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[ENTREVISTA] João Paulo Mesquita, da "USP Livre", fala sobre luta contra alunos grevistas


Por Wilson Oliveira

Após Fernando Pertile, do Libertas, João Paulo Mesquita - estudante de doutorado em Imunologia da USP de Ribeirão - é o segundo representante de um grupo universitário liberal de uma universidade pública a conceder uma entrevista ao Congressista. Eles possuem uma página no Facebook que foi criada há cerca de um mês, onde é possível saber um pouco mais sobre o desafio que eles estão encarando na USP, uma das principais universidades do Estado de São Paulo. A "USP Livre" nasceu para se posicionar contra a greve na instituição e se classifica como um movimento liberal apartidário, formado principalmente por alunos de graduação e pós-graduação da própria USP.

O grave problema fiscal nas universidades estaduais de São Paulo - também enfrentam crise a Unicamp e a Unesp - foi o que motivou a criação da USP Livre, que atua em parceria com outros grupos também liberais através do "Universidade Livres". Nesta entrevista, João Paulo Mesquita relata como tem sido a luta diária da USP Livre à frente do grupo de universitários paulistas que não apoiam os alunos grevistas e fala um pouco sobre o próprio grupo.


Como foi ou tem sido a reação de professores e diretores da USP ao nascimento do movimento?

- Felizmente, o movimento USP Livre não tem enfrentado nenhum problema. As reações são as melhores possíveis. A grande maioria do corpo docente e dos funcionários compreende a atual crise do país e da universidade e sabe que no atual momento, com 11 milhões de desempregados no país, não é nada adequado pedir reajuste salarial de 12%.Há muitos professores e funcionários curtindo nossa página.

Então isso é positivo. Mas há uma parcela do corpo docente que apoia a greve por reajustes, não? Houve algum embate com eles, já que vocês partem da uma premissa justamente oposta a deles?

- A maioria tem receio de conversar sobre isso dentro da universidade. Quando acontece, ocorre entre pequenos grupos. A USP Livre tem sido um ponto de encontro para todos que estão indignados com as pautas apresentados pelos grevistas, e também um canal para denúncias de abusos por parte dos alunos grevistas que impedem a livre circulação das pessoas que trabalham e estudam na universidade, impedindo o funcionamento das atividades acadêmicas e de extensão, como atendimento médico a população.

Diante desse panorama que você está nos passando, fica impressão que a vontade em investir na questão da greve é mais forte por parte dos alunos grevistas do que por parte dos professores. Essa visão está correta?

- A maioria do corpo docente não apoia a greve. A maior parte dessa força vem principalmente dos funcionários, mas com a ajuda de muitos alunos militantes "profissionais", muitas vezes ligados aos partidos de extrema esquerda.

Era aí que eu queria chegar. Pelo menos à distância, a fama que a USP tem é de ser um reduto de jovens esquerdistas, por isso não deixa de ser uma surpresa positiva ver o nascimento de um movimento com o objetivo de fazer o contraponto. Como foi a reação desses alunos de esquerda quando souberam do nascimento da USP Livre?

- Exato. De fato é um reduto de extrema esquerda. Essa tem sido a regra na maioria das universidades nos últimos vinte anos. Ideias mais liberais sempre foram vistas no país com maus olhos, mesmo dentro das universidades. Ainda hoje muitas pessoas tem associado liberalismo com ditadura militar, autoritarismo, conservadorismo e fascismo. Nosso movimento não tem nada a ver com isso. Nossa pauta é a LIBERDADE, econômica e individual. Não queremos trabalhar para o governo 153 dias ao ano.

Prédio de letras da FFLCH, que ficou ocupado por universitários militantes de esquerda durante
um mês e meio com financiamento do DCE, segundo a USP Livre

Sobre essa imagem que você mencionou que o liberalismo tem no Brasil, aqui vão duas perguntas em uma. Primeiro: a que vocês acreditam que se deve essa fama do liberalismo no Brasil: é falta de conhecimento aliado a desinformação espalhada por quem é contra o liberalismo? E a segunda: existe debate entre vocês e esses alunos de esquerda no ambiente acadêmico?

- Com o fracasso dos últimos quatro anos na economia do país, não é difícil encontrar pessoas com ideias mais liberais no campo econômico. Acredite, temos muitos alunos de esquerda e centro apoiando nosso grupo. Quando eles conhecem nossas pautas e o que realmente defendemos, o apoio ao movimento é imediato. Quando se fala em liberalismo no Brasil a primeira coisa que vem a cabeça das pessoas é entregar nosso patrimônio nacional ao capital estrangeiro, o que é uma grande falácia. Queremos entregar nosso capital para o trabalhador que quer empreender, que quer abrir um pequeno ou médio negócio. Precisamos de uma ambiente de mercado que permita que um cidadão de classe baixa ou média possa abrir um negócio por conta própria e com baixos custos. Uma padaria, uma livraria, uma oficina. E que ele cresça e prospere. Um empregador brasileiro pode perder até seis meses para abrir um negócio e começar a ganhar seu dinheiro, enquanto que nossos vizinhos chilenos fazem isso em menos de 10 dias. É um absurdo. Os burocratas e governantes não têm interesse nenhum que isso aconteça.

E vocês têm percebido, por conta dessa migração, um enfraquecimento nas organizações de esquerda dentro da USP?

- O discurso da esquerda está se esvaziando, os argumentos estão ficando frágeis. O trabalhador está começando a compreender porque paga tanto imposto, pra onde está indo e o que estão fazendo com o nosso dinheiro. Está muito claro que o governo não dá conta de cuidar de tantos setores ao mesmo tempo e que eles administram muito mal nosso dinheiro.

A USP Livre se posiciona exclusivamente sobre assuntos referentes à USP ou vocês também se posicionam sobre a política de SP e a política nacional?

- A USP Livre se posiciona também em relação a política nacional e estadual. Nós entendemos que as políticas econômicas do país afetam profundamente a sociedade como um todo, desde de o pai ou a mãe de família de classe baixa quer dar um ao filho uma educação de qualidade ao CEO de alguma empresa que quer expandir seu negócio. Tudo mundo sofre com uma crise econômica, mas quem mais sofre é sempre o que tem menos. No entanto, nosso movimento não apoia nenhum movimento, partido ou político. Todos colaboradores do grupo trabalham como voluntários. Acreditamos que podemos ser uma alternativa para quem está descontente com a atual situação do país.

Qual a avaliação de vocês sobre o governo Geraldo Alckmin? E como vocês enxergam esse início do governo interino de Michel Temer?

- O movimento ainda não tem posicionamento estabelecido sobre isso, mas temos apoiadores contra e a favor do impeachment. Apoiamos a total continuidade da Operação Lava-Jato, o cumprimento da constituição, e para nós, lugar de político corrupto é na cadeia. Quem tem politico corrupto de estimação está do lado de lá.

Entendi. E a USP Livre se classifica como movimento de direita?

- Nós nos classificamos como um movimento liberal, nem de esquerda nem de direita, mas pra frente. Lutamos por um país melhor, com mais liberdade. Que as pessoas possam escolher ser de direita ou esquerda, para que tenham liberdade até mesmo para ser um comunista dentro de um país capitalista, enquanto que o contrário não é possível. Muitos países já atingiram o topo do índice de desenvolvimento humano. A receita para alcançarmos isso é muito conhecida. Já foi amplamente testada e funciona, só precisamos seguir esse modelo e não tentar reinventar a roda com políticas econômicas fracassadas e que nunca deram certo.

Para finalizar, existe alguém do mundo dos estudos políticos que sirva de inspiração para a USP Livre? Algum teórico, algum filósofo, algum economista?

- Nunca conversamos sobre isso, mas temos mais inclinação para pesquisadores e filósofos liberais das escolas de Chicago e austríaca, como Milton Friedman e Ludwig Von Mises.


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