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Em debate na Band, Haddad diz que diminuir impostos é ruim para os pobres


Por Wilson Oliveira

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad, candidato a reeleição pelo PT, abusou da sua visão estatista. Em debate realizado pela TV Bandeirantes nesta semana, o petista afirmou que diminuir impostos para toda a população da cidade era ruim para os mais pobres. É exatamente por isso que é importante pressionarmos para que os confrontos entre candidatos, ainda mais os da televisão, sejam no campo das ideias, porque assim fica ainda mais clarividente identificar porque somos tão atrasados na esfera municipal, estadual e federal. É incrível como muitos deles acham - por convicção ou canalhice - que o Estado deve ser responsável por tudo. Além de Haddad, também participaram do debate Major Olímpio (Solidariedade), Celso Russomano (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e João Dória Jr. (PSDB).

Logo no início, o petista começou exaltando sua gestão por obras realizadas. No entanto, como a pergunta, que foi feita para todos os candidatos, era sobre medidas econômicas, em momento algum Fernando Haddad falou em desburocratizar a economia para aliviar o peso estatal sobre as empresas para que a iniciativa privada pudesse realizar mais investimentos, mais empreendimentos, criar mais empregos e assim trazer mais soluções para as pessoas. Haddad deixou bastante claro que em sua mente o poder público deve absorver tudo, criar todas as soluções, resolver todos os problemas, inclusive os econômicos. Para ele, é a prefeitura quem deve investir, é a prefeitura quem deve empregar, é a prefeitura quem deve fazer obra, é a prefeitura quem deve vender e é a prefeitura quem deve comprar, sobrando ao cidadão apenas o papel de viver de acordo com o sucesso ou o insucesso de uma pessoa: o prefeito.

Ao concluir sua fala do primeiro bloco, Haddad falou em 100 mil familías sendo beneficiadas por uma série de serviços públicos voltados para jovens e crianças. Quando um liberal em economia, com algum conhecimento que seja, se depara com esse tipo de discurso, é como se visse uma pessoa tentando dar um murro em ponta de faca. Não é preciso ser formado em economia para fazer contas simples. Se existe uma crise econômica e as pessoas estão com menos dinheiro, elas também não possuem condições de pagar mais impostos do que já pagam. Quando um governante fala em aumentar os "serviços públicos", ele está falando em aumentar gastos. E como o povo está consumindo menos e a arrecadação tributária está caindo, o único jeito do poder público aumentar seus serviços é aumentando impostos. Quem viu e quem assistir ao debate da Band prestando atenção nessa questão, vai perceber com muita facilidade que essa é a intenção de Fernando Haddad: arrancar mais dinheiro, via tributo, dos moradores de São Paulo.

Celso Russomano (PRB) e João Dória Júnior (PSDB) ao menos começaram suas participações falando o óbvio: diminuir a carga tributária para as empresas gerarem mais emprego. Mesmo que não estivéssemos em tempo de crise, não há outra solução mais eficiente que a de permitir que a iniciativa privada pague menos impostos para aumentar sua capacidade de contratação. Qualquer ação que o Estado fizer demandará verba pública, o que significa tirar mais dinheiro dos cidadãos. Russomano ainda tocou em um ponto que é muito sensível a grandes cidades como São Paulo, que é a concentração da massa trabalhadora em determinadas regiões, que acabam ficando mais aglomeradas que outras, gerando os terríveis congestionamentos. Isso acontece, entre outros fatores, porque com uma carga tributária elevadíssima apenas grandes corporações, geralmente enderaçadas nos pólos econômicos, conseguem aguentar a quantidade de impostos que precisa ser paga. Muitas empresas pequenas e médias que poderiam ser criadas em lugares mais afastados desses centros financeiros acabam quebrando ou nem sendo inauguradas.

Candidato pelo partido Solidariedade, o Major Olímpio é um caso bastante interessante e emblemático da falência do sistema partidário brasileiro. Policial Militar de carreira no Estado de São Paulo, Sérgio Olímpio Gomes começou na política se filiando ao PDT, depois ao PMB (Partido da Mulher Brasileira, para quem ainda não sabe) e agora chegou ao Solidariedade. Ou seja, um homem que entende - pelo menos aparentemente, já que este autor não conhece nenhum dos candidatos pessoalmente - que não há como uma sociedade, principalmente em megalópole, funcionar de outra forma que não seja pela lei. Porém, mais do que isso. Que a força policial precisa agir no sentido de coibir os bandidos e preservar a ordem e o direito de ir e vir dos trabalhadores. Mas ele tenta transmitir sua mensagem primeiro começando em um partido de esquerda, depois passando por um fisiológico e agora voltando a uma legenda de esquerda. Seu discurso não possui absolutamente nada a ver com as bandeiras defendidas nem por PDT e nem por SDD.

Quando começou a falar, Marta Suplicy (PMDB) deixou transparecer que embora ela tenha saído do PT, o PT ainda não saiu dela. Com um discurso muitíssimo parecido com o de Lula e de outros ícones esquerdistas da América Latina como Fidel Castro, Hugo Chávez e Nicolás Maduro, Marta trouxe de volta todo aquele espantalho de que a solução é ter "um líder que saiba administrar". Ou seja, aproximando sua visão a do concorrente Fernando Haddad, Marta crê que a pessoa responsável pela administração pública, no caso o(a) prefeito(a), deve carregar uma varinha mágica pra cima e pra baixo para resolver todos os problemas que afligem a vida do cidadão paulistano. É o típico comportamento social dos políticos de esquerda, que acreditam que apenas eles podem resolver qualquer problema, e que se um adversário ou um empresário criar algum método, não serve e precisa ser logo desacreditado.

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