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A Reforma do Ensino Médio deve ser apoiada?


A edição 4 do "Tema em Debate" traz a maior polêmica do momento político do Brasil, que é o Projeto de Lei 6.840/2013, que ficou popularmente conhecido como Reforma do Ensino Médio. De acordo com o próprio Governo Federal, "a proposta estabelece que os currículos do ensino médio sejam organizados por áreas do conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. A divisão visa priorizar a interdisciplinaridade e a aplicação dos conhecimentos em outras áreas – e também no dia a dia dos alunos e na realidade do Brasil e do mundo". Para debater sobre este tema, O Congressista trouxe um liberal-conservador, que é a favor da reforma, e um socialista, que é contra. Ambos são estudantes. Confira abaixo a visão e os argumentos de cada um.

Yuri Santos

Primeiro, foi um golpe na Constituição. Agora, querem dar um golpe na educação. O Brasil está, incrédulo, diante do estabelecimento da "golpismocracia". É preciso reagir com todo vigor contra essa agenda excludente que tentam impor no país na base da marra e da força. O preto, o gay, o negro e o trans não podem ficar de fora quando se fala em qualquer coisa relacionada à escola, porque eles são as maiores vítimas desse ambiente altamente discriminatório.

A reforma do ensino médio, elaborada ainda no governo PT-PMDB, e endossada pelas forças conservadoras do governo golpista de Michel Temer, não pode ser levada a sério. Primeiro porque nada que venha de um governo trapalhão pode ser visto como progresso. Lançaram uma coisa e depois deslançaram, dizendo que não era aquilo, que estava errado, que iam ajeitar e depois lançar de novo.

Segundo porque essa reforma tem o intuito único de robotizar os jovens brasileiros para transformá-los em meras ferramentas produtivas, sem o direito de pensar, de opinar e de refletir sobre as amarras atuais, que tentam lhes transformar em escravos do século XXI. A retirada, antes na cara dura e agora disfarçada, de matérias como sociologia, filosofia, educação física e arte só mostra como esse governo enxerga os jovens como seres inferiores que nasceram apenas pra martelar um prego.

Nenhuma reforma no ensino vai andar na direção de melhorias se não atacar a questão estrutural. Os professores precisam ser valorizados com salários decentes, não com spray de pimenta e cassetete quando exercem seu direito constitucional de fazer greve e se manifestar. As escolas precisam deixar de parecer uma prisão. Precisam tirar as grades e colocar janelas. Precisam tirar policias e colocar educadores. Precisam investir em alimentação, transporte. Porque nenhum aluno vai aprender se não tiver bem alimentado e sem condições de ir para a escola.

Para concluir, é preciso impedir a entrada da agenda fascista do "Escola sem Partido", que nada mais é do que a censura na sala de aula. Criou-se uma falsa ideia de neutralidade para impedir que os professores falem sobre diversidade e pluralidade. Querem proibir o incentivo aos alunos a terem um senso crítico de não aceitar a construção social que é imposta aos mais carentes, de cima para baixo. Essa reforma mesquinha e fraudulenta só tem como objetivo alienar os jovens brasileiros para ficar mais fácil o processo de escravidão do século XXI.

* Yuri Santos é estudante universitário de História e militante do PSOL-RJ.

Victor Oliveira

Não é de hoje, nem de ontem, que já faz parte da mentalidade comum do cidadão brasileiro que a educação no país é um problema, um dos maiores, talvez até o maior. Problema este que vai desde o início da formação dos alunos até o ensino superior, e que ronda desde os métodos de ensino até as estruturas educacionais. Dessa forma já podemos compreender que uma mudança é necessária, e que esse sistema vigente, inegavelmente, não tem tido sucesso.

A reforma anunciada, sendo proposta por Dilma – sim, por Dilma, caso não saiba - demonstra que dessa vez ela utilizou alguma carga de lucidez que já existiu em seu cérebro. A reforma proposta não só é necessária como chega atrasada, demonstrando a ineficácia do sistema educacional vigente que conservou um modelo inútil que só vem prejudicando as gerações de alunos. Diferente do que os críticos da proposta apontam a coisa não é um bicho de sete cabeças. Não chega nem a ser um bicho.

Seguindo um método utilizado na maioria dos países desenvolvidos, a proposta busca aumentar a carga horária dos alunos e aplicar uma flexibilização da grade curricular, de tal forma que os alunos poderão, ao longo da formação, optar por determinadas matérias e, assim, criar uma grade que os satisfaçam.

Os nossos amigos amargurados alegam que a proposta traz o fim do senso crítico nas salas de aula, acabando com a possibilidade de pensamento e questionamento dos alunos. Partindo por essa lógica, podemos entender que países desenvolvidos como Canadá, EUA, Inglaterra, Coreia do Sul, Alemanha, entre outros, são países sem senso crítico, onde os alunos são formados de forma ineficiente. Bom mesmo, claro, é o Brasil, exemplo de educação para o mundo, não é óbvio?

Já sendo clara a deficiência existente na educação, a reforma busca trazer uma nova luz para uma fase importante da vida escolar dos alunos. O ensino médio é o momento em que o aluno está em transição para o ensino superior, tendo de rever suas concepções, interesses, habilidades e objetivos futuros: com a mudança, essa adaptação do aluno será muito mais desenvolvida, pois tendo a capacidade de montar sua grade, o aluno é capaz de ir se direcionando a um caminho específico que irá servir de orientação para seus passos futuros, coisa que hoje é inexistente. O aluno sai da escola sem saber o que fazer da vida, sem direção, jogado à esmo em um sistema de vestibular que diz que ele tem que passar, mas não diz para onde. E esse é um dos maiores problemas que a reforma tende a resolver.

Há ainda uma certa desinformação acerca das medidas propostas: vem sendo dito que matérias como filosofia, sociologia, educação física e artes serão extintas, o que é uma mentira. Como claramente proposto, tais matérias serão optativas a partir de um determinado momento do curso, e continuarão sendo ministradas para os alunos que busquem seguir um caminho em tais áreas específicas. Serão obrigatórias em todo o curso apenas três matérias: português, matemática e inglês, que possuirão ênfases direcionadas às próprias escolhas que os alunos farão ao longo dos anos. Isso dará aos alunos uma base fundamental para todo o trajeto, ao mesmo tempo que permite com que os mesmos possam moldar os seus passos de forma coerente para com suas vocações.

Assim, o aluno poderá investir o tempo escolar naquilo do qual ele já possui um interesse profissional, podendo se aprofundar melhor nas matérias escolhidas, ganhando uma bagagem intelectual que vá além do que o ensino vigente é capaz de oferecer ao aluno. É de muita ignorância acreditar que um indivíduo possa se aprofundar e desenvolver um conhecimento consideravelmente relevante no período de tempo e dentro das exigências que o sistema atual propõe.

Sendo um método eficiente nos lugares em que é aplicado, buscando mudar algo que claramente se demonstra fracassado, a reforma vem como uma luz no fim do túnel. Uma luz que virá gradualmente, o que é necessário, mas que poderá desaparelhar a estrutura do ensino educacional vigente. Todas as críticas, até então evidenciadas, são motivadas por questões puramente ideológicas vinda de grupos que buscam reagir contra tudo que o “inimigo” realiza, no sentido mais claro e literal da palavra. A ala progressista do país se encaixa bem na definição “reacionário”. 

Para eles, senso crítico é manter um sistema falido, onde os alunos não estão nem um pouco preocupados com o que vão fazer nos dias seguintes de aula. Para eles, senso crítico é não permitir que o aluno possa ter senso o suficiente para adquirir um caminho próprio, afinal, para eles, senso crítico é enfiar goela abaixo aquilo que eles acham certo.

* Victor Oliveira é colunista do O Congressista, teísta, "liberal-conservador", aspirante a pseudo conhecedor das coisas, crítico e contra a tese de "um mundo melhor"

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