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Marcelo Freixo não é uma boa para quem "não é direita nem esquerda"


Por Wilson Oliveira

Nesta semana, os cariocas começaram a entrar no clima olímpico. Não apenas por conta do apresso ao esporte, mas por questões ainda mais factíveis urbanisticamente falando. Fazia tempo que não se via tanto policiamento nas ruas da cidade. É exército, marinha, aeronáutica, força nacional, polícia militar mais presente, guarda municipal mais presente, até a polícia civil tem sido vista com mais frequência. Além disso, entrou em vigor a faixa olímpica, pintada nas principais vias da cidade para impedir que as delegações dos países da Rio 2016 peguem trânsito. Nessas faixas, o motorista comum está proibido de transitar sob risco de pagar uma multa bastante salgada.

Quando os primeiros Jogos Olímpicos sediados na América do Sul chegarem ao fim, poucos dias depois haverá a definição do impeachment de Dilma Rousseff. Daí por diante não haverá outro caminho a ser seguido: as eleições municipais estarão na boca de todos e de todas. Começará a propaganda de rádio e TV, papéis com santinhos dos candidatos serão entregues esquina sim, esquina não, outdoors exibirão sorrisos estampados em busca daquele voto obrigatório e o boca-a-boca espalhará avaliações, projeções e preferências. E, infelizmente, estamos falando de uma cidade cujo eleitorado praticamente não possui nenhuma coerência ideológica. No Rio de Janeiro é possível ver pessoas com perfil claramente conservador afirmando que vai votar num dos candidatos mais à "progressistas", a medida que outros, declaradamente eleitores com repulsa à esquerda, fazem exigências bastantes esquerdistas.

É de fato uma salada bastante complicada de explicar para quem é de fora. E é a partir dessa confusão que Marcelo Freixo, do PSOL, surge como um dos favoritos (com a desistência de Romário, do PSB, ele está tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, do PSC, na segunda colocação, de acordo com as pesquisas mais recentes - Marcelo Crivella, do PRB, lidera com larga vantagem). E aqui neste artigo vamos listar alguns motivos que nos fazem ter a certeza que muito desse apoio, que vem de eleitores despolitizados, portanto que não conhecem exatamente o que Freixo e seu partido defendem, não vale a pena.

A SUPOSTA HONESTIDADE

Não é possível afirmar que um político é honesto sem analisar a conduta do seu grupo político. Ou seja, é preciso atentar para o que o PSOL tem feito na sua trajetória. Diretamente envolvido no maior esquema de corrupção da história do Brasil, o governo Dilma Rousseff e o PT receberem apoio justamente do PSOL na defesa da tese que o impeachment de Dilma seria um golpe - logo o PSOL, que sempre se auto-rotulou como única oposição à esquerda no Congresso. Tal fato, por si só, já deixa claro que quando um político ou um partido se diz "de esquerda", isso não significa que esteja ao lado da honestidade e contra a corrupção, imagem que muitos eleitores de Freixo possuem do deputado estadual.

O SUPOSTO EQUILÍBRIO

Não é possível ser equilibrado ao mesmo tempo em que se caminha ao lado de desequilibrados. Afinal, me digas com quem tu andas que te direi quem tu és. O principal aliado de Freixo na disputa à prefeitura neste ano é um partido que está ainda mais à extrema-esquerda: o PCB (Partido Comunista Brasileiro), que faz questão de se declarar "a favor da classe operária" e "contra o capital". Para que o PCB "defenda" os interesses de uma pessoa, é necessário que essa pessoa não possua "capital". Portanto, não se encaixa nas pretensões do partido aquela que pessoa que, enquanto pobre, trabalhou, batalhou e subiu na vida, passando a ganhar mais "capital", pois na leitura do PCB esta passou a ser uma "burguesa". Agora imagine essa leitura partindo do grupo que estiver governando a cidade...

A VENEZUALIZAÇÃO

O partido de Marcelo Freixo é o maior apoiador do governo de Nicolás Maduro na Venezuela, o seguidor mais fiel de Hugo Chavez, aquele que dilacerou a economia venezuelana, estrangulou o comércio e, catastroficamente, provocou uma crise profunda fazendo com que milhares de famílias daquele país ficassem sem condições para consumir itens de primeira necessidade, como comida e papel higiênico. O aumento da pobreza na Venezuela se tornou uma realidade implacável. Com ela também veio o aumento de pessoas que precisavam ainda mais da ajuda do governo, bem como manda a cartilha dos governantes socialistas, que gostam de eleitores bastante vulneráveis para não ter condições de se sustentarem independentemente e, com isso, votarem naquele governo que promete mais benefícios e, assim, ficar preso àquele governante garantindo reeleições e reeleições dos grupos políticos ditos populistas.

ALIANÇA COM BADERNEIROS

Grupos como MST, MTST e outros, experientes na práticas de manifestações violentas como fechamento de estradas federais e invasões de propriedades privadas não costumam se aliar apenas a candidaturas do PT. E talvez passem a fazer isso cada vez menos, conforme o partido de Lula e Dilma vá ficando mais fraco. Este ano no Rio de Janeiro, por exemplo, caminharão ao lado de Marcelo Freixo.

No dia 5 de julho, Rodrigo Mezzomo, candidato independente à prefeitura do Rio de Janeiro, publicou em seu Facebook uma foto que mostra uma líder do Movimento dos Sem Terra discursando no lançamento da candidatura de Freixo:

"A festa de lançamento da candidatura de Marcelo Freixo (Coligação Psol - PCB) contou com a presença de líderes do "Movimento dos Sem Teto" e do "Movimento dos Sem Terra".

Ambas são organizações que reiteradamente invadem e destroem propriedades privadas urbanas e rurais , bem como ameaçam pessoas e a ordem pública"

O DISCURSO HIPÓCRITA

Na última terça-feira, 2 de agosto, Mezzomo publicou em seu Facebook uma informação que fragiliza o discurso de Marcelo Freixo contra as empresas que fazem doações a candidatos e a demolição de moradias da Vila Autódromo. Confira:

"Ontem, o candidato Marcelo Freixo postou em seu facebook mais uma defesa da favela da Vila Autódromo, local que passou por uma série de remoções para atender a construção do Parque Olímpico na Barra da Tijuca (RJ).

O psolista sempre chamou de truculenta a postura de Eduardo Paes no trato com as famílias que não queriam deixar de viver na região.

Ontem, no entanto, Freixo virou vidraça: internautas levantaram que a empresa que executou as demolições na Vila Autódromo foi doadora da campanha de Freixo para prefeito em 2012.

A Victor Hugo Demolições contribuiu com 120 000 reais para o candidato naquele ano.

Adepto do discurso anti-empresas para doações eleitorais, Freixo até o momento não respondeu os internautas que estão lhe cobrando uma posição nas redes sociais".

O ENFRAQUECIMENTO DA SEGURANÇA

Marcelo Freixo é um dos mais altivos defensores da desmilitarização da Polícia Militar, ignorando o tamanho da violência urbana que assola diariamente a vida da população carioca. Para Freixo, a "Polícia Militar, enquanto instituição, é uma aberração democrática". Essa frase foi encontrada no primeiro link que apareceu na página de busca da Google ao digitarmos "marcelo freixo desmilitarização da polícia". No entanto, ao tentar acessar o site, que é do próprio deputado, aparece uma mensagem dizendo que a página está fora do ar (veja na imagem acima). No site "Diplomatique", entretanto, há um artigo assinado por Freixo onde ele defende o fim da PM. Confira um trecho:

"O avanço sobre a desmilitarização do Estado passa, necessariamente, pela desmilitarização das polícias. A polícia, que tem a função constitucional de garantir a democracia, não convive com a democracia interna na corporação. Essa lógica produziu um modelo de Estado que funciona em intensa contradição. De um lado, impera a vontade expressa de ampliar a potência de seus braços militares e, de outro, predomina um desprezo crônico pelos direitos dos servidores da Segurança Pública. As consequências políticas desse perigoso regime ficam cada vez mais evidentes".

NOTA DE O CONGRESSISTA: é salutar que se tenha uma preocupação com a democracia interna da corporação. No entanto, não é possível falar em democracia na polícia sem que exista um respeito a hierarquia. Além disso, não é possível falar em qualquer melhoria apontando para o desmantelamento do aparato policial. Entendemos que, prioritariamente, é preciso falar em melhorias estruturais, salariais e condicionais. Para tal, é preciso aumentar o investimento na segurança pública. E para que isso ocorra sem aumentar ainda mais os impostos dos cidadãos, é preciso debater onde o Estado pode - e deve - diminuir seus gastos, ainda mais em tempos de crise profunda, como a que acontece no Rio de Janeiro. Acontece que a redução do tamanho do Estado não faz parte da agenda socialista do PSOL.

A CONSTRUÇÃO DA FAMA

Quando alguém afirma que a política não se utiliza da cultura, essa pessoa certamente não sabe o que está falando, é bastante distraída ou tem mesmo a intenção de enganar os outros. Marcelo Freixo, antes um pretenso professor filiado ao PT, era um absoluto desconhecido para a grande massa dos eleitores cariocas. O jogo começou a virar após o filme Tropa de Elite, em que o personagem Deputado Fraga foi inspirado no parlamentar do PSOL. É importante observar que o seu trabalho na vida real, à frente das comissões que ajudaram a desarticular grupos mafiosos do Rio de Janeiro, que é o que foi retratado no filme, não costuma ser utilizado para a construção da sua imagem política, até porque um dos assuntos que mais direcionam os discursos esquerdistas é justamente o enfraquecimento das forças de segurança pública, como afirmado no item acima. Freixo, na verdade, é o candidato mais forte dentre os que pretendem estatizar a economia do Rio de Janeiro e a criar inúmeras barreiras para as empresas privadas, forçando a cidade a seguir os passos do chavismo na Venezuela.

A SINDICALIZAÇÃO DA POLÍTICA

Marcelo Freixo possui uma forma muito particular de resolver algumas questões. O caso Amarildo é um exemplo. Confira abaixo trecho de um artigo do site da revista Veja:

"Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Desde julho do ano passado, o pedreiro Amarildo Dias de Souza é o símbolo máximo da luta contra a ação de maus policiais no Rio de Janeiro. O “Cadê o Amarildo?” foi usado tanto para cobrar providências como para embalar a série de manifestações contra o governador Sérgio Cabral. O corpo do homem de 43 anos que, para o Ministério Público, foi torturado e morto por PMs de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), nunca foi encontrado. A família do pedreiro passou a viver, depois de seu desaparecimento, num quadro agravado da pobreza na qual já se encontrava. Uma bem intencionada campanha conclamou artistas, intelectuais e doadores a contribuir com a viúva e os seis filhos do pedreiro. O “Somos Todos Amarildo” deu resultado. Comandado pela empresária e produtora Paula Lavigne, o projeto arrecadou 310.000 reais em dois eventos: um leilão de arte e objetos de famosos e um show no Circo Voador, com participação de Caetano Veloso e Marisa Monte. A família do pedreiro, no entanto, ficou com a menor parte: com a compra de uma casa e de mobília, foram gastos, respectivamente, 50.000 e 10.000 reais. O restante do dinheiro – 250.000 reais – ficou com o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (DDH), ONG que se tornou notória por defender black blocs e tem, entre seus diretores, um assessor do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), o advogado Thiago de Souza Melo".

Este artigo pode ser encontrado no blog do jornalista Reinaldo Azevedo.

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