de sofrerem com o aumento de imposto.

Por outro lado, a pior coisa que um governante pode fazer é tirar dinheiro do povo por um capricho ideológico como a construção de uma série de empresas públicas. Até porque, como sabemos bem, a empresa pública é o castelo da corrupção, pois é onde acontecem os desvios, a apropriação indevida, as indicações por baixo dos panos, a influência exercida para interesses plenamente particulares e escusos etc.

Os que os cidadãos mais precisam para melhorar de vida e, consequentemente desenvolverem a cidade, o estado e o pais onde vivem é que os governantes dê liberdade para o cidadão criar sua própria empresa, gerar sua própria riqueza, tomar suas próprias decisões sobre o que é melhor para si, escolher qual opção lhe atende melhor, escolher se quer consumir algo mais caro ou mais barato. A questão é bastante lógica: a pessoa mais indicada para cuidar e definir como gastar o seu dinheiro é você mesmo. Quando o governo arrecada a sua riqueza para dela fazer uso, o governo não o faz com zelo, pois não foi o governo quem se esforçou para gerar aquela riqueza, que na verdade é fruto do seu trabalho.

E é completamente equivocado achar que esse modelo prejudica os mais pobres. O que as pessoas mais carentes precisam é da circulação de dinheiro, pois somente dessa forma a própria sociedade poderá construir mais oportunidades, tanto de emprego como de prestação de serviços - isso também é lucrativo para todos. O benefício é o elo mais forte para manter uma sociedade unida e produtiva. As pessoas depositam esforços desde que seja para ganhar algo. É uma questão de troca voluntária de ganhos, algo completamente impossível quando o poder financeiro é todo absorvido pelo governo.

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

http://www.ocongressista.com.br/