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Protestar é a melhor maneira de fazer com que a seleção feminina não seja extinta?


Por Vinicius Campos 

Uma das polêmicas que tem rondado as mídias nos últimos dias é a possibilidade de extinção da seleção feminina de futebol de forma permanente. Isso ocorreria devido ao fato de que, segundo um dos dirigentes da CBF, “os resultados não justificam os custos”.

Esse discurso causou uma grande revolta aos brasileiros, ainda mais levando em conta o desempenho e esforço das meninas nas Olimpíadas. Contudo, o fato é que o futebol tem custos altos que, de alguma forma, têm de ser pagos. O futebol feminino no Brasil tem público baixíssimo. A média é inferior a 5.000 torcedores - o maior público do Brasileiro Feminino deste ano foi de apenas de 8.000. O futebol masculino, em contrapartida, possui de média de 20.000, isto ainda levando em conta que muitos dos times pequenos puxam bastante essa média para baixo. A média de público do Corinthians na sua arena em Itaquera, por exemplo, é de 33.085 de torcedores pagantes.

O que faz com que um negócio seja rentável? Ter público consumidor. O resultado oriundo do consumo tem de superar os custos para que esse negócio seja viável. O futebol masculino, detentor de grande público, e grande parte composto de famílias, com grande presença de mulheres e crianças, acaba por sustentar os custos operacionais da modalidade. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo do futebol feminino. Faz-se necessário, para que este se torne realidade, que a CBF subsidie parte desse custo. Claro que a CBF tem de repassar esse custo.

O grande fato é que, a maior parte daqueles que se revoltam com a iminente chance de extinção da seleção feminina de futebol, falta de presença na mídia ou, até mesmo, com a diferença de renda entre os gêneros nesse esporte, nunca sequer assistiu a um jogo feminino no estádio. Aliás, se questionados, nem mesmo teriam interesse de passar a assistir. Eu iria até mais longe, boa parte deste público nem mesmo tem noção de que exista um campeonato organizado exclusivamente para o futebol feminino. Se há a revolta com a extinção aliado a um desinteresse em comparecer ao estádio, questione-os se não gostariam de se tornarem colaboradores mensais da modalidade mesmo sem assistir aos jogos.

A questão é que a revolta de boa parte destas pessoas se trata de mera panfletagem política, apenas para abraçar algum tipo de ideologia de gêneros. Da mesma forma que a maioria das revoltas políticas são panfletagens, o limite desta revolta se dá no âmbito de postagens em mídias sociais ou em alguns protestos organizados, chamando a modalidade de “machista” ou coisa do gênero. Como boa parte da militância política atual do Brasil, ninguém está disposto a se levantar do sofá e passar a assistir o futebol feminino nos estádios, ou a colaborar com o mesmo. Menos ainda a divulgar os jogos, motivar as pessoas a comparecerem, montar grupos para assistir às partidas e criar costumes, nem nada do tipo. Trata-se apenas do ódio alimentado entre grupos sociais.

Chateia-me, realmente, a possibilidade de extinção permanente da seleção feminina, ainda mais após sua ilustre participação nas Olimpíadas. Mas, da mesma forma, confesso desinteresse em comparecer ao estádio para assisti-la. Não se trata de “machismo”, pois meu desinteresse também se faz presente aos jogos masculinos. Mas me felicitaria ver parte desses movimentos de revoltados demonstrar algum tipo de amadurecimento e começar a realizar as mudanças que gostariam de ver na prática, saindo da realidade paralela em que tudo é gratuito e que o máximo a ser feito é reclamar nas redes sociais.

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