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Balanço da eleição carioca: todos perderam, principalmente o fanatismo


Por Wilson Oliveira

De forma até compreensível, muitos cariocas lamentaram as idas de Marcelo Freixo e Marcelo Crivella para o segundo turno. Para alguns eleitores Brasil afora, "foi o pior segundo turno do país em 2016". E não chega a ser nenhum absurdo isso ser afirmado. Se somarmos a quantidade de votos dos dois, chegamos ao cálculo de 46,04%. Ou seja, os dois primeiros colocados, juntos, não conseguiram nem metade dos votos totais.

E no segundo turno a coisa não foi muito diferente. A soma de votos em branco, nulo e abstenções foi de 2.034.352, quantidade superior a obtida pelo eleito Marcelo Crivella, que obteve 1.700.030. Ou seja, o carioca deu um recado muito claro: embora um dos dois tivesse que ser o escolhido, tanto Freixo como Crivella são dois derrotados que não conseguem representar uma parte considerável do eleitorado. E ainda há a quantidade de votos em um e no outro que na verdade foi feito por rejeição ao adversário, e não por convicção.

Agora se debruçando na disputa particular entre Marcelo Freixo e Marcelo Crivella, não restam dúvidas - de acordo com as ideias propagadas por O Congressista - que os dois possuem programas de governo renegáveis, mas que o de Freixo, insustentável, inacreditável e indefensável, consegue ser pior. Temos alguns artigos, listados abaixo, que explicam essa questão.

Veja por que acreditamos que o programa de Freixo era pior que o do Crivella, que também não era bom:


A militância do Freixo contribuiu - e muito, muito mesmo - para a sua derrocada

Outro motivo para a derrota do candidato do PSOL foi a postura de boa parte da sua própria militância, que o tempo todo arrotou superioridade, posou arrogância, destilou ódio e preconceito. E mostrou boa dose de hipocrisia, pois ao mesmo tempo que pedia "mais amor" agia justamente na direção oposta mostrando raiva daqueles que manifestavam a preferência pelo concorrente. E isso independente de motivo, pois era como se fosse proibido fazer outra escolha que não fosse a do número 50.

Nas redes sociais, inclusive, foi possível ver muitos eleitores de Freixo dando esporro nos cariocas que no primeiro turno votaram em outro candidato, votaram nulo, em branco ou se abstiveram. Nesta segunda-feira tal fato se repetiu, de forma ainda mais enfática (o autor deste artigo reserva-se no direito de não colar prints para não expor essas pessoas - mas qualquer cidadão que possui eleitores de Freixo no seu Facebook fatalmente também testemunhou tal absurdo).

E esse comportamento é imperdoável. Isso serviu para minar qualquer chance de Freixo se aproximar daquele indeciso, que não é esquerdista nem direitista e que está desconfiado dos políticos de um modo geral. Certamente ninguém se sente confortável tomando esporro de militante algum. Se os "freixistas" acharam que isso seria um incentivo, mais uma vez eles demonstraram como são incompetentes e imaturos para fazer uma leitura política do mundo real. Agiram feito adolescentes.

Os erros políticos de Crivella, Freixo, Pedro Paulo, Bolsonaro, Índio, Osório, Jandira, Molon e Carmem Migueles

Marcelo Crivella: trata-se um político que preza pela indefinição, que abraça qualquer um que aparecer na sua frente para vencer. Uma hora é amigo do PT, logo depois é um crítico, na sequência passa a ser alguém que apenas se distanciou por ver "alguns erros". Na essência, é o mais emblemático representante da velha política, aquele fisiológico, que está a favor de todos e contra todos ao mesmo tempo, importando mesmo obter o voto do eleitor para vencer a eleição que estiver disputando. O que Crivella fala realmente não se escreve.

Marcelo Freixo: além de ter um programa de governo com promessas economicamente insustentáveis, uma tendência a irresponsabilidade fiscal, um lastro de apoio internacional repudiante (como o governo Maduro, na Venezuela) e um claro viés sindicalista, que formam um conjunto de fatores bastante repercutidos aqui em O Congressista, Freixo também paga pelo comportamento de grande parte do seu eleitorado, que é um dos mais fanáticos do Rio de Janeiro e que, assim como parte dos seguidores dos Bolsonaros, agem com soberba, contribuindo para, ao invés de aproximar, na verdade afugentar ainda mais aquelas pessoas que tenham um pensamento um tanto quanto discordante.

Pedro Paulo: nesse caso, o maior erro na verdade é do Eduardo Paes: ter lançado Pedro Paulo. Há quem diga que tudo foi intencional e calculado, pois Paes estaria trabalhando uma saída estratégica para deixar de ser telhado de vidro por dois anos, até voltar em 2018 concorrendo ao governo do estado com a narrativa de "na minha época o eleitor via o poder público efetivamente trabalhando pelo cidadão". Mesmo que isso seja verdade não deixa de ser decepcionante, pois se o grupo de Paes confia tanto no próprio taco deveria colocar um candidato competitivo pra dar continuidade ao seu trabalho. Se essa tese for verdadeira, foi um ato de covardia. Por enquanto, ficamos com o que temos de concreto: a escolha de um agressor de mulher. O PMDB realmente achou que mandava na cidade e no eleitor, numa visão rasa e ignorante do processo eleitoral que estava por vir.

Flávio Bolsonaro: assim como Freixo, é outro candidato de nicho específico. No entanto, demonstrou mais vontade que o socialista de tentar ampliar o diálogo com pessoas que possuem uma visão um tanto quanto diferente. Mas Flávio esbarrou na sua falta de experiência em disputas majoritárias, foi mal em vários momentos de debates televisivos e se atrapalhou para passar suas ideias, cujas quais várias delas precisam ser colocadas na mesa do debate público. Mas o maior problema dos Bolsonaros é que eles pagam pela forma de agir de boa parte dos seus seguidores, que assim como os eleitores do PSOL, agem de forma soberba com quem pensa diferente, e acabam afastando mais do que atraindo eleitores de outras vertentes de pensamento.

Índio da Costa: confiou demais em si próprio e ignorou o fato de disputar uma eleição em que havia outros projetos muito parecidos com o seu (como por exemplo do candidato Carlos Osório). Foi excessivo na defesa de alguns pontos vistos como irrelevantes para boa parte do eleitorado, como a criação de aplicativos de smartphones para facilitar a comunicação entre cidadão e administração pública, tornando as duas pontas mais próximas. A ideia é excelente, mas está lá atrás na escala de prioridades na cidade do Rio de Janeiro. E também tem o fato de pertencer a um partido sem qualquer definição política, que nasceu apenas para ampliar a base de sustentação do governo PT, mesmo reunindo vários opositores do mesmo, como o caso do próprio Índio.

Carlos Osório: confiou demais em si próprio e ignorou o fato de disputar uma eleição em que havia outros projetos muito parecidos com o seu (como por exemplo do candidato Índio da Costa). Demorou para se posicionar em alguns pontos considerados cruciais, como a questão Uber x táxi. E quando se posicionou, preferiu subir no muro e tentar agradar ambos os lados, o que já se mostrou impossível de ser feito. Um político precisa deixar claro se é a favor ou contra o sucesso de iniciativas modernas que facilitem a vida do cidadão sem que para isso seja necessário haver uma intervenção política. Osório também deu algumas vaciladas na tentativa de se posicionar como defensor da austeridade.

Jandira Feghali: errou feio ao achar que o eleitor carioca é trouxa. Mesmo com mais de um milhão de pessoas se reunindo em vários pontos da cidade para protestar contra a corrupção do governo PT, ela teve a ousadia de colocar o bloco na rua para prioritariamente defender os responsáveis pela histórica derrota de um partido que nem é o seu. Ou seja, se para alguém ainda restava dúvida, Jandira tratou de esclarecer que o PCdoB nada mais é do que um partido satélite do PT. Nos raros momentos em que falou de outro assunto, não passou a mínima sinceridade nas suas propostas e sua candidatura só agradou a militância petista, que está cada vez menor.

Alesandro Molon: achou que conseguiria atrair os eleitores indecisos, descrentes da políticas e sem definição ideológica com uma linha de atuação isenta, mas que negava-se a criticar a corrupção do PT. Tentou se colocar, de leve, como defensor das investigações contra a corrupção, mas para isso é preciso se colocar contra os corruptos, coisa que Molon faz seletivamente: criticou apenas os investigados do PMDB. Ou seja, mostrou que é apenas mais um político que saiu do PT, mas que deixou o petismo intacto na sua alma.

Carmem Migueles: representou a perda de rumo do Partido NOVO no Rio de Janeiro, que tinha tudo para entrar para a história caso lançasse Roberto Motta como candidato. Seus discursos iniciais logo de cara, com uma boa pitada de "isentismo de esquerda", decepcionaram os cariocas liberais de direita que viam no Novo o surgimento, finalmente, de uma opção legítima e verdadeira daquilo que acreditam. Mas Carmem começou elogiando Paulo Freire, dizendo que direita não existe, criticando o conservadorismo e se omitindo na hora de criticar a esquerda. O Novo perdeu pontos com muita gente e obteve bem menos do que poderia obter em número de votos.

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