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O pré-sal é nosso! E mais uma vez, o “neoliberalismo” tenta nos roubar



Por Vinicius Campos 

Todos os dias pela manhã, costumo abrir algumas notícias e dar uma lida antes de iniciar no trabalho. Talvez, devido ao país que vivemos, essa não seja uma prática muito saudável. Na maioria das vezes leio notícias que me remetem ao funcionamento do “mercado” brasileiro rendido à política. E nesta terça-feira não foi diferente, me causando um mal estar tremendo ao me lembrar do quanto tais fatos impactam na minha qualidade de vida.

A “bola da vez” de hoje foi o setor de combustível. A notícia disserta sobre a preocupação da Petrobras com o aumento de importação de combustível por empresas privadas. Isso acontece porque, segundo a matéria, a Petrobras está comercializando 46% acima do preço internacional, e as empresas como Ipiranga e Raízem, buscando melhorar suas margens, procuram insumos no mercado externo.

E por que a Petrobras não reduz os preços? Bem, os motivos são vários. Falta de competitividade logística, que encarece a escoação do produto, tentativa de recuperar o alto endividamento da empresa, alto custo de extração de insumos, entre outros. O mais irônico disso tudo é que, o alto custo de extração e alto endividamento da empresa estão intimamente ligados ao “nosso" pré-sal. A empresa se endividou (claro, além das quebras por conta da corrupção) para investir na operação, umas das mais caras em termos de extração, quando a tendência mundial é de o petróleo perder força como combustível motor, o que já vem acontecendo com a produção de veículos movidos a energia elétrica. Com isso, houve natural queda de preços que tornou a operação tão insustentável quanto a dívida da companhia impagável. Mas horas, o pré-sal não é "nosso?” Sim, então que paguemos 46% acima do preço mundial sem reclamar.

Os efeitos nefastos da intervenção do Estado no funcionamento do mercado ficam mais que evidentes. Temos combustível para ofertar, mas não podemos ofertar ao preço que o mercado oferta porque não temos margem para isso. De quem é a culpa? Tenho visto nas redes parte da comunidade política engajada postar que a Petrobras se tornou uma das maiores petrolíferas do mundo em volume de produção. A que preço? De que adianta ser uma das maiores do mundo com uma produção insustentável? De que adianta ser uma das maiores do mundo e ser uma das mais endividadas, com uma dívida impagável? Vários analistas, desde a época que se iniciou a operação do pré-sal já faziam alertas de que terminaríamos dessa forma. Mas o governo precisava de um grande projeto de poder para encher seus bolsos, e é muito pertinente nos lembrarmos de tal fato para ter em mente que nossos prejuízos não se limitam à corrupção.

Mas, não há com que se preocupar. O governo sempre tem a solução para o problema... Se a operação do pré-sal está cara, se a empresa está endividada e a concorrência está vendendo a preços menores, correndo o risco de quebrar a Petrobras, basta chamarmos essa concorrência de deprecativa, falar mal do “neoliberalismo” que escraviza a mão de obra e aumentar os tributos de importação. Assim, a Petrobras passa a ter margem para vender, uma vez que pagaremos mais caro. E, ficará claro que, como sempre, o Estado está "tentando ajudar", e o “neoliberalismo” ianque maléfico que "visa empobrecer" ainda mais os miseráveis... Estão apenas tentando "quebrar" nossa estatal para praticar preços mais altos. Como? Praticando preços mais baixos.

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