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[ESPECIAL] Copa América de 2019: mais uma porta para corrupção no Brasil


Por Pedro Augusto

A Copa América acabou, mas a próxima edição, em 2019, será no Brasil. Está aí mais uma chance para a farra de gastos, mesmo que o país esteja com graves problemas em suas contas públicas.

Ainda não está se falando dos custos das reformas para a competição porque estão todos de olho nas Olimpíadas. Porém, é muito provável, para não dizer certo, que os estádios precisarão de novas reformas para receber o público. Pelo menos é o que dirão.

Superfaturamentos em obras de eventos esportivos ocorrem por causa da associação entre governos e empresas. Em delação premiada para a Operação Lava-Jato, Rogério Nora Sá e Clóvis Peixoto Nunes, ex-executivos da Andrade Gutierrez, informaram que o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), cobrou 5% de propina do valor total do contrato para que a empresa se juntasse à Delta e à Odebrecht antes de sair a conclusão da obra do estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro mantém engavetado 21 dos 22 processos feitos pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre irregularidades na construção do estádio carioca.

Exemplos como esses são apenas alguns de como a associação entre governo e empresas é corruptora e todos os eventos esportivos brasileiros dos últimos anos mostraram isso. A próxima Copa América será apenas mais uma oportunidade para que esses grupos possam se associar.

A Copa América de 2016 

A edição deste ano nos Estados Unidos não contou com nenhum investimento público. Dos dez estádios, oito são de times da SuperBowl e outros dois de times de futebol. Em dois dos estádios houve reformas. Porém, quem financiou tudo foram os clubes donos do local. Ou seja, o pagador de impostos nos EUA não pagou nenhum centavo para estádios.

A Copa América do Chile em 2015

O torneio custou cerca de R$ 280 milhões. Apenas dois estádios foram reconstruídos e os outros reformados.

O estádio La Portada foi um deles. Após precisar de reformas por causa de um terremoto, em 2012, o governo chileno liberou uma quantia de 13 milhões de pesos. A única empreiteira interessada apresentou um orçamento maior e não foi aceita. No mês seguinte uma nova licitação foi convocada e a empreiteira espanhola Copasa ganhou a disputa. O valor do estádio chegou a 14,6 milhões de pesos. Seria um superfaturamento?

Um outro caso que chamou a atenção foi a reforma do estádio do time La Serena. Clube da segunda divisão e que recebe em média um público de 2,5 mil pessoas. Com a reforma o estádio seria ampliado para 18 mil lugares. Alguns consideram o único elefante branco que a competição teve e também questionaram se era necessário usar o estádio, embora esteja numa área de grande atração turística.

Quanto custou reformas de outros eventos esportivos no Brasil? 

O Pan-Americano realizado em 2007 no Rio de Janeiro, custou cerca de R$ 4 bilhões na época, quando seu orçamento inicial era de R$ 400 milhões.

Só ao governo federal o evento custou R$ 1,5 bilhão; ao estado do RJ: R$ 500 milhões e à prefeitura R$ 2 bilhões. O Maracanã custou R$ 294 milhões, sendo R$ 30 milhões do governo federal e o restante do estado do RJ.

Somados os Pans de Santo Domingo, em 2003; Winnipeg, em 1999; Mar de Plata, em 1995; Havana, em 1991 e Indianópolis, em 1997, o custo foi de cerca de R$ 2,1 bilhões, ou seja, cinco edições anteriores do evento custarem menos que a do Rio de Janeiro.

Já a Copa do Mundo, só com estádios, custou no total R$ 8,3 bilhões. O estádio Mané Garrincha, em Brasília, custou ao Distrito Federal R$ 1,4 bilhão. O Maracanã custou ao Rio de Janeiro, R$ 1,05 bilhão.

No total, a Copa do Mundo custou só aos cofres públicos cerca de R$ 25 bilhões, entre obras para aeroportos, estádios, mobilidade urbana etc. O legado você mesmo sabe qual é.
As Olimpíadas já custam R$ 39,1 bilhões. Segundo a Autoridade Pública Olímpica (APO), 60% dos investimentos são por parte da iniciativa privada. Em Londres, sede de 2012, o custo chegou a R$ 65,3 milhões.

O Comitê Rio-2016 custará R$ 7,4 bilhões, o legado R$ 24,6 bilhões e as arenas R$ 7,07 bilhões.

Um novo modelo

Como a matéria mostrou, os custos com estes eventos esportivos só aumentaram e houve corrupção. Para a Copa América 2019, caso realmente se faça alguma reforma, o que é provável, o Brasil precisa copiar o modelo norte-americano e deixar qualquer reforma nas mãos exclusivamente na iniciativa privada, sem processos de licitação. Apenas os clubes reformando. E os estádios que ainda estão nas mãos do governo serem privatizados (de verdade).

O que O Congressista defende é que não saia um centavo dos impostos dos contribuintes, pois as parcerias público-privadas são grandes fontes de corrupção.

O Chile mostrou que também é possível corrupção na Copa América. Precisamos não seguir o seu modelo, mas sim o dos Estados Unidos.

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