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Chegou a hora H para Crivella: hipocrisia ou honradez?


Por Wilson Oliveira

Não só é possível eleitores doutrinarem um político como essa é a única saída para os liberais-conservadores brasileiros. Não temos nenhum político conhecido com formação liberal-conservadora. Temos, apenas, alguns oportunistas (não necessariamente no sentido pejorativo, mas no sentido de olharem uma oportunidade para se diferenciarem e se renovarem nessa época de embates políticos tomando forma em todos os lados da sociedade brasileira).

Tornou-se impossível, por exemplo, um político fazer cara de paisagem e adotar discurso insentão para temas espinhosos como "Uber x táxi", "redução de Estado x aumento do Estado"; "mais impostos x menos impostos". E isso não se deve a debates propostos pelos próprios políticos, mas sim a think tanks que chegarem ao Brasil dispostos a embutirem novas ideias, novas abordagens e novos pontos de vista, que logo ganharam projeção pelo fato dos brasileiros estarem carentes de opiniões contrárias em meio a tanta esquerdice de um lado e isentismo infrutífero do outro.

Crivella não é um exemplo de político, pelo menos nesse momento, que pode se transformar em um novo liberal-conservador. Definitivamente não. Justamente por isso, nas disputas do Rio de Janeiro, ele sempre foi um alvo bastante fácil de ser atacado. Só para início de conversa, a imagem que se tem de Crivella é a de um capacho do Bispo Edir Macedo, que trabalha como um mero soldadinho da Universal, uma espécie de embalagem sem conteúdo. Crivella não possui nenhuma ideologia política, apenas religiosa. Uma opção eleitoral que numa situação normal jamais seria vista como viável para um liberal-conservador.

A esquerda e parte da mídia carioca tem batido no Crivella sem dó nem piedade e, justamente pela falta de conteúdo político, ele tem encontrado uma enorme dificuldade para se defender, pois até outro dia era um soldadinho de outro exército: o dos petistas - enquanto senador da base governista do PT, Crivella chegou ao cúmulo de elogiar o comunismo numa saudação ao PC do B, demonstrando qualquer descompromisso com as milhões de mortes que essa ideologia tirânica promoveu, principalmente na Europa.

Marcelo Crivella é a tradução exemplar daquele famoso ditado popular que afirma "bater em bêbado é fácil", apesar dele ser evangélico e, teoricamente, não consumir bebida alcoólica. É preciso salientar que mesmo diante de todos esses ocorridos, como a da capa da Revista Veja, não seria uma surpresa amanhã ou depois vermos Crivella se aliando (novamente) a políticos de esquerda. O histórico dele na política infelizmente aponta justamente para o sentido de se apoiar a qualquer um em troca de força eleitoral, sem muitos compromissos programáticos muito menos ideológicos.

Lamentavelmente, Crivella acredita que basta afirmar ser "um ficha limpa" que isso lhe credencia a se coligar com qualquer bandido ficha suja, como se ninguém pudesse perceber que a aliança com um safado significa conivência com a corrupção e com a safadeza. E o pior disso tudo é que em dados momentos dessa disputa eleitoral, o candidato do PRB teve que escutar do próprio Marcelo Freixo (logo do Freixo, que pediu votos pra Dilma em 2014) que ele - Crivella - participou do governo Dilma e que Freixo não. Nesse caso é muito bem feito para Crivella ver onde ele foi se meter. Aliança precisa ter limite, senão vira formação de quadrilha.

O lado positivo de tudo o que está acontecendo no péssimo segundo turno da eleição para prefeitura do Rio de Janeiro é que essa disputa entre Marcelo Crivella e Marcelo Freixo pode abrir caminho para que outros políticos olhem com mais necessidade para o liberal-conservadorismo. Isso porque Freixo representa tudo o que a esquerda defende: ideologia de gênero para crianças pequenas, liberação de drogas sem preocupação com segurança, relativização da violência urbana, apoio ao bolivarianismo na América Latina somada a uma gestão completamente irresponsável na economia.

O resumo objetivo do programa de governo de Freixo são gestos de mais Estado e mais impostos para se garantir mais gastos públicos, cujo propósito é diretamente o de criar mais cargos públicos para abrigar amigos e aliados e, assim, dar maior ênfase na formação de exército militante que em troca também ganharia cargos no governo. Acontece que esse tipo de pensamento só encontra eco em uma parcela bem reduzida da sociedade brasileira, que, por outro lado, na sua maioria, graças aos 13 anos de PT, percebeu o quanto isso é destrutivo para o país. Portanto, não tem como lutar contra esse domínio governamental oferecendo algo parecido.

Na sua mais recente inserção de TV, Crivella já deu mostras que pode estar revendo conceitos para deixar de ser um isentão que elogia a esquerda. É possível que daqui para frente ele continue sendo um isentão, mas ao menos nessa disputa com Marcelo Freixo ele está sendo forçado a criticar os socialistas. No seu programa de campanha ele chamou o candidato do PSOL de "esquerdista radical", estratégia que ele vinha relutando em utilizar, mas que no primeiro turno já tinha sido usada por outros candidatos que agora estão o apoiando (Carlos Osório e Índio da Costa) e por outros que seguiram pela neutralidade (Flávio Bolsonaro e Pedro Paulo).

Se Crivella for eleito com votos de eleitores anti-esquerdistas e amanhã ou depois, em outra disputa, aparecer ao lado de candidatos de esquerda (ou seja, daqueles que hoje estão batendo nele sem dó), Crivella estará dando mostras que pode trair as pessoas facilmente, porém, mais ainda, que gosta de fazer o papel de "mulher de malandro", aquela que apanha mas que continua amando o seu agressor e passando a mão na sua cabeça (antes que digam qualquer besteira sobre essa metáfora, esclarecemos desde já: toda a violência contra a mulher precisa ser combatida!).

O que Crivella precisa fazer agora é algo que ele até então nunca tinha feito na sua carreira política, mas que está sendo obrigado a fazer: se posicionar contrário à esquerda, ao PSOL e a Marcelo Freixo. Para respeitar uma pessoa, é preciso que essa pessoa te respeite. O respeito é algo que só funciona se for mútuo. E apesar de Freixo ter afirmado no primeiro debate do segundo turno que respeitava Crivella e sua história, o candidato do PSOL está agindo justamente de forma oposta, deixando claro que o que ele fala não deve ser levado a sério.

Marcelo Crivella já percebeu que precisa reagir e também falar "algumas verdades", porém, mais do que isso, Crivella precisa explorar com maior ênfase os pontos fracos do PSOL - e o principal deles é o apoio ao governo da Venezuela, aquela nação sul-americana cujos seus integrantes estão fugindo para o Brasil por não terem mais condições de sobrevivência em seu país, mergulhado numa crise econômica e na ditadura chavista prolongada de forma antidemocrática por Nicolás Maduro.

Daqui para frente, independente de ser eleito ou não prefeito do Rio de Janeiro, Crivella precisa fazer uma escolha: continuar sendo um político de um nicho específico (os evangélicos) ou um político com um projeto muito maior, que seria o de fazer um contraponto a toda a ideologia esquerdista, carregada de estatismo em excesso temperada com a visão obsoleta da "Escola de Frankfurt".

Isso não significa se tornar um político radical, pelo contrário. Significa se tornar um homem de posições firmes e claras. Crivella tem que definir se ele continua acreditando que o "evangelho tem pontos em comum com o comunismo" ou se ele passa a ser uma pessoa que realmente sabe do que está falando quando aborda uma ideologia que quando colocada em prática assassinou milhões de pessoas tal qual o fascismo e o nazismo.

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