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A grande quantidade de partidos pode trazer a primeira crise ao governo Temer


Por Wilson Oliveira

Dia após dia os brasileiros que acompanham o noticiário político nacional têm se deparado com acontecimentos que provam, cada vez mais, como o nosso sistema partidário está falido. São muitos partidos, muitos interesses em jogo que se chocam e, consequentemente, muita legenda querendo jogar uma casca de banana para a outra escorregar. E a questão é muito simples: em se tratando de poder executivo, nunca haverá espaço pra todo mundo. No caso do governo federal, constrói-se uma base grande para conseguir a governabilidade, mas ao mesmo tempo se coloca muitas cobras no ninho que não ficam satisfeitas com cargos e querem sempre mais. É o que acontece com o PSDB diante do governo de Michel Temer, do PMDB.

Às vésperas da confirmação do impeachment de Dilma Rousseff, a primeira crise institucional do governo fica cada vez mais próxima. O PSDB, principal aliado, mais do que ver a economia do Brasil se recuperando, está prioritariamente preocupado com a eleição presidencial de 2018. Eles não querem nem Temer nem qualquer outro nome do governo federal que não seja um tucano se candidatando. Por isso mesmo tentam minar a possibilidade de Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda (filiado ao PSD), ganhar força para a sucessão presidencial.

De acordo com a coluna de Ilimar Franco, do jornal O Globo, os tucanos já possuem discurso pronto tanto para o caso da atual gestão econômica ir bem como para o caso de ir mal. O PSDB age como "fogo amigo". Muitos dos seus governadores, como o paulista Geraldo Alckmin, por exemplo, apoiam a renegociação da dívida dos Estados, pois eles não querem governar pelos próximos dois anos com menos dinheiro em caixa ou até correndo o risco de ficar sem dinheiro. Por outro lado, parlamentares do próprio PSDB acusam o governo Temer de fazer excessivos recuos e abandonar a bandeira do necessário ajuste fiscal.

Portanto, se em 2018 houver a conclusão que o presidente Michel Temer conseguiu recuperar a economia junto com a equipe comandada por Henrique Meirelles, os tucanos vão dizer que o resultado se deu graças aos alertas transmitidos pelos políticos do PSDB. Caso a economia não se recupere, os tucanos falarão que suas orientações não foram ouvidas e que por isso o resultado terá sido ruim. Mas de qualquer forma é praticamente impossível que eles rompam com o governo, pois não querem que o PMDB diga que foi abandonado pelo seu principal aliado.

E o pior de tudo, para Michel Temer, é que as nuvens carregadas não chegam apenas da direção tucana. Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, também deu declarações nada otimistas para o Planalto. Maia disse que "a interlocução do governo com os deputados está muito ruim". E de fato, está. O parlamentar carioca foi bem objetivo na sua crítica. Ele disse que o governo precisa estabelecer um canal de comunicação bastante sólido com o Congresso e com a sociedade para defender alguns textos que são urgentes, como a PEC que cria um teto para os gastos públicos.

Rodrigo Maia, aliás, que além de ser presidente das Câmaras dos Deputados também é formado em economia, foi bastante claro na entrevista que concedeu ao jornal O Globo. Ele disse que cabe tão somente ao governo esclarecer que a PEC do teto não visa retirar direitos, mas sim garantir direito dos trabalhadores, pois sem essa PEC a crise econômica que vivemos atualmente pode se complicar ainda mais no futuro e criar um efeito bola de neve com inflação e taxa de juros fora de controle, recessão, arrecadação decrescente e falta de investimentos.

Existe um pacote de medidas que o governo Temer pretende lançar assim que passar da condição de interino para efetivo. Essas ação seguem na direção principalmente da economia e da política. Ou seja, a intenção é, em 2018, entregar o país para o próximo presidente com uma governabilidade mais tranquila e um crescimento econômico mais consistente. No entanto, entre tais medidas está o fim da reeleição, o fim das coligações nas eleições proporcionais e o retorno da cláusula de barreira. Isso significa enfraquecer partidos pequenos e partidos de aluguel para fortalecer ainda mais os grandes. É um caminho que certamente precisa ser seguido, mas que não é nada fácil. A grande ironia do destino é que o PMDB vai precisar do apoio dos partidos grandes, que também estão de olho na disputa de 2018, e dos partidos menores, que com certeza não vão querer aprovar nada que lhes prejudique.

O governo Michel Temer vai precisar ter muita serenidade e muita sabedoria para dialogar com a sociedade em busca não apenas de apoio, mas de manter em alta o interesse do brasileiro por política, inclusive para acompanhar a votação dessas pautas no Congresso. A cobrança sempre vai existir, mas será que as pessoas vão ter consciência do nível de extrema dificuldade que é a aprovação dessas urgências encravadas em temas espinhosos?

O fato é que o Brasil vem perdendo força há décadas justamente porque seu povo não tem a politização necessária para entender os temas mais complexos e fazer as exigências corretas e aplicáveis. É muita coisa em jogo.

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