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[ENTREVISTA] Fernando Pertile detalha disputa eleitoral em DCE no interior do RS


Entrevista concedida em 18/06/2016 ao colunista Pedro Venâncio

O recém-eleito e empossado coordenador geral do DCE da Universidade Federal de Santa Maria, Fernando Bottega Pertile, 19 anos, estudante do terceiro semestre do curso de direito, concedeu sua palavra ao colunista e colaborador Pedro Venâncio. Pertile falou sobre a chapa Libertas, nascida com a proposta de servir aos alunos, trazendo o DCE de volta para as mãos deles e retirando da esquerda a posse do diretório que apenas servia aos interesses políticos partidários. Além de contar sobre a formação da chapa, Fernando comentou sobre os objetivos e os meios pelos quais ela vai combater o monopólio esquerdista que assola a instituição, além das dificuldades que a nova gestão terá que enfrentar para reparar os danos causados pela esquerda na universidade.


Como e quando o libertas nasceu? Quais são os idealizadores da chapa?

A gênese da Libertas foi na metade do ano passado, quando eu, a Carolina Rothmann e mais alguns amigos nos indignamos com o quão distante o DCE da UFSM estava dos estudantes. Apoiava greves sem consultá-los e sem se preocupar em tentar minimizar os danos causados por estas. Não procurava solucionar problemas simples, tampouco em lutar por mais eficiência e menos burocracia no dia-a-dia estudantil. O que interessava era utilizar o DCE, uma entidade representativa, para militar político-partidariamente “contra o golpe”. Começamos com algumas críticas em postagens na página do Facebook da entidade, e após algumas insinuações como “é fácil xingar, quero ver levantar a bunda da cadeira e vir fazer diferente” decidimos que era hora de mostrar como um DCE poderia ser útil e prestativo aos seus representados.

Como tem sido a reação de professores e diretores da universidade com relação a vocês?

A melhor possível. E, confesso, isso nos surpreendeu. Enquanto passávamos em salas de aula divulgando a chapa os professores quase sempre nos parabenizavam. Ao ouvir que somos apartidários, que não deixaríamos nossas visões ideológicas pessoais conduzirem as ações do DCE, era frequente ouvir: “se eu fosse aluno, votaria em vocês”, uma vez que o mesmo problema de “partidarismo” é enfrentado por eles nos sindicatos. Ainda não tomamos posse, mas já estamos nos adiantando com reuniões junto às pró-reitorias da instituição, para sabermos onde o DCE pode ser útil à Universidade. Nas duas que já visitamos, ouvimos que nunca, na lembrança deles, um DCE na UFSM havia tomado esse tipo de atitude. Isso só mostra como o DCE não estava cumprindo seu papel de ligação entre a Universidade e o Aluno. Esse apoio vindo deles será, com toda certeza, muito importante no desenvolvimento de nosso trabalho para buscar uma UFSM mais eficiente e mais próxima dos estudantes.

Como foi a reação dos alunos de esquerda e dos demais quando souberam do nascimento do libertas?

Eles ficaram assustados, mas para nós foi divertido. Nas eleições do ano passado já tínhamos a ideia de criar uma chapa para o DCE, então mobilizamos cerca de cem pessoas que, na cédula de votação, escreveram coisas como “a liberdade está chegando”. Isso anunciou e gerou diversos boatos de que haveria uma chapa diferente nesse ano. Todavia, mantivemos em segredo até o dia da inscrição das chapas, deixando apenas boatos que haveria uma chapa. Durante o período eleitoral, foi recorrente ouvir que a Libertas era uma chapa de direita, financiada pelo MBL, PSDB, DEM, PP, Koch Industries, etc., mas nenhuma dessas informações se confirma. Somos um grupo interessado em gerir o DCE com o objetivo de solucionar as demandas dos estudantes, apenas isso.

A esquerda santa-mariense fez diversas coisas para tentar acabar com a nossa reputação, como escrever em uma faixa “Entre o rico e o pobre, a liberdade oprime. Não vote chapa 3*, assinada pelo Levante Popular da Juventude. Além disso, no último dia de campanha, algumas pessoas colaram em todas as paradas de ônibus da cidade um cartaz com um print do meu Facebook e da Carolina mostrando que fazíamos parte do EPL. O cartaz dizia que o MBL havia surgido do EPL, e como o MBL recebeu verbas de alguns partidos, então a Chapa 3 – Libertas não era apartidária. Um nó de marinheiro absurdo que só fez com que mais pessoas vissem o mau-caratismo de quem, aparentemente, teme perder o poder. Quanto aos outros estudantes, a reação foi de alívio. A maior parte dos alunos estava cansada de um DCE ineficiente que só servia para fins político-partidários, e isso pode ser confirmado pelo recorde de votos que tivemos.

Fernando e toda a chapa foram perseguidos de forma covarde e vil
 pelos esquerdistas da UFSM


Vocês se consideram de direita?

De forma alguma. O que a Libertas vem revolucionar é justamente essa ideia de que uma entidade representativa precisa ter posição política definida. É claro que as pessoas precisam – e devem – ter um posicionamento, mas a entidade não. Há, sim, alguns indivíduos componentes que se identificam com a direita, enquanto há outros que chegam a ficar chateados a cada vez que são associados à direita. Nossas propostas englobam alguns objetivos que poderiam ser colocados “à direita” e outros “à esquerda”. No final das contas, o que importa é trabalharmos em prol dos estudantes e na conclusão delas.
Certo, mas a esquerda atualmente encontra-se com o poder nas mãos nas universidades Brasil afora.

A luta de vocês é também contra a esquerda? Uma vez que ela é a causadora dos problemas que vocês buscam combater.

Dessa forma, sim. Atualmente a luta é contra a esquerda, mas vale dizer que nossa luta seria a mesma caso existisse uma chapa que fizesse exatamente a mesma coisa só que do outro lado político. Se um grupo quiser militar politicamente, que use de seus movimentos e coletivos para isso, mas deixe o DCE e seus representados de fora. É o que fazemos.

Então o foco é totalmente nos alunos e na defesa dos mesmos afim de garantir um ambiente acadêmico livre. Quais as dificuldades que vocês esperam encontrar na gestão do DCE no que tange à possíveis ações esquerdistas contra vocês?

Exatamente! Nós buscaremos o diálogo sempre, mas não sabemos se será recíproco. Já contamos com o apoio de muitas pessoas “de esquerda”, que depositaram sua confiança em nós no dia 8. O importante será continuar as ações e diálogos com todos os grupos de dentro da UFSM que são representados pelo DCE, e torcer para que, com nosso trabalho, consigamos conquistar seu apoio e ajuda para trabalhar por uma academia livre, como você disse. Se houver qualquer tipo de boicote, paciência, mas continuaremos nosso trabalho da melhor forma possível.

Quais são os principais problemas pelos quais a instituição passa e quais as propostas da chapa para solucioná-los?

O principal problema em nossa universidade é a falta de dinheiro. A UFSM sofreu um corte de 60% nas verbas para infraestrutura, o que dificulta muito qualquer luta por melhores espaços. Enquanto outras chapas tinham propostas absurdas como “lutar pela construção de X novos prédios”, nós tangenciamos para o lado que mais tem chances de oferecer uma melhora prática, e a curto prazo: conseguir melhorias através de Parcerias Público-Privadas, além de buscar a realização de concursos entre os estudantes para melhoras estruturais, o que evitaria mais gastos e estimularia as brilhantes mentes dos estudantes da Universidade.

Outro problema enfrentado pela gestão anterior foi a greve dos transportes. Surgiu uma alternativa privada para levar os estudantes até a Universidade, mas a gestão do DCE recusou apoiar por discordar ideologicamente. Nós, pelo contrário, apoiaremos esse tipo de alternativa que visivelmente melhora a situação estudantil.

E vocês são a favor da privatização parcial ou total da instituição como meio de superar os problemas relacionados a falta de recursos financeiros?

Essa é mais uma das situações que não cabe a uma gestão de DCE se posicionar contra ou a favor sem uma consulta delicada e completa aos estudantes que são representados. Todavia, somos contra a cobrança de mensalidade nas UFSM por já pagarmos uma carga tributária maciça para termos acesso a ela
.
O libertas se posiciona exclusivamente sobre assuntos referentes a UFSM, ou vocês também se posicionam sobre a política do RS e a política nacional?

Essa é uma ótima pergunta. O DCE possui atuação apenas a nível universitário. Somos pautados a dar prioridade à atuação a nível municipal e universitário. Sabemos do poder que um Diretório tem, mas não o usaremos para militar a favor de A ou B. Nosso posicionamento a nível nacional seria: somos contra os cortes na educação, independentemente de quem o esteja fazendo.

Mesmo sendo apartidários, vocês possuem uma posição acerca dos fatos, não é?

Isso é o que nos diferencia de outras gestões de Diretórios que vemos por aí. Avaliações político-partidárias variam de pessoa para pessoa. Representamos pessoas que estão gostando do governo Sartori e representamos pessoas que não gostam. Se o DCE se posicionar por um lado ou outro não haverá melhora alguma para a situação dos estudantes. Se o DCE defende ou não o impeachment da Dilma, que diferença fará no final das contas para a realidade da UFSM? O único resultado prático disso será: uma parte dos estudantes ficará satisfeita e a outra não, e isso não colabora para o desenvolvimento saudável de uma academia livre, porque já é o que vem acontecendo. Um DCE representa a todos os estudantes independentemente de suas inclinações político-partidárias, e por isso, a nosso ver, deve se abster de tal posicionamento enquanto entidade. Se você quiser saber a minha opinião pessoal, poderemos conversar sobre isso em outro momento, mas o DCE não tecerá opiniões que não importem em melhorias ou prejuízos aos estudantes. É aquilo que eu falei anteriormente, nos posicionamos contra cortes na educação, independentemente de quem os realizou.

Existe algum intelectual que inspira o trabalho do libertas?

Não me recordo de algum intelectual que tenhamos utilizado na formação da Libertas. Contudo, nos inspiramos em outros diretórios que seguem essa linha, como a Aliança pela Liberdade, da UNB. Além disso, fiz parte do Diretório Livre do Direito da UFSM, que também segue essa linha de apartidarismo em suas ações.

Qual é a posição sobre as invasões às escolas e à assembleia legislativa levadas a cabo pelo CPERS?

Sobre as invasões, ainda é interessante notar também que a UFSM é composta de alunos secundaristas, muito mais próximos desse cenário do que a comunidade de graduação. Mais um motivo para estarmos atentos e ativos dentro do CTISM, entendendo as reivindicações e necessidades desses estudantes que também são representados pelo DCE. A opinião de uma entidade deve levar em conta o que esses estudantes pensam, e exige que, caso seja necessário um posicionamento, estes sejam consultados.

Vocês possuem alguma expectativa de que essa onda anti-esquerdista, anti-partidarismo se expanda e se solidifique cada vez mais nas instituições públicas não somente do RS, mas no restante do país?

Com toda certeza! Diversas pessoas de todo o país vieram nos procurar nos últimos dias buscando dicas e auxílio para construir chapas baseadas na Libertas. Esperamos servir de inspiração e ajuda para que esse modelo de gestão se espalhe e que, juntos, possamos melhorar o dia a dia estudantil nas universidades brasileiras.

As universidades atualmente são o ninho da esquerda brasileira. Ações como a do Libertas, que visam tirar da esquerda o poder sobre estas instituições, ajudam a enfraquecer a esquerda nos demais setores, impedindo que ela siga ocupando outros setores da sociedade. Concorda com tal afirmação?

Embora não seja intenção da Libertas "impedir que [a esquerda] siga ocupando outros setores da sociedade", é claro que ações como a nossa corroboram para, pelo menos, diminuir a influência dela. O DCE da UFSM é, há vários anos, gerido por integrantes da Juventude do PT, e perder a maior entidade do interior do estado vai, sem dúvida alguma, ter muitas consequências negativas a eles. Contudo, nosso objetivo é um só: devolver aos estudantes o que deles foi roubado por partidos políticos. Um DCE representativo, apartidário e responsável em suas ações.

Para acompanhar o trabalho do Libertas, basta seguir a página oficial deles no Facebook.

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