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O olhar no passado para entender o presente e planejar o futuro


Por Pedro Venâncio 

Conservadores normalmente são acusados injustamente de serem apegados demais ao passado, portanto retrógrados e incapazes de lidar com o mundo atual, suas mudanças e o futuro vindouro. Tal acusação, além de injusta, deriva de um equívoco que, proposital ou não, atrapalha os conservadores no seu crescimento dentro da sociedade por pintá-los como “velhos rabugentos e reclamões”, atributos nada agradáveis para se receber em um mundo inspirado pela tecnologia e pela inovação.

O fato é que nenhum conservador é avesso às mudanças e nem deseja viver preso no passado como muitos dizem, seja por desconhecimento sobre o conservadorismo, seja por desonestidade intelectual. Tudo o que o conservador quer, como a própria palavra diz, é conservar. Para isso, o conservador sabe muito bem que precisa entender como é sua sociedade para saber o que deve ser mantido e o que deve ser mudado.

Para conhecer e entender o porquê da sociedade e do país serem o que são e estarem onde estão, é essencial saber o que provocou tudo isso. E a resposta está basicamente no passado. Ao passado os conservadores recorrem para entenderem porque a política é deste modo, o porquê de a sociedade ter certos comportamentos, o porquê de certos costumes terem se enraizado e outros terem se perdido ao longo do tempo.

Sendo assim, o conservador busca entender o que foi feito, deu certo e continua dando para preservá-lo, mas isto em nada significa que o conservador não gosta de mudanças, que é um dos rótulos mais comuns que este grupo recebe vindo desde liberais, passando pelos socialistas até os anarquistas e anarco-capitalistas. Então, como o conservador age diante da mudança se ele somente deseja preservar o que é bom?

O conservador não teme a mudança, no entanto ele é altamente prudente em relação a ela, pois, como explica o intelectual conservador Roger Scruton diretamente do livro “Como ser conservador”:

“O conservadorismo advém de um sentimento que toda pessoa madura compartilha com facilidade: a consciência de que as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não facilmente criadas”.

É justamente a capacidade de entender que destruir é mais fácil que construir que leva o conservador a ser cauteloso, prudente e criterioso quanto à mudança. O conservador não está contaminado pelo romantismo da ideologia que vê o mundo pelo o que deveria ser, e não pelo que é, que busca a mudança pela mudança para “melhorar o mundo” e “fazer um novo homem”.

Ao entender que mudanças tem consequências, o conservador analisa, estuda, verifica e analisa novamente para ter certeza de que aquela mudança será algo positivo, não uma coisa que levará a problemas que podem ser extremamente graves e que podem simplesmente matar uma sociedade inteira nos mais variados aspectos.

O conservador é chato neste sentido, pois é maduro e entende o mundo e as pessoas como eles são, e sabe muito bem que não se deve mexer arbitrariamente em nada. Edmund Burke foi ostensivamente contra a revolução francesa, não porque ele gostava da monarquia absolutista, mas porque sabia que aquela mudança não estava sendo feita do jeito certo que levaria a França para uma situação pior. A “republica do terror” dos jacobinos e Napoleão provam que Burke estava com razão em seu ceticismo, e que aqueles que o criticaram eram os que estavam errados de fato.

O conservador não vive no passado, não teme a mudança, mas como ele faz para planejar o futuro?

O conservador, por meio da análise do passado junto ao presente, determina o que deve ser mudado, como deve ser mudado e se deve ser mudado. Ao fazer o paralelo entre ontem e hoje é possível saber o que devemos manter, o que evitar e o que mudar, numa busca pelo equilíbrio entre a mudança e a tradição, não ficando nem parado no tempo e nem sendo um vanguardista romântico inconsequente.

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