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Porque o Reino Unido acertou em sair da União Europeia


Por Pedro Augusto

Diversos analistas estão apontando que foi um erro o "leave" dado pelos britânicos. Dos motivos mais citados há a xenofobia, a perda de acordos econômicos ou até mais um motivo de um pedido de independência por parte da Escócia, como foi apontado no site da Superinteressante.

O Reino Unido, na verdade, se livrou de um grande peso. Primeiramente haverá um grande alívio nas contas públicas. O UK (siga para designar Reino Unido em inglês - United Kingdom) manda para a UE semanalmente algo em torno de 136 milhões de libras.

Outro ponto que vale a pena destacar é a enorme máquia burocrática e os benefícios para quem trabalha lá. São mais de 15 prédios muito modernos e com conforto chegando até a ter massagistas. Dos órgãos que compõem a UE, há o Conselho Europeu, Conselho da União Europeia, Tribunal de Justiça da União Europeia, Comissão Europeia e Parlamento Europeu. Quem trabalha nestes órgãos além de seus salários, recebe um dinheiro para o deslocamento até o local, um subsídio por "abandono do lar", verbas para entretenimento, pagamento de escolas privadas para os filhos e planos de saúde privados, além de uma outra verba por "abandono de família". Também há uma verba de 41 mil libras por ano para contas de telefone, internet e computadores. E mais 225 mil libras por ano para custos pessoais.

Os grupos que defendiam a saída também criticavam bastante a falta de transparência dos órgãos. O Parlamento Europeu não possuía poder para criação de leis, mas sim uma comissão que não é eleita pela população de cada país.

A burocracia, que é cada vez maior na UE, é mais um fator que os britânicos não precisarão sofrer. As regulações são tantas que até para uma escova de dente há 31 leis sobre a fabricação. O leite possui mais de 1 mil.

Favorecimento de grupos 

A restrição ao comércio criado por um protecionismo europeu para proteger as indústrias também é outro problema, pois impede a criação e a vinda de outras empresas para os países do bloco. Como grandes corporações não gostam de livre comércio porque sabem que ele cultiva a concorrência, elas na verdade são as grandes beneficiadas. Assim podem manter seus monopólios.

O documentário "Brexit-The Movie" mostra como existe lobby de empresas na UE justamente para se manterem no controle do mercado.

Outros problemas do protecionismo

Quando se cria barreiras com impostos para não prejudicar as empresas do bloco europeu, os produtos consequentemente ficam mais caros. Quem mais sofre com isso são os consumidores. Se os britânicos não criarem suas próprias regulações estarão beneficiando, e muito, os habitantes da região.

Como também mostra no documentário, tanto a pesca como a indústria do açúcar estão sendo afetadas pelas constantes regulações da UE, com mais taxas e restrições ao comércio. Muitas demissões, inclusive, estão sendo feitas.

Outro alívio nas contas britânicas

O Reino Unido, assim como a Alemanha e França, são os grandes sustentadores da UE. E além disso, são os que mais produzem. E no momento da distribuição das riquezas vêem países ganhar muito mais do que produziram para o bloco, como a Grécia.

Com a saída do Reino Unido, as contas da UE ficam abaladas por perderem um grande financiador, ainda mais porque a dívida do bloco já é de 19,6 bilhões de libras. A Alemanha, que já está sobrecarregada por pagar indiretamente pela Grécia, ainda pode ter os franceses abandonando o grupo, já que há pedidos para um referendo no país.

Com ou sem a França, ficará difícil fechar as contas, pois países como Itália, Portugal, Grécia e Finlândia estão com problemas financeiros. Até os próprios franceses estão neste barco já que estão há pelo menos cinco anos em crise.

O Reino Unido está se livrando de pagar os custos da irresponsabilidade de outros países. Lembrando bem que tudo isso com os impostos dos ingleses. Você gostaria de ter de pagar as dívidas de pessoas incompetentes?

Porque seria ruim a Escócia voltar para União Europeia. Contrariando a Superinteressante

Embora ela tenha muito gás natural e petróleo, seria um grande problema a sua ida para a UE - caso façam de novo um pedido de independência - na medida em que a tendência são as coisas piorarem para o bloco. Como a Escócia está com tudo em ordem, poderia ser usada como uma grande financiadora da dívida do grupo. Isso só trará mais impostos para a população encarecendo produtos e trazendo regulações para o mercado escocês, que no futuro além de prejudicar as contas públicas do país, restringirá acordos comerciais com outras nações e minará o desenvolvimento de sua economia. As regulações e o protecionismo, que são as tendência na UE, apenas restringem o desenvolvimento econômico.

Além do mais, escoceses ficarão reféns dos resultados econômicos de outros países do bloco, ainda mais se adotarem o euro como moeda. É bom lembrar que as constantes diminuições das taxas de juros do Banco Central europeu os levarão a um novo ciclo econômico de grande recessão no futuro bem próximo. Se a Escócia entrar neste barco afundará junto com ele.

Como está a Zona do Euro? 

O gráfico a seguir mostra um crescimento da dívida com relação ao PIB. Há países, como a Itália, que a relação chega a mais de 100%.



Este outro gráfico mostra o crescimento do PIB que não chega nem a 1%.Esta é a taxa de desemprego que teve queda nos últimos anos, mas ainda assim é maior que 10%.



Há países como a Espanha, que estão com taxas de 21%.Esta é a taxa de desemprego entre os jovens: mais de 20%.



Este gráfico mostra quanto a União Europeia tem aumentado bastante o seu orçamento.



Este gráfico mostra o orçamento da União Europeia. Há pelo menos 10 anos o bloco está com déficits



Conclusão 

Caso os britânicos não transfiram para si toda a burocracia europeia, a tendência será o crescimento. Agora eles poderão fazer acordos com quem bem entenderem e não serão governados indiretamente por burocratas que a população nem sequer conhece.

Os problemas gerados pelas incertezas no início são normais, mas se o Reino Unido optar pela expansão da liberdade econômica tem tudo para estar futuramente numa boa situação econômica. Bem diferente do que ocorrerá com a UE

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