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[CRÔNICA] Confira como seria o discurso de um esquerdista que só falasse a verdade


Por Wilson Oliveira

Terça-feira. Nove horas da manhã. Rio de Janeiro. Esta entrevista abaixo é uma ficção. O propósito aqui é provocar a reflexão sobre o que os esquerdistas defendem ou dizem defender, quais as finalidades que eles dizem pretender atingir e o que, de fato, suas bandeiras provocam na sociedade. É muito comum nos meios liberais e conservadores encontrarmos críticas ao socialismo, ao comunismo e ao estatismo desenfreado. No entanto, muitas vezes as pessoas se perdem na ânsia de criticar e deixam do lado o mais importante: mostrar o motivo dessas críticas. Neste artigo, O Congressista segue justamente o caminho de mostrar o porquê devemos sempre questionar e desconfiar daquilo que é discursado no lado vermelho da política. Confira:


Por que você afirma ser de esquerda?

- Todos os meus amigos são esquerdistas, uns mais outros menos, mas todos são. Quando caio pra night só encontro vermelhinho. Até as minas que eu pego se amarram em caras que são de esquerda. Então não tem como eu falar que sou outra parada, né? Lá na faculdade é a mesma coisa, geral é marxista, até os professores. Os papos são sempre pra esse lado. Não tem nem chance de ser diferente.

Você conversa sobre políticas de esquerda com os seus amigos e com "as minas" na "night"?

- Na night é sacanagem falar de política. Lá é só putaria mesmo, diversão, música alta, bebedeira e outras coisas. A gente nem lembra desses papos. A gente nem fala que é de esquerda, porque a rapaziada toda já sabe que ali só tem esquerdista.

Como são os locais que vocês frequentam "na night"? Não são estabelecimentos da iniciativa privada, ou são?

- Cara, já que aqui é pra falar só a verdade, vou ser bem sincero contigo. Só frequento lugar caro na zona sul do Rio de Janeiro. As melhores baladas são as mais caras. Mas às vezes vou com os meus amigos para alguns lugares menos caros na Lapa. Mas acho que nem existe um lugar público que seja bom na night. Tudo tem que pagar pra iniciativa privada mesmo (risos). Mas se pudesse ser mais barato não seria ruim.

Mas ser mais barato não significaria desvalorizar a "mais valia do proletário"? Lembre-se que o salário dos funcionários desses locais dependem do preço do serviço...

- Pô, cara, a gente nem pensa nisso. Vou te falar a real. O nosso pensamento é que o preço das bebidas podia ser menor pra gente beber mais. O nosso pensamento é esse, consumir mais e mais. Essas paradas de lutar por direito de trabalhador a gente deixa pros papos da faculdade e pras passeatas de rua que às vezes eu vou. Temos que separar a vida privada das pautas políticas, senão não rola.

E quando você e seus amigos estão nesses lugares caros, vocês não pensam nem se os funcionários desses estabelecimentos estão sendo explorados pelos patrões e por vocês?

- Como eu já te falei, a gente nem lembra que é de esquerda quando está na night. Não falamos de política, não pensamos nisso. Mas isso não quer dizer que a gente trate mal quem nos atende. Eu brinco com os garçons, tiro um sarro, dou uma zoada.

E essas brincadeiras não são discriminatórias?

- Não, pô, nada a ver. A gente pode brincar com eles que não tem erro.

Mas de acordo com a ótica daquilo que você defende, eles são "proletários" e você é o "burguês" que tem capital demais e que, exclusivamente por isso, ele tem capital de menos. E exatamente por isso, também, você jamais deveria "tirar um sarro" com a cara dele, pois você já o coloca numa posição inferior economicamente e não deveria fazer isso socialmente...

- Cara, eu sou de esquerda mas nem entro muito à fundo nesses assuntos. E já te falei, eu não falo nem penso nesses assuntos quando estou na night. Lá é lugar para se divertir, para sentir prazer. Não é a hora de esquentar a cabeça com essas coisas.

Então ser de esquerda, para você, não é por prazer, mas sim um motivo para "esquentar a cabeça"?

- Ah, cara, é coisa da faculdade. É uma situação com os meus amigos para outros momentos, não para night. Não é que eu esquento a cabeça, mas são coisas diferentes, saca?

Então para concluirmos de vez esse tema e passarmos para outros. Você acredita que leva uma vida de comunista ou de capitalista?

- Ah, então, uma vez um professor falou pros nós alunos uma frase do Rousseau: "Nós somos produtos do meio". Então acho que é isso. Apesar de lutarmos pelo comunismo, a gente vive como capitalista mesmo. Não tem jeito.

Você gostaria de viver como comunista?

- Tá maluco, cara? Vou te contar um segredo. Tanto meu pai como minha mãe são empresários da iniciativa privada. E eu adoro o dinheiro deles (risos, risos e mais risos). Já passei várias férias nos Estados Unidos. Teve uma que fui pra Europa, curti demais conhecer Londres, Roma, Paris, Lisboa, Madrid. Acho que eu ia ser muito triste se não existisse a iniciativa privada dos meus pais (mais risos).

Qual você acha que é a solução para crise econômica que o Brasil se encontra no momento?

- Cara, pra início de conversa, essa crise não é do Brasil. É uma consequência de uma crise mundial. Quem está em crise é o capitalismo...

E você viu essa crise quando esteve na Europa recentemente?

- ...Calma, irmão, deixa eu terminar. Então, os países desenvolvidos sempre exploraram os países de terceiro mundo, então por mais que a gente tente crescer com distribuição de renda, sempre vai ter essa dificuldade, porque o mundo é capitalista.

Então você gostaria que seus pais distribuíssem a renda que eles possuem?

- Aí é uma coisa que eles deveriam responder.

Se eles passassem a renda deles toda pra você, você iria distribuí-la?

- Aí é uma pergunta complexa demais (risos). Mas acho que eu ia fazer uma doação, mas não tudo.

Você defende transporte público de qualidade, saúde pública de qualidade, ensino público de qualidade, obras públicas e mais tantos outros serviços públicos de qualidade?

- Sim.

Então você é a favor que seus pais paguem mais e mais impostos para que o governo possa dizer que é para distribuir o dinheiro deles?

- Não.

E de onde você acha que deve vir o dinheiro pra isso tudo senão dos cidadãos economicamente ativos como os seus pais?

- Então, na verdade a gente defende que o governo dê as coisas pras pessoas, mas a gente não pensa muito nessa questão mais inicial, entende? A gente pensa no principal, que é o governo dar tudo de graça pras pessoas que tem mais necessidade.

De graça?

- É, porque as pessoas pobres não têm condições de pagar.

Então você acabou de mudar de opinião? Agora você é a favor que pessoas como os seus pais e os pais dos seus amigos paguem cada vez mais impostos? Porque para que algo seja de graça para alguém, outra pessoa precisa fazer o pagamento, não acha?

- Esse assunto é complicado demais, tem horas que entra muita burocracia. Por isso a gente vai pra rua revindicar. Eu e meus amigos ficamos indignados com as injustiças sociais.

Você e seus amigos vão para a rua reivindicar contra vocês mesmos?

- Não, claro que não! Porque tipo, eu e meus amigos somos de esquerda. A gente vai pra rua reivindicar contra a direita, tá ligado?

A direita liberal defende que você e seus amigos continuem tendo uma vida boa, mas que os pobres também possam crescer na vida com liberdade para empreender, o que só será possível com menos impostos sobre consumo, por exemplo, diminuição de empresas estatais para abertura de mais postos na iniciativa privada, o que significa mais emprego sem a necessidade de fazer concurso. Para isso a direita liberal também defende a livre concorrência, que a figura estatal não interceda nas disputas mercadológicas pra estabelecer quem tem direito aos melhores contratos, ou seja, que o Estado não crie monopólios para os empresários que lhe agradem. E você luta contra isso?

- Eu luto contra a direita porque ela é homofóbica, racista, misógina, elitista, fascista e tal.

Você realmente acredita nisso, uma vez que você mesmo confessou que pertence e que adora ser da elite, que a União Soviética não tolerava gays, que os países muçulmanos apoiados pela esquerda ocidental tratam suas mulheres como objeto sexual e que o regime fascista de Benito Mussolini possuía uma gestão econômica de muito Estado, assim como defende a esquerda atualmente?

- Cara, na verdade é o seguinte. Geral que eu conheço é de esquerda. Então a gente tem que meter o pau na direita, entende? (risos). Se geral fosse de direita, a gente ia meter o pau na esquerda. É assim que funciona. Não adianta a gente falar que é de esquerda e elogiar a direita. Nunca vi isso na minha vida (risos). Se eu sou de esquerda, eu tenho que falar mal da direita (risos).

Em quem você votou na última eleição pra presidente?

- Pô, geral foi de Dilma. Quis nem saber, fui de Dilma também (risos). Às vezes a gente mete um papo de oposição à esquerda até pra tirar uma onda de rebelde (risos). Somos rebeldes sempre (risos e mais risos). Mas na hora que fica aquela disputa PT x PSDB, aí somos petistas mesmo.

E você não para pra pensar se o modelo econômico do PT pode trazer prejuízo pro país?

- Ah, irmão, o Lula criou o Bolsa Família, os pobres ganharam mais dinheiro com os programas lá. E eu tenho a grana dos meus pais. Então pra mim está tudo certo.

Estudos mostram que aquilo que o PT chamou de diminuição da pobreza extrema na verdade trata-se de aumento da dependência estatal. E anos depois dessa fórmula, estamos vendo o país ter PIB negativo há alguns anos. É um processo econômico parecido com aquele da Itália fascista de Benito Mussolini. E mesmo assim você continua defendendo o PT?

- Ah, cara, a Itália passou por uma guerra. Não dá nem para comparar.

Então para você a situação do Brasil está boa pelo fato de não termos entrado em guerra com outros países?

- Dá pra gente parar por aqui? Não quero ser deselegante porque aceitei só falar verdades aqui, mas você é muito chato (risos). Você faz umas perguntas muito complicadas. Já estou doido pra te xingar de burguês opressor (risos).

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