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A importância do Empreendedorismo (II): A complexidade do processo empreendedor e sua importância


Por Vinicius Campos 

Postei, cerca de duas semanas atrás, o primeiro artigo da série sobre empreendedorismo. O intuito é, em uma série de cinco artigos, evidenciar o quão o processo empreendedor é importante e complexo e o quanto intervir neste processo, de várias formas, pode ser prejudicial para a sociedade.

Portanto, aconselho lerem o primeiro artigo da série, A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO (I): A NEGLIGÊNCIA CÔMODA DE UM COMUNISTA E A HISTÓRIA DE PAULO E ANDERSON. 

Posto isso, vamos em frente.

Empreendendo


Ao procurarmos a definição de empreendedorismo em um dicionário, ele nos dará alguma resposta em torno disso:

“Iniciativa de implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes, com alterações que envolvem inovação e riscos.” 

Tal definição está exata. Empreender significa correr riscos, inovar, e gerir uma empresa. Entretanto, somente essa descrição não é suficiente. Vamos aprofundar o conceito de empreendedorismo: a função e importância no mundo e qual é a visão de um empreendedor, isto é, como ele enxerga o mundo.

Empreender vai muito além de simplesmente ter capacidade de gestão. Até porque, gestão pode-se comprar, certo? Um dono de um grande negócio pode facilmente contratar um diretor especialista em gestão, mas que será um mero funcionário do verdadeiro empreendedor. Esse diretor pode inovar, mas ainda sim não será o empreendedor.

Visão Empreendedora e riscos

Podemos dizer que o mundo detém de, basicamente, dois extremos: recursos e necessidades. Os recursos são escassos. As necessidades, não - essas são infinitas. Assim sendo, temos que interligar de maneira racional essas duas extremidades, de modo que haja uma transformação. Transformar recursos em objetos ou serviços que atendam as necessidades das pessoas. Se recursos são escassos, os objetos e serviços certamente serão escassos também, e daí explica-se o porquê da existência de preços.

Mas quem é que tem a capacidade de fazer essa transformação? Bem, na verdade, uma cerca de pessoas realizam essa transformação. Pense em uma empresa. Quantas pessoas estão envolvidas na atividade de transformar recurso em necessidade atendida?

Contudo, há uma pessoa que identifica a necessidade e pensa no que fazer para atendê-la. Tendo em vista uma necessidade e alguma ideia de como suprimi-la, o individuo pesquisará como conseguir recursos e o que empregar na transformação. Parece difícil, certo? Mas vai ainda mais além. Este ser irá abdicar de seus próprios recursos (tempo, dinheiro, força de trabalho) para se arriscar na realização dessa transformação. “Mas como assim, arriscar?”

Será que essa é, realmente, uma necessidade? Será que minha solução custará menos do que manter tal necessidade sem ser atendida? Será que conseguirei chegar à solução que estou pensando? Será que as pessoas entenderão que realmente minha solução pode sanar suas necessidades? Será que ninguém terá uma ideia melhor neste meio tempo?

Além dessas, uma série de perguntas podem ser feitas sobre as incertezas acerca deste processo. Essa pessoa jamais saberá se sua solução será pertinente, a não ser que arrisque. Ademais, não se arriscará apenas retornando à estaca zero caso dê algo errado, mas retroceder ainda mais. Lembre-se, está se dispondo de recursos que inicialmente seriam de sua posse, e tempo precioso que poderia ser aplicado em outras atividades.

Em nosso primeiro texto, demonstramos, de forma prática, como é árduo o trabalho de se tornar empreendedor. Há a obrigação não apenas de identificar uma necessidade, mas de se sacrificar e correr risco para saná-la. E, corriqueiramente, enfrentar alguns processos que poderiam ser evitados, como o governo, no caso de nosso simpático amigo empreendedor Paulo.

Não se trata simplesmente de “explorar trabalhadores”. O processo de empreender, em um mercado livre e aberto, é árduo e trabalhoso, onde cada dia conta, cada dia pode ser fundamental. Se o empreendedor, em tantos anos, fez tudo certo, basta pouco tempo de distração para que vá a bancarrota. Lembram-se do que houve com as locadoras com o surgimento das mídias digitais?

Paulo é o verdadeiro empreendedor. Essa é a visão de empreendedor: enxergar uma necessidade real, estudar as alternativas para atender essas necessidades, alocar os recursos disponíveis da melhor maneira possível e se sacrificar por este ideal. Uma série de incertezas minam esse processo.

O que ganha a sociedade

E o que ganham os demais? Muito. O empreendedor não sustenta sua empresa sozinho. Ele dá, sem dúvidas, o passo mais importante: ideia, assunção de um risco que ninguém quer assumir, obstáculos iniciais de um mercado competitivo, enfrentamento de incertezas como quem caminha de olhos vedados. Entretanto, necessitará de outras pessoas. A necessidade de mão de obra se traduz em aumento de demanda por trabalho. E nós sabemos que aumento de demanda por algo é igual ao aumento de valor deste item. Obviamente, quanto mais empreendedores, maior a demanda por mão de obra. Além disso, gera-se também um aumento de oferta de produtos/serviços, que tende a reduzir seu preço.

Não obstante, se enxergarmos que riqueza são bens e serviços, e não dinheiro em si (você não come dinheiro ou veste dinheiro, ou seja, dinheiro tem valor se puder ser trocado por bens e serviços, como sendo, também, um bem), o aumento de oferta de produtos e serviços significa aumento de riqueza, benéfico para a sociedade de modo geral.

O avanço do processo empreendedor também tem contribuído em alguns pontos até então criticados dentro de um sistema capitalista, o que nos demonstra que o processo de empreender segue demandas ditadas. Com o aumento da preocupação ambiental, o processo empreendedor tem caminhado no sentido de preservar a natureza. Para citarmos um exemplo prático, o quanto de folhas um pen-drive poupou? Muito mais do que qualquer ativista de extrema-esquerda poderia conseguir diretamente. Basta que o ativismo ambientalista se preocupe em criar demanda por preservação, o que eleva o status de empresas preocupadas com o meio ambiente.

Um grande exemplo!!!

Retrocedendo a questão de visão empreendedora, gosto de citar uma pessoa em especial como exemplo de tudo que foi dito até então: Silvio Santos. Destaco abaixo uma parte de sua história, bastante importante para a compreensão do conceito:


“Após servir ao exército, como paraquedista, Silvio decidiu ser locutor de uma rádio em Niterói-RJ. Percebendo que as viagens das barcas entre Rio de Janeiro e Niterói eram marcadas pela monotonia, decidiu montar um serviço de alto-falantes nas embarcações. Nos intervalos das músicas, Silvio fazia anúncios de produtos. Nas barcas para a Ilha de Paquetá, os passageiros faziam filas nos bebedouros após dançarem as músicas tocadas por Silvio. Este então teve outra ideia: fez um acordo com a cervejaria Antártica para vender cerveja e refrigerantes. Na compra, o consumidor ganhava uma cartela de bingo e concorria a prêmios como jarras e quadros.” 

Note: Silvio identificou uma necessidade: A viagem na barca é monótona, as pessoas precisam de distração. Então, tratou de mobilizar recursos para atender essa necessidade.

Este é, dentre sua trajetória, apenas um dos exemplos. Silvio Santos tem uma história de vida voltada inteiramente para o empreendedorismo. Durante toda sua vida, Silvio enxergou necessidades e sempre buscou atendê-las. Entretanto, se faz válido ressaltar: ele falhou algumas vezes. Normal para quem aceita correr riscos.

Conclusão

Onde quero chegar com tudo isso? O intuito é explicitar a importância que tem o processo de empreender, a complexidade e riscos que esse procedimento envolve, e como tal processo é vital para o funcionamento do mundo como é. Imagine se ninguém se habilitasse a empreender, onde estaríamos hoje? Se você é daqueles que acredita que nossas demandas dentro de um sistema capitalista são exageradas, imagine-se vivendo na idade média e no feudalismo, por exemplo.

A chance de o processo falhar é grande, o que significa dizer que quanto maior for o numero de tentativas, maior será a chance de sucesso. Esta inferência nos leva a constatar que o processo empreendedor é importantíssimo e que tem de ser incentivado sempre.

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