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[OPINIÃO] Ser conservador é valorizar as coisas importantes da vida


Por Luis Cláudio

Como não se preocupar com o futuro? Certamente, não é possível que alguém viva sem pensar, por pelo menos um mísero minuto de cada dia, nas expectativas para o dia seguinte. Mesmo aqueles que possuem (ou julgam possuir) poucas chances de ascender na vida, acabam deparando-se a esse questionamento usual. Todos nós somos confrontados com as adversidades do dia-a-dia, com as dúvidas quanto às nossas posturas e, consequentemente, somos forçados a tomar decisões.

Mas, e quanto às decisões que implicam em consequências a outros indivíduos? Mais ainda: e quanto àquelas escolhas que provocam resultados marcantes nas próximas gerações de indivíduos? Esses questionamentos são o cerne geral do pensamento conservador.

A pergunta que me destaco a fazer a você, leitor, é a seguinte: quão conservador você é? Não é possível dizer que nada em sua vida tenha valor. Alguma coisa, um bem, um rito, um costume, seja o que for deve ter para você alguma valoração infungível. Somos exclusivistas, gostamos das coisas ordenadas à nossa maneira, conforme as nossas vontades e necessidades.

Cada família tem a sua forma de celebrar aniversários; diferentes povoados celebram de formas variadas as festas juninas; quem sabe você tem algum ritual que executa, desde a infância, com seus amigos e parentes para comemorar alguma vitória. Enfim, existem várias coisas – materiais e imateriais – que zelamos e desejamos que assim se mantenham, isto é, conservamo-as.

Qual é a relação entre as nossas escolhas diárias e as tradições que nos são legadas?

Essa pergunta é bem complicada responder. As pessoas tendem a estranhar quando as mudanças ocorrem sem um ordenamento histórico e lógico reconhecível. Essa estranheza ocorre porque as mudanças, embora às vezes sejam necessárias, devem acontecer gradualmente, de forma tranquila, de modo que a sociedade possa perceber sua origem, suas causas e seus desdobramentos.

Essas transformações ocorrem devido às diferentes escolhas feitas pelos indivíduos, que acabam colhendo consequências diversas dessas escolhas. Dependendo da dimensão dos atos cometidos, os resultados destes podem se refletir em outros indivíduos.

Os que se chamam “liberais” geralmente criticam os conservadores por julgarem-lhes retrógrados e antiquados, ao demonstrarem preocupação com as consequências de muitas escolhas torpes de certos indivíduos. O liberal argumentará: “o indivíduo deve ser livre para escolher o que comer, beber, vestir, usar, ler, assistir, ouvir. Enfim, ser livre para escolher, pois não há como saber ou controlar as necessidades e desejos de todos, e ninguém, além do próprio indivíduo, sabe o que é melhor para si.”

O liberal que argumenta isso não percebe que o conservador pensa exatamente da mesma forma! Um conservador sabe reconhecer que os indivíduos pensam de formas diversas e, portanto, escolhem de formas diversas. Justamente porque os indivíduos escolhem e pensam diferentemente uns dos outros é que os conservadores se preocupam com os resultados dessas ações. Não há como fugir dessa óbvia relação de causa e efeito da mentalidade conservadora.

Quando se ouve a palavra “conservador”, os primeiros termos que vêm à memória das pessoas são “fiscais de .... alheio”, “retrocesso”, “arcaicos”, “fanáticos religiosos”, “antiliberais”. Ora, certamente há muitos conservadores que se apegam ao Estado e à lei como meios para impor proibições de modo a vedar as condutas consideradas por eles perigosas ou subversivas, o que, muitas vezes, é um erro crasso, pois contradiz a própria filosofia conservadora clássica. Certamente, Edmund Burke ficaria decepcionado.

Ora, olhando a sociedade à sua volta, não há como não se preocupar com o futuro. Não deveríamos estar frustrados com a criminalidade, com os divórcios, os abusos no uso de drogas, o aborto desenfreado, a miséria, a perversão sexual, o relativismo moral, o desrespeito às religiões ou a corrupção? Não são esses, por acaso, problemas crônicos da atualidade? Assim como eu e você, leitor, o conservador sabe que essas problemáticas são reais e precisam ser corrigidas.

No entanto, quem o fará? O Estado? A Justiça? As leis?

Se esses problemas advêm das escolhas feitas por indivíduos, não há outra forma de consertá-los a não ser mudar a mentalidade desses indivíduos. A sociedade é que está incumbida de resolver essas questões, cabendo a esta somente encontrar o caminho certo para executar as mudanças na medida e na quantidade necessárias.

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