Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

Carta Capital volta ao front pra criticar Sergio Moro. E nós criticamos A Carta Capital


Por Wilson Oliveira

A revista Carta Capital tem uma série de artigos em que critica a operação Lava Jato. Basta que você acesse este link direcionado para a tag "Sergio Moro" para fazer a comprovação com seus próprios olhos. Acontece que no último dia 8 eles foram além. Um texto assinado por Mauricio Dias traz no título "O pecado original de Moro". A linha argumentativa tem uma construção que sugere que a operação da Polícia Federal estaria "pressionada por inúmeras contradições internas". Na sequência, também há uma crítica no que a sociedade enxerga como solução, chamando-a de "soluções discutíveis da Lava Jato". Curiosamente o texto não afirma o que seriam essas soluções. Mas nós dizemos: punição!

Chamando o Superior Tribunal Federal de "conservador", de forma pejorativa, o artigo afirma que o STF "condenou à morte o trânsito em julgado". Em contrabalanço, preserva Celso de Mello, ministro do referido tribunal que votou contra a prisão de réus em segundo grau. A partir daí, além de perceber que a revista evitou (ou ocultou) a palavra punição em suas linhas, ainda podemos ver que ela seguiu um caminho diferenciado para defender algo que aqui, em O Congressista, nós condenamos veementemente: o foro privilegiado. Observação: o texto em questão da Carta Capital também evitou (ou ocultou) essa expressão.

Importante integrante da força-tarefa da Lava Jato, a delegada Erika Mialik Marena, em entrevista ao blog do jornalista Matheus Leitão, do G1, criticou a impunidade no Brasil. Para ela, criminosos do colarinho branco detentores do foro privilegiado se sentem "protegidos pelo sistema". Sistema esse que o texto da Carta Capital, além de referendá-lo, "saúda" ao combater a possibilidade de vê-lo ameaçado. Porque ameaçar o foro privilegiado significa ameaçar a impunidade, uma vez que essa condição é bastante reforçada pela (falta da) forma em que as grandes autoridades são punidas no nosso país. Ou será que essa gente, defensora do foro, acredita que não existe político corrupto no Brasil?

Na sequência, o texto da revista faz um pouco de contorcionismo para também criticar os acordos de delação premiada, elemento que é alvo de uma forte crítica por parte dos políticos brasileiros. A principal colaboração que a delação premiada trouxe para a investigação de crimes cometidos com o dinheiro público (portanto, o nosso dinheiro) foi o de abrir portas e janelas para a polícia, tornando mais fácil a ligação de pontos que sem a colaboração dos seus próprios envolvidos talvez jamais fossem conectados. Será que isso realmente é algo ruim? Será que chegar mais perto da descoberta dos crimes é algo que devemos repudiar?

Também existe um parágrafo que, confesso, não fez muito sentido na minha leitura, onde afirma-se que não há histórico de punições dos criminosos de “colarinho-branco”. Que o que existe, na verdade, são punições para crimes cometidos “apenas” por “pretos, pobres e prostitutas”. Então é possível que o autor tenha tido um lapso de consciência e se juntado a nós, na busca justamente de que as punições se estendam a quem faz uso ilegal do dinheiro público? Não! Isso é apenas uma ilusão de ótica.

Veja: a parte conclusiva do texto parece que foi escrita por um filiado do Partido dos Trabalhadores. Após criticar a operação que investiga - como nunca nesse país se investigou - a classe política brasileira, após chamar o trabalho do juiz que é um dos ícones dessa força-tarefa de "pecado", após repudiar os acordos em que envolvidos prestam esclarecimentos sobre o grandioso esquema de corrupção, e após jogar "pretos, pobres e prostitutas", que nada têm a ver com o assunto, no meio do tema, o artigo termina fazendo valer uma espécie de vitimização do PT, supondo que há um plano maligno para liquidar a candidatura de Lula em 2018. Como se nenhum outro partido estivesse sendo atingido pela Lava Jato (o PMDB e o PP mandam um alô...).

Agora vamos falar ainda mais sério. A Carta Capital é uma revista para falar de vários assuntos, entre eles a política, ou para defender o PT? A Carta Capital é um veículo de comunicação ou um veículo de advocacia? Por que o PT tem que ser visto como vítima mesmo diante de tudo que a própria Polícia Federal já revelou sobre o partido? Não, o PT não é a única legenda envolvida, mas também está longe de ser inocente. Basta vermos o que aconteceu com seus tesoureiros. Veja bem, estamos falando dos responsáveis pelo dinheiro do partido, que foram presos.

Eduardo Cunha, responsável direto pela iniciação do processo de impeachment também é um réu. Jair Bolsonaro, famoso por embates fortes com petistas, está por um triz de perder seu mandato. Romero Jucá, que já esteve ao lado do PT mas depois se virou contra e foi nomeado ministro de Temer, precisou se afastar do ministério por suspeita de envolvimento com corrupção. E não estamos aqui para defendê-los, apesar de termos nossas próprias opiniões a respeito deles e de qualquer outro homem público desse país. Porém, queremos ver os corruptos indo para a cadeia. É isso o que realmente importa para cada um que compõe a sociedade civil brasileira.

Mas o fato é que não, o PT não é o único partido colocado contra a parede pela opinião pública. O que está contra a parede é todo esse sistema político onde as autoridades possuem muito poder e o povo não tem poder nenhum. O Estado no Brasil exerce um poder muito além, na verdade negativamente além, daquele que seria seu papel, que é o de garantir o respeito às leis. O poder executivo do País passa por cima da própria Justiça com um foro privilegiado que traz benefícios para políticos que nenhum outro cidadão pode gozar - é por isso que pretos, pobres e prostitutas são punidos e criminosos do colarinho branco não.

Se a Carta Capital realmente estiver interessada em ver brancos que gozam de muito poder sendo punido independente da legenda que ele pertença, o caminho lógico e aceitável é apenas um: apoiar o fim da impunidade. E basta uma análise séria e firme da história para vermos que o foro privilegiado é uma forte pilastra de sustentação dessa condição maléfica e imoral. Mas com os textos da revista que podemos encontrar no link apresentado no início deste artigo, vemos que a grande preocupação da revista é outra: criticar a possibilidade de mais petistas serem presos, inclusive o Lula.

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

http://www.ocongressista.com.br/