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A importância do Empreendedorismo (I): A negligência cômoda de um comunista e a história de Paulo e Anderson



Por Vinicius Campos 

É muito comum observarmos correntes de esquerda proferindo ataques contra empresários e processos empresariais em uma sociedade, como se referendassem a estes a culpa pela pobreza no mundo. Desta forma, resolvi desenvolver uma série de cinco artigos que visam demonstrar o quanto essa conduta é prejudicial à economia - e mais, à vida econômica dos mais pobres.

Começo por este, por aludir com precisão o objeto crítica de meus textos. Na história abaixo, há a incriminação de um empresário por supostamente tirar mais da metade da produção de seu funcionário, pautado no arcabouço ideológico da mais valia, criado e defendido por Marx.




Obviamente, há apenas um recorte histórico presente na imagem. O que não se mostra é o processo de formação empresarial, como se algumas pessoas nascessem empresários e outras proletariados. Ou como se não houvesse nenhum trabalho da parte do empresário, que ocupa aquela posição por mera sorte ou por descobrir algum segredo do mundo, referente à como prender os trabalhadores na posição de proletariados.

Mas, visando ajudá-los nessa reflexão, vamos retroceder essa história para alguns anos atrás.

Paulo e Anderson trabalhavam em uma mesma fábrica (Paulo é o empresário da imagem, e Anderson é o trabalhador). Conversavam diariamente sobre como a empresa pagava mal seus funcionários, desmotivando os mesmos a trabalhar, e como os processos produtivos da fábrica eram obsoletos.

Contudo, aquela fábrica detinha de monopólio do mercado, algo que nenhum dos dois entendia. Os preços dos produtos eram altos. Vendiam cada mercadoria a R$ 170,00, mas pagavam a cada funcionário o equivalente a R$ 20,00.

Mudança de planos, de vida e de trabalho

Certo dia, Paulo notou que poderia se beneficiar da ineficiência daquele dono da fábrica. Ele, então, decide que, de seus 20,00 (que mal dava para Paulo alimentar a família), ele usaria apenas 10,00 para seu sustento e 10,00 ele investiria todos os meses para abrir concorrência à seu chefe. Anderson simplesmente achou absurdo: “como vamos sustentar nossas famílias?” dizia ele, e Paulo lhe respondia: “Basta que abandonemos o futebol de quarta, os Happy hours de sexta e apertarmos um pouco na comida”. Anderson aconselhava o amigo de que aquilo era loucura, que Paulo era um sonhador maluco, mas Paulo estava confiante.

Paulo começou a executar seu plano. Não levou muito tempo para que, com aquele racionamento, sua esposa que, de inicio, havia prometido lhe apoiar, o largasse para ficar com alguém que lhe desse uma vida mais digna. Paulo ficou arrasado, pensou em desistir várias vezes, gastou boa parte de suas economias se embebedando por uma semana seguida e se condenando por aquilo, visto que era casado há mais de 10 anos. Anderson todos os dias consolava Paulo, mas sempre lembrando que havia avisado. Mas Paulo, depois de algumas bebedeiras, resolveu levar seu plano a cabo: “agora vou até o fim, não tenho mais o que perder”, dizia Paulo para si mesmo.

Anderson permaneceu bancando seus lazeres e vivendo de forma apertada. Paulo, estressado, trabalhava mais quieto. Certo dia, Paulo pediu a seu chefe para fazer horas extras todos os dias, sem receber nenhuma adicional por dia. Anderson concluiu que Paulo estava louco de vez, chegou a chamar uma psicóloga para o amigo, mas Paulo tinha para si que ele queria aprender os procedimentos da empresa mais a fundo.

Num país burocrático e estatista, às vezes é preciso correr riscos...

Depois de alguns anos de vida dura, Paulo pediu demissão. Anderson conversou com o amigo para saber o que estava havendo, e Paulo lhe disse que daria o próximo passo de seu plano. Anderson reconhecia que Paulo, depois do sacrifício que fez para juntar dinheiro, até que havia feito uma opção razoável (mas dizia a si mesmo que jamais se sacrificaria dessa maneira). Mas, justamente por conta disso, dizia a Paulo para ele não arriscar todos esses anos “perdidos”. Aconselhava Paulo a pegar esse dinheiro e viajar, descansar, aproveitar um pouco a vida. Mas Paulo se manteve resiliente.

Após um longo período sumido, Paulo entra em contato com Anderson para marcar de bater um papo e fazer algo, visando retomar a amizade com o amigo. Assim, ambos se encontram e Anderson nota um cansaço em Paulo, mas uma imensa alegria. Anderson diverte Paulo por toda a noite, lhe conta como foi a abertura de sua empresa. Paulo conta que quase quebrou duas vezes, que se endividou além do capital que havia juntado, mas que já estava colocando as coisas em ordem. Sabendo da experiência de Anderson, Paulo lhe faz uma proposta: 

- Anderson, trabalhe em minha empresa. Estou com muitas dívidas e ainda não posso lhe pagar muito, ainda mais por conta de que estou vendendo barato para ganhar competitividade. Mas prometo lhe pagar mais, 30,00 por produto, e aumentar seu salário assim que possível”

 Anderson fica muito feliz. Ele imagina que, com 10,00 a mais por produto ele poderá aumentar a qualidade de vida de sua família sem comprometer seu lazer e topa na hora!

Com o passar do tempo, Anderson parabeniza Paulo. Ele conseguiu estabelecer uma empresa mais eficiente que aquela que trabalhavam. Sua margem de lucro era pequena, visto que pagava mais aos funcionários e vendia a um preço menor, mas o horizonte era promissor e, a cada dia, Paulo ganhava nova fatia de mercado.

A covardia dos amigos do poder público 

Paulo enfrentava, além da competição de mercado, pressão política, uma vez que o dono da fábrica em que trabalhou, hoje concorrente, era cunhado do prefeito da cidade. O prefeito e o dono da outra empresa viviam acusando Paulo de “competição depredatória”, e sempre tentavam formas de quebrar a empresa de Paulo, que sofria muito com burocracia, com tentativas de regulamentação sob alegações de que era preciso fiscalizar a qualidade, mas tentando de toda forma complicar as coisas para Paulo. Ele passou alguns anos de aperto, quando a prefeitura concedeu subsídios à outra empresa, mas sobreviveu comprimindo sua margem e mantendo o preço competitivo.


Mas as coisas poderiam ter dado errado para Paulo. Ele poderia ter perdido todo o tempo de sacrifícios que levou poupando dinheiro para abrir sua empresa, perderia esse dinheiro investido e ainda ficaria com dívidas absurdas, além de ficar sem emprego. Não obstante, ficaria muito mal visto na cidade, uma vez que o seu antigo empregador tinha prestígio por ser da mesma família do prefeito da cidade. Mas Paulo resolveu correr o risco!

Moral da história

Paulo se sacrificou, correu um risco gigante de ficar arruinado, mas conseguiu estabelecer uma empresa. Anderson passou a ganhar mais, R$ 30, mas desde o início da história não quis correr nenhum risco. Ele achou ótimo, agradece Paulo até hoje, pois seu salário não parou de aumentar. Reconhece todo dia a vitória de Paulo, todavia assume que jamais faria essa loucura. Os cidadãos da cidade ganharam muito com a empresa de Paulo, que vendia produtos melhores e mais baratos que o concorrente, que também baixou seu preço, apesar de ter sido por conta de um subsídio. Além disso, as ofertas de emprego aumentaram muito!

Mas, nem tudo são flores. Militantes de esquerda, ligados ao prefeito de partido trabalhista, vivem protestando em frente à fábrica de Paulo. Chamam Paulo de elitista, fascista e explorador. Já ameaçaram Paulo algumas vezes. A Prefeitura faz investidas contra Paulo corriqueiramente, mas apesar das dificuldades, Paulo se manteve firme até então.

Por fim, se você torceu por Paulo, parabéns! Você entende a importância do sacrifício de Paulo, entende os riscos que ele correu e os benefícios que ele gerou para toda a comunidade. Se você torceu contra, tem de rever alguns conceitos no que tange à coerência e opções de emprego para o trabalhador.

Leia o segundo artigo da série: A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO (II): A COMPLEXIDADE DO PROCESSO EMPREENDEDOR E SUA IMPORTÂNCIA.

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