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Veja por que Estado com monopólio no transporte é péssimo e retrógrado


Por Wilson Oliveira

O Estado é responsável pelo monopólio e pelo oligopólio no sistema de transporte em todo o Brasil. Se esse sistema fosse inteiramente privado, os empresários teriam que concorrer entre si, fazendo com que começasse uma briga para ver quem apresenta o melhor serviço. Nesse espírito, apresentamos um estudo realizado pelo ITF (Internacional Transport Forum), órgão da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em Lisboa, no ano passado. Eles avaliaram como seria o desempenho de uma espécie de "Uber do Ônibus".

A lógica seria muito parecida com o sistema que já conhecemos do Uber. Só que ao invés de o passageiro chamar um carro para uso exclusivo ou compartilhar um carro com outras pessoas, esse passageiro chamaria um ônibus através do seu smartphone. Por si só, isso já diminuiria o valor da passagem se comparado com o Uber de carro, pois como um ônibus comporta muito mais gente, haveria muito mais pessoas para dividir o gasto daquela locomoção. No estudo, os resultados apontaram reduções significativas de custos. O valor de 10 euros gastos semanalmente pelos portugueses, por exemplo, cairia para 3,9 euros, o que representa uma diminuição de 60,1% no valor da passagem.

Outro benefício que se tornaria possível aos passageiros toca justamente na questão da dignidade. Não é possível acharmos normal que cidadãos sejam carregados no estilo "atum enlatado", encurraladas em ônibus superlotados. Com um serviço inteiramente privado de ônibus, para atrair cada vez mais clientes e, com isso, expandir seus serviços, as empresas naturalmente atacariam a questão do conforto e da segurança, acabando de uma vez por todas com a viagem em pé - isso seria facilmente solucionado com o uso do aplicativo, que impediria que um ônibus com todos os assentos ocupados recebesse novas chamadas. Ou seja, uma pessoa que solicitasse um ônibus teria o seu pedido enviado apenas para ônibus que tivessem lugares disponíveis naquele momento.

O tempo da locomoção também seria automaticamente diminuído. Quando os ônibus ficassem com todas as suas poltronas ocupadas, a parada seguinte só seria o destino daquele passageiro que fosse ficar no local mais próximo. E as paradas para o embarque de novos passageiros só ocorreriam mediante solicitação via aplicativo. Os responsáveis pelo estudo apontaram que esse seria o principal benefício. Na pesquisa feita em Lisboa, o número de pessoas que levaria menos de 30 minutos para chegar ao trabalho saltaria de 25% para 75%.


Com transporte inteiramente privado, próximo passo seria acabar com engarrafamentos


Vamos considerar que todos os países do mundo (ou pelo menos do mundo ocidental) adotassem práticas liberais-conservadoras de governança. Ou seja, que esses países reduzissem o papel do Estado nos setores que o Estado só cria dificuldades, como no transporte, e focassem os esforços estatais nos campos em que não é possível dispensar o Estado, como a segurança pública. Um sintoma imediato seria a diminuição da violência, consequentemente de mortes. Com isso, seria natural o aumento no número de pessoas - e por tabela no número de carros. Mas com um modelo de transporte público inteiramente privado, livre da intromissão econômica do Estado, a natural visão empreendedora de buscar lucros fatalmente atacaria a questão dos congestionamentos, infeliz realidade de muitas cidades brasileiras.

Para uma empresa aumentar seus lucros, é preciso encontrar soluções naqueles problemas que atingem um grande número de pessoas. E quando falamos dos engarrafamentos, falamos de algo que é ruim para muita gente, cujo qual seria ótimo a chegada de soluções práticas e eficazes. O estudo do ITF também se debruçou sobre essa questão. Para avaliar possíveis resultados percentuais, foi considerado de antemão que uma aguça melhora no serviço de ônibus atrairia mais e mais pessoas a andarem de ônibus, inclusive àquelas que possuem carros - por motivos mais que óbvios: menos estresse, menos desgaste, possibilidade até mesmo de dormir, ler, assistir filmes, jogar games etc. enquanto se desloca.

Então os resultados foram o seguinte: se todas as pessoas que usam carro particular passassem a andar de ônibus, o número de veículo por km na hora de pico cairia 37%; se 80% das pessoas que usam carro particular passassem a andar de ônibus, o número de veículo por km na hora de pico cairia 25%. Naturalmente que quanto mais pessoas passassem a solicitar ônibus para os seus deslocamentos, haveria um aumento de ônibus nas ruas. Entretanto, ao invés de termos um automóvel para cada uma, duas, três ou quatro pessoas, esses ônibus estariam para cada 20, 30 ou 40 pessoas. O resultado final seria a redução de automóveis nas ruas, como apontou o estudo.

Outros benefícios foram descobertos através desse estudo feito em Portugal, como a diminuição na emissão de CO², além de mais espaços livres nas cidades, já que a quantidade de estacionamentos também iria cair e consequentemente outros empreendimentos poderiam nascer nesses locais. Também haveria uma melhora psicológica nas relações comerciais, já que pessoas que trabalham longe da sua residência chegariam mais calma e mais dispostas ao trabalho. A publicidade dentro dos ônibus também ficaria mais valorizada, já que atingiria uma fatia maior da sociedade.


Quando analisamos a situação do transporte público nas cidades do Brasil (e de outros países subdesenvolvidos), vemos que esse é um dos pontos que mais nos coloca em atraso. Estamos em agosto de 2016, em pleno século XXI, e ainda encontramos pessoas sendo carregadas como escravas, entulhadas em ônibus que em muitos casos estão velhos. E se fossemos avaliar pelo lado da dignidade das pessoas que são transportadas, esses veículos sequer deveriam estar rodando, ainda mais carregando um grande número de passageiros.

Mas isso acontece porque existe uma barreira muito grande que impede inovações para melhorar a locomoção das pessoas: a intromissão estatal. O Estado não é uma empresa, não precisa correr atrás de lucros nem de clientes, por isso mesmo não tem a inclinação necessária para buscar soluções que resolvam os problemas que atingem um grande número de pessoas.

Mesmo assim, o Estado é a instituição que toma as rédeas dos transportes públicos. Cabe ao Estado, por exemplo, subsidiar parte do preço da passagem para que os passageiros não recebam o repasse dos custos totais, desidratando a livre concorrência e a capacidade das empresas de concorrerem entre si buscando aperfeiçoamento e avanços, inclusive de concorrerem no preço do serviço.

Como as empresas de ônibus estão nas mãos das prefeituras, não há como fazer distinção entre as mesmas: os ônibus são os mesmos, o serviço é o mesmo, o preço da passagem também é o mesmo, assim como a ineficiência e a reclamação dos passageiros também é a mesma. A consequência natural disso é uma crise que se alastra por todo o país, com empresas quebrando, greves de motoristas, envelhecimento da frota sem a sua devida recomposição - e o passageiro, que na verdade é um cliente, sendo tratado como entulho.

O pior é que tem gente que briga contra qualquer mudança no setor dos transportes com medo de perder algumas "regalias", como é o caso de alguns taxistas brasileiros e até de outros países, que reagiram se utilizando até mesmo da violência física contra motoristas do Uber. Acontece que, para a infelicidade dessas pessoas que preferem o atraso por uma visão retrógrada e mesquinha, a inovação empreendedora que alia inteligência com tecnologia é um caminho sem volta e inevitável.

E não adianta sindicatos fazerem complôs junto com o governo, pois o número de pessoas que tomam conhecimento dessas opções mais eficientes só tende a aumentar. Com isso, essas pessoas vão exigir cada vez mais o surgimento de políticos "de fora do sistema" que possam trazer essas opções.

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