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Entenda as diferenças de liberal-conservadorismo, social-democracia, comunismo e anarco-capitalismo


Por Wilson Oliveira

Para entendermos as diferenças de cada ideologia vamos imaginar que o mundo fosse 100% democrático, mas num sentido que nem o projeto global mais honesto possível seria capaz de tornar realidade. Nesse mundo 100% democrático, haveriam várias divisões de território, todas do mesmo tamanho, mas cada uma com um modelo político-econômico diferente. Um seria social-democrata, outro anarco-capitalista, um terceiro liberal-conservador e o último comunista. Como estamos falando de um mundo "100% democrático", as regras do funcionamento de cada território serviria tanto para ricos como para pobres, tanto para brancos como para negros, tanto para homens como para mulheres, tanto para heterossexuais como para homossexuais, tanto para altos como para baixos, tanto para gordos como para magros. E também seriam iguais para as pessoas de todas as religiões.

As pessoas até poderiam mudar de um território para outro, mas jamais modificar a governança (ou a falta dela, no caso do Território Anarco-Capitalista) de nenhum deles, pois se quisessem viver de acordo com determinado modelo isso só seria possível vivendo no território referente àquele modelo. E se tentassem fazer qualquer coisa no sentido de promover alguma mudança, seria imediatamente deportada para o território do modelo de sua preferência (o Território Comunista seria uma exceção, mas você vai entender mais abaixo). Porém, lembre-se: esse seria um mundo 100% democrático, portanto a obrigação número 1 de todo cidadão seria respeitar a vontade das pessoas que escolherem viver naquele território que já possui seu modelo determinado.

Entenda como funcionaria cada modelo.

Território Social-Democrata

Nem todo mundo seria obrigado a trabalhar, mas todos os que trabalhassem seriam obrigados a dar 80% do salário para o governo. O governo ficaria responsável por definir onde, como, quando e até quanto investir o dinheiro dos trabalhadores. Os que trabalhassem e os que não trabalhassem teriam direito aos mesmos serviços de saúde "100% gratuita", escola "100% gratuita", transporte "100% gratuito", saneamento básico "100% gratuito", cultura "100% gratuita", cinema "100% gratuito", internet "100% gratuita" e qualquer outro serviço que você puder imaginar, tudo no sistema "100% gratuito" e controlado pelo governo.

Na verdade, os serviços não seriam exatamente gratuitos, pois os que trabalhassem estariam pagando 80% do seu salário para financiar esses serviços, de forma que todos pudessem ser atendidos, inclusive os que não trabalhassem. E se por ventura cada vez mais trabalhadores quisessem parar de trabalhar, por achar injustiça ter que sustentar os desocupados, ou por simplesmente terem preguiça de continuar trabalhando, as pessoas do Território Social-Democrata ficariam condenadas a viver com serviços da qualidade que fosse possível segundo o governo. E se a falta de trabalhador acarretasse na falta de pessoas pra fazer esses serviços funcionarem na prática, isso significaria um aumento generalizado de pobreza naquele território, mas sem possibilidade de mudança de modelo político.

Se por outro lado as pessoas não achassem ruim trabalhar, mas achassem negativo ter que depender dos serviços fornecidos pelo governo, elas até poderiam se juntar e abrir uma empresa privada. Mas elas seriam obrigadas a dar 80% da renda bruta da empresa para o governo, já que a mesma regra se aplica aos salários de cada trabalhador. Ou seja, seria muito difícil pagar um bom salário para os funcionários, seria quase impossível investir em equipamentos e produtos de qualidade e seria impraticável manter uma clientela fixa, pois no final das contas entre o ruim pago e o ruim "100% gratuito", as pessoas acabariam escolhendo o ruim "100% gratuito".

Território Anarco-Capitalista

Não haveria Estado, nem nada referente a tal. Ou seja, não haveria um Poder Judiciário comum para todos. Quem tivesse dinheiro contrataria seu próprio sistema judiciário caso quisesse processar alguém por achar que esse alguém desrespeitou o PNA (Pacto de Não-Agressão). E a pessoa que fosse alvo do processo, também contrataria seu próprio sistema judiciário para se defender, caso achasse que houve desrespeito ao PNA. Se houvesse um impasse entre os sistemas de justiça de cada envolvido no processo, já que cada um iria fazer sua própria interpretação do PNA, os sujeitos resolveriam o problema na bala. Quem tivesse os melhores atiradores sairia vivo da disputa. E não importa se isso fosse injusto.



Também não existiria nenhum serviço médico do Estado, nem mesmo de primeiros-socorros. Se alguém sofresse uma overdose de drogas no meio da rua, ficaria ali até morrer. Ou então o dono da rua poderia pegar aquele drogado e levar para fora da sua rua. Ou, ainda, se alguém fosse atropelado e ficasse desmaiado ou sem condições de se mexer, por exemplo, só restaria a essa pessoa quatro alternativas: ficar caído por ali até um conhecido lhe encontrar e providenciar o atendimento; ser removido pelo dono da rua para rua de outra pessoa e assim por diante; receber um milagre e sair andando do nada; morrer de tanto os carros passarem por cima após o primeiro atropelamento.

Território Liberal-Conservador

Haveria Estado, porém este seria mínimo e só trabalharia nas áreas realmente primordiais. Por exemplo, haveria um Poder Judiciário comum a todos os que vivessem naquele território. Também haveria policiamento para prender quem desrespeitasse a lei estabelecida pelo Poder Legislativo, cujos representantes seriam escolhidos pelas pessoas daquele território. Os eleitos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário também seriam presos caso desrespeitassem a lei. Não haveria foro privilegiado, não haveria cadeia especial, muito menos haveria possibilidade de um investigado continuar exercendo atividade em algum poder governamental. Uma vez investigado, automaticamente teria que largar o cargo do poder governamental, assim como um cidadão comum estaria proibido de assumir um cargo de poder governamental caso também estivesse sendo investigado por algo.

Apesar da existência do Estado (conservador), a economia seria livre (liberal), motivo pelo qual o território se chamaria Liberal-Conservador. Cada pessoa pagaria algo entre 15% e 25% do seu ganho anual (dependendo do valor do seu ganho) para financiar os serviços do Estado, que seriam apenas os primordiais. A única vantagem que uma empresa poderia obter seria através da livre concorrência. Não haveria agência reguladora, não haveria associações nem sindicatos. Cada consumidor optaria pela empresa que quisesse, avaliando o custo e a qualidade dos seus serviços. As empresas que não conseguissem realizar a vontade de uma quantidade de consumidor a ponto de se manter, simplesmente iria falir.



Os trabalhadores não seriam obrigados a trabalhar em um emprego que achassem ruim. Primeiro porque as empresas que maltratassem seus funcionários consequentemente teriam trabalhadores sem vontade, assim como também teriam clientes insatisfeitos - ou seja, iriam falir. As empresas que tratassem bem seus funcionários, teriam trabalhadores satisfeitos e clientes cada vez mais fiéis pelo bom serviço daqueles funcionários satisfeitos. Ou seja, essas empresas iriam expandir mais e mais, e contratar mais e mais funcionários, inclusive aqueles que estavam insatisfeitos nas empresas ruins. Com uma economia livre, ou seja, sem a interferência dos poderes governamentais (somente caso houvesse desrespeito a alguma lei), o funcionamento das empresas seria bastante tranquilo, sem nenhuma burocracia.

Território Comunista

Outro território onde não haveria Estado, porém seria diferente do Território Anarco-Capitalista. O Território Comunista seria governado por intelectuais do Comunismo Unificado (que seriam popularmente conhecidos como "intelectuais do CU"). Neste Palácio, os intelectuais do Comunismo Unificado administrariam todas as empresas daquele território, já que seria proibido que qualquer outro cidadão, com a exceção dos intelectuais do CU, tivessem empresa própria, renda própria, fabricação própria, prestação própria de serviço ou propriedade própria (até a casa que as pessoas morassem pertenceria aos intelectuais do Comunismo Unificado).

Resumindo: ninguém seria dono de nada nem de dinheiro nenhum, pois tudo pertenceria aos intelectuais do CU. E esses intelectuais teriam um chefe, que seria aquele apontado como o mais conhecedor da obra e da história de Karl Marx. Este chefe, por estar num patamar acima de todos os outros intelectuais, seria chamado de "cuzão". Tudo que o chefe do Comunismo Unificado falasse deveria ser encarado como verdade absoluta por todos. Quem ousasse discordar do cuzão seria imediatamente enviado para o paredão de fuzilamento (veja na ilustração ao lado).

Esse mundo ideal seria 100% democrático, pois cada um poderia escolher em qual território gostaria de viver. Mas como dito na introdução deste artigo, a exceção seria o Território Comunista. Uma vez chegando lá, a pessoa teria que informar se era apenas turismo ou se estava chegando pra morar. Se fosse para morar, estaria automaticamente proibida de se transferir para outro território. Porque o chefe cuzão, como bom marxista, seria contra o liberal-conservadorismo, contra a social-democracia e contra o anarco-capitalismo por entender que todos esses modelos são burgueses, portanto produtores de opressão para os mais pobres. E quem resolvesse querer voltar para um desses territórios, ou simplesmente quisesse conhecer como era, não teria a vontade atendida e seria enviado para o paredão de fuzilamento.

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OBSERVAÇÃO: no decorrer da história recente da humanidade, é possível identificar países que se aproximam, cada um, de um modelo acima. No entanto, é natural que existam variáveis, até pela irregularidade dos sistemas políticos de vários países e das mudanças ocorridas pelos mais distintos motivos. Mas é importante frisar que aqui nos referimos a um mundo hipotético, 100% democrático, onde cada território teria seu modelo bem definido e estabelecido, e cada pessoa poderia escolher onde viver.

2 comentários:

  1. Gostei da analogia. Muito bem feita. Mas penso que usar de um liguajar mais apropriado e tentar imparcialidade no desenvolvimento dos ideais contraditórios, como o Comunismo, seria uma maneira mais eficaz de divulgar essa idéia para a juventude doutrinada.

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  2. Alexandre Freitas Martins, obrigado pelo seu elogio.

    Os textos de O Congressista usam uma linguagem mais séria e mais técnica para falar de todos os assuntos. Nesta artigo, especialmente, utilizamos um estilo mais humorístico para provocar maiores reflexões sobre os estilos factíveis e os utópicos.

    Abraços!

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