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O que seria do socialismo se não existisse pobreza nem preconceito?


Por Wilson Oliveira

Primeiramente, é preciso explicar que o socialismo e todos os movimentos oriundos da ideia socialista precisam da pobreza pra se fortalecer e se expandir. Sendo assim, caso a pobreza não existisse mais, possivelmente a ideia do socialismo perderia totalmente a sua força. Afinal, são justamente os mais pobres que ficam na mira dos discursos mais clássicos do socialismo, como a "luta de classes", a "revolta proletária" e a "revolução anti-burguesa". Agora, faça um exercício de imaginação e pense se o socialismo conseguiria se propagar caso todas as pessoas tivessem liberdade econômica para comprar e vender... Para isso acontecer seria necessário que todos fizessem parte da sociedade de mercado. Acontece que a concepção da sociedade de mercado é fortamente criticada, mas advinhe por quem... Pois é, pelos socialistas.

Em entrevista ao Roda Viva, o filósofo liberal-conservador fez uma afirmação muito interessante: "a pobreza é como a lei da gravidade, se você não se mexer você cai". Mas além da força de vontade da própria pessoa ainda existem outras barreiras que impedem a prosperidade de vários indivíduos. Uma economia estatizada, por exemplo, é uma economia controlada pelo Estado. Ou seja, é como se houvesse uma única portinha que desse acesso à geração de riqueza, onde as pessoas precisassem fazer fila pra entrar nessa portinha, correndo o risco de nem entrar caso o Estado resolvesse fechá-la por completo. Essa dificuldade faz com quem muitas pessoas fiquem do lado de fora dessa portinha. Essas pessoas são as mais pobres, justamente as que formam o público-alvo da narrativa socialista.

Nos países com uma economia livre, não há portinha nem portão. Não há nem muro. Qualquer um pertence à sociedade de mercado. Qualquer um pode empreender. Consequentemente existem muito menos pessoas do lado de fora, ou seja, não há os mais pobres. Nesse cenário, para quem os socialistas apontam seus discursos como "luta de classes", "revolta proletária" e "revolução anti-burguesa"? Pois é, para ninguém. Portanto, não é estranho que todo socialista seja um crítico ferrenho da sociedade de mercado. E geralmente eles fazem um malabarismo tremendo para esconder dos "despolitizados" que a sociedade de mercado é uma relação de ganha-ganha.

E conforme publicamos aqui em O Congresista, o socialismo se desenvolveu para outros campos para adquirir novos públicos-alvo, principalmente nos países com economias mais livres. Era preciso buscar outro tipo de problematização que não fosse necessariamente econômica. Foi nesse sentido que a Escola de Frankfurt escondeu o Marxismo e toda sua crítica à sociedade de mercado e pulou para o campo cultural. Nele, novos discursos fizeram nascer novos públicos para os socialistas a partir da divisão da sociedade em grupos: gays, mulheres, negros e qualquer tipo de indivíduo que pudesse ser classificado, pelos próprios socialistas como "minorias oprimidas".

Pode parecer que isso não tenha nada a ver com o campo econômico, mas tem. Na sociedade de mercado, o importante pro vendedor é vender; o importante pro comprador é comprar. Mas com a configuração apresentada pelos socialistas, a sociedade deve ser separada em grupos, e um senso de ódio, guerra e vitimização deve ser semeado para complicar ao máximo que as pessoas se relacionem mercadologicamente. Essa foi a forma encontrada para tentar derrotar a sociedade de mercado sem ser com argumentos econômicos.

Para os socialistas, o gay, a mulher e o negro precisam ser vítimas, precisam se sentir oprimidos e precisam se sentir fracos perante as injustiças do mundo. Se encontrarmos um gay, uma mulher ou um negro que se sinta forte e que lute pelos seus objetivos sem dar ouvidos para a conversa de "oprimidos", para os socialistas esses não servem por não aceitarem fazer papel dos caricaturas do seu público-alvo. Agora imagine se não existisse nenhum tipo de preconceito, nenhum tipo de rebaixamento de pessoas por conta da cor da pele, do gênero ou da opção sexual... Aí mesmo que não faria sentido o discurso de oprimido dos socialistas. Então cabe a pergunta: o que seriam dos socialistas se não fosse o preconceito?

Para perceber isso na política brasileira, repare no PT

Com o impeachment de Dilma Rousseff quase definido, faltando a oficialização no Senado, o próprio Partido dos Trabalhadores junta os cacos para se reorganizar como oposição ao governo Michel Temer. Para isso, precisarão mais do que nunca da sua militância. Só que para reconquistar a atenção desses militantes, que foram esquecidos enquanto os políticos petistas desfrutavam os sabores do poder, a narrativa vai justamente no sentido daquilo que explicamos acima. Irão a todo custo investir no discurso de que os trabalhadores são vítimas das medidas do governo - e olha que algumas dessas medidas já vinham sendo praticadas ou estudadas pelo próprio governo Dilma.

O PT vai se posicionar contra toda e qualquer fórmula que surgir para tirar o país da crise, inclusive aquelas que o leitor de O Congressista sabe que são medidas óbvias. Os petistas estão se organizando para: criticar a redução da idade mínima para aposentadoria, um dos principais pontos da reforma da Previdência que Michel Temer pretende fazer; criticar a limitação de gastos sociais que visa recuperar os cofres públicos; criticar as privatizações em áreas como Educação, que visa diminuir os custos ao mesmo tempo que se aumente a eficiência; criticar à flexibilização da jornada de trabalho e à terceirização, que visam diminuir o desemprego no país; e criticar medidas que serão tomadas para aquecer o mercado imobiliário.

É óbvio que o governo Temer não fará uma gestão econômica perfeita - nem é isso que devemos esperar do PMDB. No entanto, mediante o desastre que foi a condução que Dilma fez da economia, é praticamente impossível que o atual presidente - ainda interino - piore a situação. Mas como pessoas com origem política no socialismo, os petistas não vão medir esforços pra "fazer o diabo". Vão querer a todo custo impedir o fortalecimento da economia e da situação dos mais pobres, pois precisarão tocar na alma da sua militância. E isso só será possível se sua militância estiver triste, de preferência desesperada. É entristecedor, feio e até aterrorizante, mas faz parte do DNA do PT e dos outros partidos de esquerda, todos filhos do PT, fazer política dessa forma.

Tome note: não adianta você, que se considera neutro na dicotomia esquerda x direita, falar que esses conceitos estão ultrapassados, quando na verdade a briga política continua e vai continuar existindo por muito tempo. E essa briga política tem a ver com a sua segurança, com a sua casa, com o seu emprego, com tudo aquilo que você conquistou e com a sua família. E quando você reclama que "querem dar viés político a tudo", você até tem o direito de tapar os olhos e tampar os ouvidos. Mas essa atitude é perigosa, pois ela permite que gente que discorde de tudo que você acredita tome decisões por você.

Um comentário:

  1. Penso que numa visão pragmática os conceitos apresentados podem ser considerados verdadeiros, porém esse não deve e não é o único ponto de vista possível e os contra argumentos são tão fortes quanto, haja visto a tendência da 1ª Min. Britânica acenar para um abandono ao neoliberalismo sem esquecer que este modelo é uma adaptação ao famigerado liberalismo e com o mesmo destino daquele. Não há teoria socio-economica que seja perfeita; em todas teremos vantagens e desvantagens, o que se pode observar é uma empatia por grupos afins enaltecendo o modelo que melhor lhe parece.

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