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Desconfie de quem se diz isento de preconceitos


Por Nivia Junqueira

Quando fui convidada para escrever para O CONGRESSISTA fiquei muito feliz e logo comecei a pensar qual seria o primeiro tema que escolheria para iniciar minha jornada como colunista neste site.

Foi então que decidi abordar um pouco a questão do “preconceito”, bem como a liberdade de expressão (ou melhor, a falta dela) por se tratar de algo corriqueiro no cenário político e no nosso dia a dia. Tanto que, na mesma semana que recebi o convite para ser colaboradora do site aconteceu um fato engraçado, e por uma opinião e gosto emitido. Uns poucos colegas de face julgaram como preconceito.

Primeiramente, levanto as seguintes questões: quem nunca foi acusado de ser preconceituoso sem o ser? Quem de fato é preconceituoso e não sabe ou não assume que é? Será que ter preconceitos é sempre ruim? Você sabe o que realmente significa a palavra preconceito ou já se deixou levar pela banalização ou mesmo generalização que se faz ao usar este termo?

Hoje em dia, dificilmente você vê alguém admitir, pelo menos diante da sociedade, os próprios preconceitos, afinal a conotação é vista sempre pelo sentido negativo, equivocado, exagerado e/ou fora da realidade. Dessa forma, não demora muito para você ganhar apelidos como fascista, xenofóbico, racista, homofóbico, coxinha, petralha, comunista. Para evitar esses rótulos muitos fingem que são isentos de preconceitos, ou mesmo de opiniões, para passarem a impressão de bom moço evoluído que tudo aceita e nada julga.

Essas pessoas se esquecem do real significado da palavra, que pode ser definido como “um julgamento prévio, especialmente ao se caracterizar como prematuro ou apressado. Opinião preconcebida; viés favorável ou desfavorável; predisposição [...] especialmente com conotação desfavorável. Uma predileção ou objeção injustificada” (Dicionário Oxford).

Dessa forma esses “seres iluminados”, primeiramente, são falsos. Segundo, é uma completa arrogância acreditar que não se tem ideias pré-concebidas ou pré-conceitos. Terceiro, é se enganar ao acreditar que possuem a incrível capacidade de saber tudo, acatar tudo, respeitar tudo, não julgar nada. E, por último, ocorre o medo de ser visto tal qual é, como um intolerante em muitos temas.

É muito provável que você conheça inúmeras pessoas que não expõem ideias em redes sociais ou em uma roda de amigos num bar por medo de ser rotulado, julgado e ridicularizado. Nas últimas décadas, a patrulha politicamente correta gerou (e tem gerado) uma grande pressão social que calou muitos. Consequentemente, mascarou, em partes, os reais preconceitos da sociedade, além de esconder justamente a falsidade dos que se dizem livres de preconceito.

No calor das redes sociais gerado pelo embate político causado pelo impeachment de Dilma, muitas questões ideológicas, sociais, filosóficas e econômicas ressurgiram no cenário nacional, o que fez com que muitos que se calaram durante anos tivessem coragem de dizer o que pensam e por que pensam. E como tudo envolve ação e reação, aqueles que estavam acostumados a ter voz começaram a se sentir ameaçados. O resultado vocês já sabem: discussões, debates, xingamentos; amigos perdidos; gente se afastando; preconceitos expostos; falsos moralismos e hipocrisias escancaradas; contradições; discursos rasos entre poucas boas e novas ideias.

A internet nos esclarece que estamos longe da luz da razão, da benevolência e, ainda mais, do bom senso. Bom senso este que tem se perdido em meio a tanta regulação e patrulha do politicamente correto. A situação chegou a pontos críticos e transformou tudo em preconceito, todos em preconceituosos.

Um gosto é confundindo com um preconceito. Qualquer opinião referente a minorias é homofobia, xenofobia, racismo. A exposição de um fato real se torna intolerância. Isso é inviável para uma sociedade que diz defender um estado de direito democrático. É danoso para a criatividade e para o crescimento e amadurecimento das pessoas porque se eliminam prováveis debates sobre o que é bom e o que é ruim.

E como diz Dalrymple, autor dentre outros livros de “Em Defesa do Preconceito”, “é necessário bom senso para saber quando um preconceito deve ou não ser abandonado. A luta deve ser contra preconceitos ruins, que são deixados de lado junto com os bons”. E por incrível que pareça inúmeros pré-conceitos são necessários e bons na vida de cada um de nós.

Para finalizar, deixo aqui o caso que ocorreu comigo. O julgamento de preconceituosa que recebi aconteceu após eu postar um vídeo de Marcela Temer apresentando o programa de governo “Criança Feliz”.

No episódio eu dizia que fazia tempo que não víamos uma mulher bonita e que fala bem representando o governo. Minha comparação foi diretamente em relação à Dilma e completei: “Dilma, como é bom não ter mais que ver tua cara, ouvir sua voz agressiva e seu português horroroso”. Foi um post descontraído e brincalhão, e presume-se que qualquer um entenda que estereótipo não é o mais importante para um cargo no governo. No entanto, fazer o que, alguns não entendem piada e preferem julgar.

E o julgamento surgiu através de um comentário “politicamente correto” me acusando de ser preconceituosa com base em: padrão de beleza, padrão linguístico e discursivo, e intolerância à diferença.Bom, não houve pré-conceito algum em minha frase, pelo contrário, haviam conceitos muito bem estabelecidos, afinal a diferença entre Dilma e Marcela é gritante, especialmente no modo de falar. Deixei claro, através da minha liberdade de expressão o que prefiro e acho mais adequado e bonito, mas, mais que isso, não se trata de discriminação relacionada à beleza ou modo de falar. Sabemos que os motivos para não gostar de Dilma vão muito além.

A intolerância, na verdade, parte justamente daqueles que se acham livres de preconceitos. Ela foi exercida contra o meu direito de expressão e contra minhas preferências não compatíveis com quem me acusou de preconceituosa.

O fato, como mencionado no texto, exemplifica a falta de bom senso, a falsidade e o medo de se mostrar intolerante. A verdade é que de tanto problematizar teorias, essas pessoas passam a distorcer a realidade e as palavras. Veem os outros, mas não veem a si mesmos. Ou será que para namorar, por exemplo, os “livres de preconceito” não escolhem parceiros segundo determinados padrões? Em relação a amizades, não selecionam determinados indivíduos? Ninguém está livre de preconceitos, mas cabe a nós abandonar os injustificados e respeitar as preferências alheias. E, principalmente desconfiar daqueles que se dizem isentos de preconceitos.

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