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Problema da justiça no Brasil: dois pesos e duas medidas


Por Wilson Oliveira

De um lado temos um deputado que, num embate com a deputada Maria do Rosário (PT), defendia punições mais rigorosas aos estupradores. E, no calor da discussão, proferiu que ela não merecia ser estuprada pelo fato dela defender que um jovem que havia cometido um estupro não fosse punido rigorosamente. Do outro, temos um ex-presidente que invocou as mulheres do seu partido que "tivessem grelo duro" a irem para o embate.

Ou seja, um defendendo a honra das mulheres e outro atacando. Mas como na política brasileira o senso de justiça é totalmente distorcido, foi justamente aquele que defendia a honra das mulheres o denunciado - e que agora pode perder seu mandato, enquanto o outro quase virou ministro, o que o faria gozar de foro privilegiado.

Ou seja, na nossa política não vale a correção, a defesa de punições para quem anda fora da linha, mas sim ser correligionário do "progressismo". É bem verdade que Bolsonaro já deu motivos para ser repreendido. Quando defendeu em rede nacional que FHC fosse fuzilado por ter a intenção de privatizar a Petrobras (hoje vemos que lamentavelmente a privatização da estatal ficou apenas na intenção).

Luis Inácio Lula da Silva é um investigado da Justiça, acusado pela própria Lava Jato de ser um possível mentor do maior escândalo de corrupção do Brasil. E mesmo assim parece que ele tem autorização para falar a besteira que quiser. Além dessa do grelo duro, também já deu a entender que "peões" petistas dariam porrada nos "coxinhas", o que também não gerou nenhuma indignação dos nossos políticos "progressistas", "democráticos" e "corretos".

Jair Bolsonaro também cometeu um grave erro ao elogiar o Cel. Brilhante Ustra na votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Na verdade, seria interessante para repassar a história recente do Brasil que houvesse o contraditório sobre a regime militar, porém de forma mais calculada, no momento certo, sem parecer firula nem fanfarronice, como ficou pintada a atitude de Bolsonaro. Mas primeiro: "o progressismo" não permite. Se alguém ousar fazê-lo, será imediatamente taxado como "retardado" ou "fascista", naquela estratégia socialista do terrorismo psicológico para impedir que a versão única seja refutada.

Segundo: para ter condições de encarar esse desafio, só mesmo tendo uma imagem totalmente séria, sólida, de alto poder intelectual, de habilidade no trato com a linguagem popular e avessa ao próprio militarismo, para ficar acima de qualquer suspeita de parcialidade.

É lógico que mesmo se fosse a pessoa mais santa do mundo que tentasse refutar qualquer versão dos "progressistas" socialistas, essa pessoa seria acusada e rotulada de forma mais perversa possível. Mas com essas credenciais descritas acima, o trabalho dos esquerdistas seria muito mais complicado. Digamos que se tratando do discurso que o Bolsonaro utiliza, fica fácil para a esquerda desmoralizá-lo dentro do contexto "progressista".

A esquerda brasileira nunca teve um direitista na política que, assumidamente de direita, soubesse exatamente jogar "o jogo". De fato, não é fácil surgir esse perfil no Brasil. Seria necessário defender a democracia e, ao mesmo tempo, mostrar que aquilo que é chamado de democracia no Brasil falhou, para depois demonstrar que só existe democracia quando há o direito ao contraponto.

Seria necessário, também, explicar que neoliberalismo não passa de uma falácia, defender a liberdade econômica numa linguagem que fosse bastante acessível ao povão despolitizado e, ao mesmo tempo, driblar as acusações desinformantes da esquerda, de que o liberalismo "seria pró-empresário e contra os pobres" - nada mais falso. Também seria necessário desfazer as inúmeras mentiras que foram grudadas sobre o conservadorismo no país que, assustadoramente, parece que até entre alguns direitistas tais mentiras foram absorvidas.

Hoje não é possível encontrar absolutamente ninguém na política nacional ou em qualquer canto do país que tenha a capacidade para explicar que o conservadorismo político é galgado na liberdade econômica e na defesa de princípios e valores que norteiam a construção e o desenvolvimento de uma sociedade - não por meio de leis, mas de cultura e filosofia, justamente o que os "progressistas" não querem (imagine se a nossa sociedade tivesse a aptidão para ficar chocada com cada incoerência esquerdista?).

Não há nenhum homem público no Brasil com bagagem para explicar que o conservadorismo é bom para os gays, para os negros, para as mulheres, para os pobres, ou seja, para todos em geral que não querem fazer mal a ninguém. Porque enquanto os socialistas fazem o seu terrorismo psicológico a bel prazer, aqueles que seriam os conservadores ainda não sabem exatamente o que é o conservadorismo ou ainda não aprenderam a jogar "o jogo".

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