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Precisamos fechar o guarda-chuva sobre o Brasil para enxergarmos o céu


Nunca antes na história desse país a metáfora de um copo com água até a metade fez tanto sentido como agora. Dependendo do ponto de vista, podemos enxergar traços positivos e traços negativos - um copo meio vazio ou um copo meio cheio. Assim como a vida é feita de oportunidades, na política acontece o mesmo. Desde que nos entendemos por gente, existe um guarda-chuva aberto não apenas sobre esse copo, mas sobre todo o território brasileiro impedindo que seus cidadãos enxerguem o céu. E sempre fomos impedidos sequer de poder olhar para o cabo desse tal guarda-chuva. Puxar o suporte dos seus ferros para fechá-lo, então, era impensável.

Continuamos sem poder colocar a mão nesse suporte, mas agora pelo menos podemos pegar no cabo, ainda que ele continue aberto por algum tempo. Não somos a chuva inteira, mas somos algumas gotas. E podemos conversar com outras gotas até essa diálogo envolver o maior número possível das gotas que caem sobre esse guarda-chuva. A intenção aqui não é promover alagamentos e enchentes, mas demonstrar que se no momento ainda estamos numa tempestade, sem poder enxergar o céu, em breve poderemos viver uma fase em que seja possível olhar para cima, sem um guarda-chuva nas nossas cabeças tapando nossa visão.

O antigo "Capitalismo & Liberdade" agora virou "O Congressista". Queremos promover diálogos, debates, se possível ajudar a abrir mentes, mostrar que é possível pensar fora da caixinha quando se fala em política. Queremos jogar uma luz sobre aquilo que chamamos de democracia, mas que na verdade parece uma batalha entre vários rinocerontes contra milhões de ratinhos (nem sempre a quantidade significa vantagem, às vezes é preciso estratégia). Desejamos mostrar a importância do contraditório nos debates públicos, nas opiniões dos cidadãos, em alguns sensos que, embora sejam comuns, de bom senso não possuem nada. Também somos simpáticos a inúmeras ideias que são óbvias de tão boas, mas que infelizmente não encontram eco nem no Congresso Federal nem nos palácios que abrigam as mais altas autoridades brasileiras.

Se pedirem pra resumir em uma frase o que queremos, afinal de contas, a resposta será: somos a contra-doutrinação que veio para contrariar, mas não para complicar, muito pelo contrário, para facilitar e para libertar.


Por enquanto somos todos idiotas, pois servimos para votar e nada mais



Precisamos e queremos mais. Muito mais! Não podemos ir às ruas somente contra o superfaturamento de estádios para a Copa ou para derrubar uma presidente e um partido. Temos que agir, exigir, brigar para mudarmos o nosso sistema político - não podemos ficar off todo tempo e ficar on somente na época de eleição. Democracia só é saudável quando há o posto e o oposto. Isso significa acabar com o monopólio de apenas um lado em tudo quanto é assunto referente à política, à sociedade, à cultura, aos gostos e desgostos da população brasileira.

O Brasil precisa conhecer uma alternativa que fica no outro lado dessa moeda, mais séria, mais sóbria, mais esclarecida, mais antenada com as mudanças bem-sucedidas na economia mundial. Os políticos que realmente quiserem quebrar paradigmas, fazer os outros refletirem sobre questões importantes, têm que apresentar um discurso diferente daquele costumeiramente apresentado - e que é basicamente igual, não importando de qual partido venha. Não é admissível que todos prometam "mais educação", "mais saúde", "mais transporte", "mais saneamento", "mais infraestrutura" e nenhum outro apareça dizendo o simples e lógico: "olha, não há condições de oferecer isso tudo".

E não há mesmo!

Eles aumentam os nossos impostos com a desculpa que é para oferecer tudo isso. Mas nem se todos os cidadãos brasileiros pagassem 100% dos seus salários em tributos isso seria possível, pois aí entram outras questões como gestão, competência, transparência, eficiência e uma que estranhamente é chutada para escanteio: satisfação do cidadão. 

Será que alguém REALMENTE acredita que o poder público possa oferecer algum tipo de serviço que seja perfeito, que agrade a todas as pessoas? E lembre-se: não estamos falando de nenhum outro país, continente ou planeta; estamos falando do Brasil! Os nossos políticos, hoje, possuem condições de oferecer um serviço de qualidade similar ou superior a do NetFlix, por exemplo? Se você já sabe a resposta, por favor, não ria da cara daqueles que ainda não sabem. Estamos aqui para tentar explicar-lhes.

A história contada por eles nem sempre reflete a História como de fato e de direito

Nossas crianças aprendem na escola apenas uma versão da História, tomada como a oficial, mas que nem sempre diz exatamente o que de fato aconteceu ao longo dos séculos. As intervenções interpretativas são sutis, mas com um enorme poder de trazer consequências no futuro desses alunos. A preparação é guiada para que esses jovens saiam da escola com a certeza de que nasceram pra serem vítimas do futuro. Isso impulsiona o caráter contestador, o que poderia ser positivo se não empurrasse um iniciante na vida cidadã para o caminho da radicalização, da depredação e da crença numa utopia que não serve para nada a não ser transformar a si próprio numa marionete de políticos disfarçados de conceitos, que só têm a oferecer uma demagogia em troca de mais poder. O que é lógico passa distante. Essas crianças não são ensinadas a apresentar soluções, a empreender, a descobrir através do mundo empresarial como superar barreiras pelas quais irão reclamar quando forem mais velhos, a solucionarem complicações para a própria sociedade na qual estão inseridos.



O capitalismo com liberdade, ou seja, sem o Estado tendo o poder para escolher quem pode e quem não pode ser feliz, significa cada um tendo o seu espaço para desenvolver seu próprio empreendimento, gerando riqueza para si e para a própria família. Mas o que temos na nossa realidade é um Capitalismo de Estado, em que um poder superior praticamente determina quem tem o direito ao sucesso e quem não tem. E isso só é possível porque eles fazem de tudo pra manter o guarda-chuva aberto enquanto nós somos preparados para não fazermos nada. Afinal, a nossa educação é o que é, descrita no parágrafo anterior.

Porte e posse de arma; leis mais rígidas; segurança

Vemos a violência diante dos nossos olhos e não podemos fazer nada. Somos aconselhados a não fazermos nada - somos prisioneiros da nossa própria inoperância dirigida.

POR QUE TEM QUE SER ASSIM?

Vamos pegar como exemplo a briga acontecida entre torcidas organizadas neste domingo, em Brasília, no estádio Mané Garrincha durante a partida entre Flamengo x Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. No intervalo, uma organizada do clube paulista se dirigiu para invadir a área em que estava uma organizada do clube carioca. O resultado foi muita pancadaria, quebra-quebra e a polícia reagindo com gás de pimenta. A química desse produto jorrado no ar se espalhou pelas dependências do estádio, chegando ao campo e fazendo os profissionais do espetáculo passarem mal. A pimenta em estado gasoso também atingiu outras áreas da arquibancada, fez pais e filhos passarem mal, vomitarem, precisarem de atendimento médico. Famílias que colaboraram para que o público do jogo passasse de 55 mil pessoas numa competição de partidas com arquibancadas vazias.

Nesse mesmo Mané Garrincha reformado para a Copa do Mundo de 2014, já tivemos notícias da morte de torcedores por esse mesmo motivo. E assim também já aconteceu em outras praças do país. A violência e o assassinato fazem parte do nosso futebol tanto quanto o gol e o drible. Não tomamos de 7 a 1 apenas dentro do campo. Os marginais são protegidos e nós somos desprotegidos. Eles chegam aos estádios com escolta policial, saem também escoltados, quando viajam são recepcionados ainda na estrada, podem entrar antes nos estádios quando querem levar bandeiras, faixas e instrumentos musicais - e só são perturbados em casos muito específicos. E por aí vai...

E nós? Se formos pra um jogo em que o estádio ficará lotado, voltaremos pra casa com vida se tivermos uma boa pitada de sorte... A outra opção é ir em jogos que as arquibancadas ficarão às moscas. No Brasil essa alternativa até que é bem mais numerosa que a dos estádios cheios... Mas não que isso seja uma solução encontrada - lembre-se, no Brasil chora-se muito, mas soluciona-se pouco - isso acontece porque muitos pais de família já se desiludiram de levar seus filhos para praças de guerra... digo, estádios de futebol.

"Ah, mas prende-se muito"
"Ah, mas não adianta a polícia prender"
"Ah, mas a justiça também tem medo"
"Ah, mas tem que mudar lei"
"Ah, mas as torcidas organizadas fazem festa bonita"
"Ah, mas é questão de conscientizar"
"Ah, mas a nossa educação..."
"Ah, mas a violência faz parte da sociedade"
"Ah, mas as diretorias de clube dão ingresso pras organizadas"

No Brasil chora-se muito e praticamente ninguém toma iniciativa nenhuma! A Lava Jato é um oásis num mar de inoperância punitiva. É nessa estrada que chegamos ao fato de termos mais de 30 partidos representados no Congresso e a maioria massacrante da população não se sentir representada por nenhum deles, nem pelos que estão do lado de fora. Está tudo errado!

Direitos Humanos: monstro para uns e monstro para outros, tudo para não solucionar nada!

O transporte supervisionado pelo Estado, em muitos lugares pelo Brasil - principalmente em cidades que não são as capitais - tem a cara da degradação civilizacional, das condições subumanas de vida, da completa desgraça alheia. Porque não há abertura para que empresas cheguem em compitam entre si, sem que os políticos se intrometam, pra ver quem oferece o melhor serviço. O Uber, que apareceu em algumas cidades JUSTAMENTE PRA ISSO, foi tratado como um monstro que surgiu para comer nossos estômagos. O Brasil se comporta contra aquilo que vem para melhorar, enquanto está acostumado com aquilo que existe desde sempre pra nos maltratar.

O debate sobre direitos humanos deveria ser muito mais amplo, deveria ter os dois lados da moeda apresentando seus argumentos e seus pontos de vista. Mas temos apenas um lado. Que falou, falou, falou e falou a vida toda. E temos os políticos, que vez ou outra contando com a benevolência desse lado que tem voz, agiu para que tudo ficasse apenas nas palavras. No Brasil chora-se muito, mas ninguém toma iniciativa alguma. E ainda evitam que o outro lado possa ter sua voz ouvida (não é à toa que a nossa nova logomarca é uma microfone. Queremos falar também!).

A internet é o território onde temos mais liberdade. É nele que nos informamos, que nos reunimos, que trocamos experiências, que aprendemos na direção que quisermos e que temos direito a termos voz. É verdade que existem os maus elementos que fazem dessa liberdade a chave para as práticas criminosas, inaceitáveis e repugnantes. Mas não podemos deixar que usem isso de desculpa para nos tirar aquilo que abre os nossos horizontes, que faz enxergamos tudo muito mais claramente do que antes, que faz abrirmos janelas e até a ficarmos mais próximos de outras experiências que deram certo em outros lugares e que jamais tomaríamos conhecimento se não fosse a internet.

Seja bem-vindo ao novo O CONGRESSISTA!


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