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O grupo Direita Liberal tem causado "bug mental" em alguns


Por Wilson Oliveira

O Brasil está de cabeça para baixo. E não é só pela crise política causada a medida que se aprofundam as investigações da Operação Lava Jato. É por um conjunto muito maior de fatores. Temos uma crise econômica que tem mudado os hábitos de muitas pessoas país afora. Temos uma edição dos Jogos Olímpicos que bate à porta do Rio de Janeiro, uma das metrópoles mais violentas do mundo. E temos assuntos que vão se renovando em curtos espaços de tempo e que ganham cada vez mais poder para estimular debates acirrados e até explosivos.

No Facebook, o grupo chamado "Direita Liberal", do mesmo criador deste "O Congressista", tem causado certo "bug mental" na cabeça de muitas pessoas. Alguns não concordam com o termo "liberal" aparecendo ao lado do "direita". Outros questionam o fato do termo "direita" aparecer conectado ao termo "liberal", como se o primeiro correspondesse única e exclusivamente a corrente de pensamento conservadora. E como se o conservadorismo atualmente fosse algo diretamente oposto ao liberalismo. E, pior ainda, demonstram total desinformação aqueles que fazem qualquer questionamento ao uso da palavra "liberal" ignorando a sua naturalíssima raiz: o liberalismo clássico.

Um dos pais dessa que é a maior corrente filosófica dos últimos séculos chama-se John Locke, um filósofo britânico responsável pelo conceito do "contrato social". Uma importante marca no seu trabalho era o contraponto às ideias inflexíveis. Para Locke, a filosofia cuja qual direcionava seus estudos era exatamente a proposta que dava origem às concepções modernas do Eu e da Identidade. O britânico foi o primeiro filósofo a refletir si próprio como um ordenamento da continuação da sua própria consciência. O que isso significa? Para John Locke, o conhecimento deriva das percepções desenvolvidas sobretudo por experiências pessoais.

John Locke tem uma importância muito grande em todo o ocidente, mas com maior ênfase na Inglaterra. Suas ideias tiveram grande contribuição na derrubada do absolutismo. O tripé que configurou o seu trabalho nessa direção foi o estudo que lhe permitiu afirmar que, uma vez em vida, todo ser humano tem direito à propriedade, à liberdade e à sua própria vida. E como instituição cujo propósito principal era garantir esses direitos, John Locke viu na figura do governo a ferramenta com condições para tal. Acontece que, não obstante, cabia aos governados a possibilidade de retirar todo e qualquer governo que passasse por cima dessas concepções cristalinas consideradas, pelo que mais tarde se convencionou chamar de liberalismo clássico, direitos sine qua non.

O liberalismo clássico, inclusive, tem esse nome por ser a corrente de pensamentos, estudos e conceitos responsável por averiguar as liberdades mais clássicas de um indivíduo. Toda e qualquer corrente que também aprofundou-se no estudo da liberdade de uma pessoa, e que é mencionada nos dias atuais, surgiu em momento posterior. E nenhuma delas alcançou abrangência similar ou superior a que foi alcançada nos estudos do liberalismo clássico. Algumas possuem foco mais voltado para a economia, outros para questões de ordem social. Também é exatamente por isso que o liberalismo clássico não possui apenas um teórico master. Ao lado de John Locke, Adam Smith é o outro "pai" dessa corrente de pensamento.

Após o período de vivência desses dois teóricos - um filosófo e outro economista -, o mundo se viu envolto a muitas transformações, acontecimentos e divergências. Todos esses episódios foram responsáveis, em vários momentos, por definir o curso da história da humanidade. Evidentemente não foi diferente com os conceitos políticos. Se aquilo conhecido como "esquerda política" nasceu por uma ideia de derrubar o que se tinha como "poder absolutista" - por isso se colocava o liberalismo clássico como corrente de esquerda, em oposição ao que se encarava como "direita" principalmente numa das regiões mais efervescentes do século XVIII: a França, que foi palco de uma das revoluções mais sangrentas e marcantes da nossa espécie.

No entanto, após o século XVIII e a Revolução Francesa, a humanidade não viveu nenhuma calmaria que pudesse estacionar todo e qualquer conceito político-histórico. Muito pelo contrário, aliás. No século XX, a Primeira Guerra, a Segunda Guerra e a Guerra Fria entregaram aos historiadores, atores políticos, estudiosos, curiosos e meros cidadãos - mesmo aqueles que procuram manter distância da política - novos significados para formulação de conceitos. Tanto a esquerda como a direita passavam a ser forças geopolíticas que lutavam por um modelo que acreditavam ser o melhor para se atingir o ápice do desenvolvimento humano.

De um lado, o capitalismo representado principalmente por Estados Unidos e Reino Unido (unidos não apenas no nome, mas também no objetivo: unir o mundo na concepção de liberdade, democracia e livre mercado). Do outro, o comunismo representado pela União Soviética, outros países do leste europeu e mais tarde algumas outras nações mais afastadas, como Cuba, China e Coreia do Norte. O que era direita e esquerda para os contemporâneos do século XVIII já possuía uma configuração completamente alterada no século XX. A direita não lutava mais pelo absolutismo, mas sim pelo capitalismo. E a esquerda continuava tentando derrubar aquele que passou a ser o conceito disseminado em maior escala, mas dessa vez não em nome da liberdade, mas do socialismo.

De lá pra cá, o que pode ser conferido em estudos históricos verídicos é a comprovação de que o sistema capitalista se sobrepõe ao socialismo - ou qualquer que seja sua derivação. Até mesmo os países nórdicos, apontado por viúvas do socialismo como exemplo do que pode ser considerado como esquerda atualmente, atingiu um alto grau de bem-estar da sua população justamente graças ao capitalismo, fazendo nascer uma espécia de mistura de dois conceitos antagônicos: o socialismo e a democracia, que deram nome a social-democracia. O que, notadamente, só conseguiu razoável sucesso justamente na região desses países nórdicos, muito por conta da cultura dessas populações, que não foram obrigadas a aturar nenhum roubo de suas liberdades em troca de uma suposta distribuição das riquezas que elas mesmo geravam.

No entanto, em boa parte do mundo ocidental e até em partes orientais como o Japão e a Coreia do Sul, o que se viu foi o triunfo do capitalismo. É bem verdade que em níveis variados de liberdade econômica. Os defensores do socialismo se agarraram em outro conceito, apresentado por eles mesmo como "modernizado", que é a concentração de poder no Estado, que seria responsável por planificar a economia de um país, ou seja, colher boa parte da riqueza gerada (ou até a maior parte, dependendo do país que estivermos falando) para uma suposta distribuição de renda. E isso não passa apenas pela esfera econômica, mas também a cultural e filosófica.

Concluindo o que temos como concepção de direita liberal, não custa citar novamente um dos pais do liberalismo clássico John Locke, que via no governo o instrumento para garantia do direito à liberdade, à propriedade e à vida, mas via na população a própria imagem daqueles que poderiam derrubar qualquer governo que não agisse nesse sentido. Assim sendo, trata-se de uma ideia diametralmente oposta a que é defendida pela esquerda, que caminha justamente no sentido de aumentar o poder da figura estatal frente ao avanço de autonomia dos cidadãos. E é justamente no conservadorismo político-filosófico, que aponta no sentido da solidificação das instituições que garantam poder para que o cidadão não fique nas mãos de governos autoritários, que o liberalismo clássico encontra complementação para travar uma batalha contra a estatização.

Segue a descrição do grupo Direita Liberal considerando o contexto atual vivido pelo Brasil:

"Somos liberais de direita (centro-direita no espectro político). Reunimos neste grupo teorias do liberalismo clássico, do minarquismo e do conservadorismo originais dos países de língua inglesa. Somos favoráveis a um Estado mínimo e limitado, justiça e segurança fortes, à democracia, ao federalismo, ao livre mercado, à abertura comercial, à redução de gastos governamentais, às privatizações, à diminuição de impostos, à desburocratização, a menos regulamentação da economia, ao empreendedorismo, ao enxugamento da máquina pública, à descentralização do poder, à separação entre os três poderes e à supremacia constitucional. Defendemos a vida, a liberdade, a propriedade e a igualdade perante a lei".

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