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Renato Russo tinha posição política e defendia o capitalismo


Por Wilson Oliveira

A medida de cresce a conscientização liberal-conservadora no Brasil, cresce também a insatisfação desse setor da sociedade com os artistas ditos progressistas (tome nota: progressista no sentido de adotarem a linha do politicamente correto e, automaticamente, recriminarem quem pensa diferente). Essa visão mais crítica dessa fatia dos brasileiros acaba recaindo também naqueles artistas "isentões", ou seja, os que não possuem nenhuma opinião um pouco politizada que seja e que, por mera questão de conveniência, acabam concordando com os "progressistas".

De fato isso é um problema para o nosso país. Quando se fala em democracia, por tabela fala-se também em liberdade de expressão, de pensamento e de discordância. Mas curiosamente, em vários casos, parece que cometemos um crime quando discordamos de certas afirmações. Por exemplo, muitas pessoas possuem medo de não concordarem com as cotas raciais nas universidades públicas. Para não serem taxadas como racistas ou até mesmo como fascistas pelos raivosos disfarçados de democratas, muitas pessoas preferem adotar uma linha "isenta", e por isso mesmo são chamadas de "isentonas", sim, num tom pejorativo mesmo, pois o mínimo que se espera de um cidadão é que ele se inteire das questões que o cercam.

Voltando ao mundo artístico, se tinha um cara que nem era isentão muito menos permitia que o obrigassem a concordar com o que é chamado de progressismo no Brasil, esse cara era Renato Russo. Ele criticava nas entrelinhas, muitas vezes, esse pensamento estatizante que reina no nosso país, em que muitos acreditam que o Estado deve dar tudo de graça para os mais necessitados ignorando que, na verdade, esse pensamento é apenas mais um incentivador para a corrupção, a demagogia, o autoritarismo, o roubo das nossas liberdades e, ainda mais bizarro, é também a causa justamente para o aumento da pobreza, gerando um maior número de necessitados num círculo vicioso que jamais chegará ao fim enquanto o pensamento for esse.

O próprio nome da banda já recai justamente nesse ponto. Legião Urbana, entre vários outros significados, apresenta uma visão futurista do Renato do dia em que os brasileiros uma hora cansarão do atual modelo de Brasil e começarão a se juntar pra mudar esse contexto (visionário?)...

Interessante notar é que em várias composições da Legião Urbana existem passagens que tocam nesse tema. Abaixo cito alguns exemplos com minha interpretação baseado no que já li sobre a trajetória da banda e dos músicos.

E o principal está na música "Metal Contra as Nuvens", em que podemos perceber uma crítica ao peso do Estado na vida dos cidadãos:

"Não sou escravo de ninguém
Ninguém é senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho e temo o que agora se desfaz
(...)
Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
(...)
(falta de liberdade econômica no Brasil)
Eu quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa
(...)
(alta carga de impostos e péssimos serviços públicos)
E por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo
Olha o sopro do dragão
Olha o sopro do dragão
É a verdade que assombra
O descaso que condena
A estupidez o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais"

Como artista brasileiro, Renato Russo critica a influência americana na cultura brasileira através da música "Geração Coca-Cola", mas aproveita para também tecer uma crítica a essa geração que recebe grande influência desses "progressistas" no ensino:

"Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser
Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis"

Baader-Meinhof era o nome de um grupo guerrilheiro de extrema-esquerda na Alemanha que espalhava terror e violência pelo país. Numa tacada de mestre, Renato Russo escolheu justamente essa expressão para dar nome a uma música que fala da violência urbana no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, que tem laços com a existência de grupos guerrilheiros (facções de tráfico de drogas) cuja maior de todas elas, o Comando Vermelho, foi formulado em conjunto com os presos comunistas do Regime Militar:

"A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
Você passa dia e noite e sempre vê apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também

Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome

Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe, ninguém quer mais saber
Afinal amar o próximo é tão demodé"

(Aqui Renato Russo critica uma série de coisas: a visão distorcida dos "direitos humanos" no Brasil, a impunidade, a estatização desenfreada e a tentativa de trasnformar todos nós em vítimas adestradas)

"Essa justiça desafinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?
Não estatize meus sentimentos
Pra seu governo
O meu estado é independente"

Na música "Há Tempos", Renato Russo termina a letra deixando claro sua crença na luta pela liberdade do cidadão brasileiro:

"Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Lá em casa tem um poço
Mas a água é muito limpa"

Na música "Teatro dos Vampiros", Renato Russo mais uma vez se mostra o artista visionário que era. Ele retrata como ninguém os problemas sociais e econômicos do Brasil. Parece até que anteviu a crise que o governo Dilma nos colocaria.

"Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair, mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
envelhecemos dez semanas"

Andrea Doria é uma metáfora. A ideia parte de um transatlântico italiano que naufragou em 1956 em comparação com um relacionamento chegando ao fim, mas também é possível interpretarmos o retrato da ilusão que o socialismo causa nas pessoas, principalmente nos jovens:

"Às vezes parecia
Que de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo
Teríamos o mundo inteiro
E até um pouco mais
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro
(...)
Não queria te ver assim
Quero a tua força como era antes
O que tens é só teu, e de nada vale fugir
E não sentir mais nada
Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto
Até chegar o dia em que tentamos ter demais
Vendendo fácil o que não tinha preço"

"Mais do Mesmo" tem uma crítica muito certeira na postura dos políticos que prometem tudo de graça e de qualidade sem falar a real situação dos problemas. E também da "chacina de adolescente", ou seja, daqueles cidadãos que como um jovenzinho que quer se mostrar revoltado mas que também não pensa nas consequências de nada, faz uma série de exigências sem considerar, em nenhum momento, o lado econômico daquilo que está pedindo (é importante frisar: quanto mais coisas pedirmos pro Estado, mais o Estado vai comer a riqueza gerada pela sociedade como um todo):

"Desses 20 anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique assim igual a você
É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
Todos tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?
Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?
Bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isso, na enfermaria
Todos os doentes estão cantando sucessos populares
(e todos os índios foram mortos)"

É preciso um nível bastante aguçado para interpretar a música "Conexão Amazônica". Nela podemos perceber uma crítica às discussões resumidas em teorias esquerdistas, que quando colocadas em prática, ao invés de resolverem os problemas só os aumenta. Em outro trecho, o compositor faz uma alusão a aliança entre os países latino-americanos em torno desse ideário de esquerda, mas que se houver uma revolta popular (tambores da selva começando a rufar) essa "conexão" de governos populistas e demagogos pode ser interrompida, podendo até atrapalhar o tráfico de drogas na região (estariam os governos de esquerdas ligados aos grupos que vendem drogas?). No final, repare que ele fala diretamente com os militantes esquerdistas que, muitas das vezes, caem exatamente nesses problemas trazidos pelo próprio ideário esquerdista:

"Estou cansado de ouvir você falar
Em Freud, Jung, Engels, Marx e
intrigas intelectuais rodando em mesa de bar
Yeah, yeah, yeah
O que eu quero eu não tenho
O que eu não tenho eu quero ter
Não posso ter o que eu quero
E acho que isso nada tem a ver
Yeah, yeah, yeah
Os tambores da selva já começaram a rufar
A cocaína não vai chegar
Conexão amazônica está interompida
Yeah, yeah, yeah
E você quer ficar maluco sem dinheiro e acha que está tudo bem
Mas alimento pra cabeça nunca vai matar a fome de ninguém
Uma peregrinação involuntária talvez fosse a solução
Auto-exílio nada mais é do que ter seu coração na solidão
Yeah, yeah, yeah"

Abaixo, há um histórico vídeo da MTV em que Renato Russo fala de livre iniciativa, importância do trabalho por conta própria, liberdade de escolha, corrupção, quantidade de impostos, inflação, saúde privada... E no final do vídeo, a frase que marcou essa emblemática entrevista: "Eu sou capitalista":

2 comentários:

  1. kk mano quanto erro.
    velho que porcaria e essa?
    tudo nada a ver kk
    "conexao amazonina" essa analise nada a ver kk

    Conexao amazonica fala do playboy (capitalista) se a droga acabar ele vai enlouquecer.. se a droga acabar o Datena não vai poder falar dos viciados,, mds qnta merda vcs falaram hein. Renato Russo nunca defendeu a direita do brasil. Oq ele defendia era o trabalho e seu retorno.

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  2. Estou cansado de ouvir você falar
    Em Freud, Jung, Engels, Marx e
    intrigas intelectuais rodando em mesa de bar
    Yeah, yeah, yeah

    Todos esses são esquerdistas, e outra, trabalho e retorno só existe no capitalismo, não no comunismo.

    ResponderExcluir

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