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Juventude, controle e conhecimento



Por Matheus de Sá

É notória a euforia juvenil e sua ânsia por mudança e aplicação eficiente de suas ideias. Desde o período anterior ao Regime Militar, a classe estudantil brasileira, através dos meios disponíveis, realiza os mais diversos atos em favor de suas crenças e em repúdio a pontos de vista divergentes. O calor e a energia, típicos da juventude, contribuem para que o ativismo e a voz dos indivíduos cresçam de maneira significativa. Mas o ponto crucial a ser analisado é que, em parte considerável dos estudantes, há a ação de forças externas que influenciam o indivíduo a adotar ideias e opiniões pré-moldadas, e levam o mesmo a, inconscientemente, aderi-las sem uma análise profunda e específica que leve a uma conclusão sensata e pessoal.

Ao estudarmos, por exemplo, os escritos do intelectual marxista Antonio Gramsci, conclui-se que muito do que assistimos hoje no âmbito educacional, cultural e midiático do ocidente não é, na verdade, fruto de um avanço e uma transformação espontânea da sociedade, mas sim a aplicação eficiente do projeto arquitetado e pensado pela Escola de Frankfurt e seus adeptos. A juventude, propositalmente, é a mais afetada; o turbilhão de ideias jorradas sobre ela e a pressão covarde em aceitá-las cancela o senso crítico dos estudantes e dificulta a formação intelectual e um pensamento próprio e consistente, tornando-os reféns de seus futuros ditadores.

Como diz o Professor e Filósofo Olavo Luiz Pimentel de Carvalho em seu artigo ‘Doutrinação Difusa’: “Um público que está contaminado de doutrinação marxista até a medula não tem, por isso mesmo, a menor ideia de que está sendo doutrinado. A primeira etapa da doutrinação é puramente cultural, difusa, e não visa a incutir no sujeito a menor convicção política explícita, mas apenas a moldar sua cosmovisão segundo as linhas básicas da filosofia marxista, sem este nome, naturalmente, e apresentada como se fosse ‘o’ conhecimento em geral...” [1]

Exemplo claro são as ocupações às escolas promovidas por estudantes do estado de São Paulo e Rio de Janeiro. Reivindicava-se, supostamente, maior qualidade e investimentos no ensino público. E os grupos se posicionavam contrários às mudanças previstas pela administração do Estado para a educação. A questão é que, basta observarmos com um pouco de curiosidade esses movimentos para que enxerguemos a intenção velada dos grupos. A manifestação pacífica, respeitosa e organizada foi substituída por violência, vandalismo e, ironicamente, falta de educação.

É possível interpretar que tais estudantes foram instigados a participar de tais ações por seus professores marxistas e por movimentos sociais que, de certa forma, possuem determinada influência sobre alguns desses jovens. Quase não há entre esses indivíduos a real consciência sobre o verdadeiro significado desses atos. Muitos desses que se dispuseram a participar não estão minimamente preocupados com os estudos e a formação de um pensamento intelectual próprio, original e independente. 

Movimentos que ganharam forte destaque nos últimos anos foram as manifestações de 2013 e 2015. Embora com objetivos distintos e pontos de vista muitas vezes antagônicos, ambos reuniram forte contingente de jovens. Os movimentos do ano de 2013 focaram em questões abertamente defendidas pela esquerda, como a redução da tarifa dos transportes ou mesmo a sua extinção. Contudo, com o decorrer do tempo, outras pautas foram agregadas e o movimento transformou-se em uma confusão devido à brutalidade de determinados grupos extremistas que aproveitaram o contexto para promover o caos; sendo, adivinhe só, compostos, majoritariamente, por jovens radicais de esquerda, desde colegiais até universitários.

Ao contrário de 2013, os movimentos de 2015 reuniram famílias de todas as classes e religiões e, em especial, vários jovens protestando contra a administração da época e a corrupção que tomou conta da maquina pública. Havia ali estudantes das mais diversas correntes, de libertários a conservadores, de monarquistas a republicanos; tal fato representa a quebra e o enfraquecimento da hegemonia marxista no meio educacional e o protesto contra a opressão e a intimidação sofrida nesses locais, desestabilizando assim o movimento imbecilizador que paira sobre o ocidente.

Conclui-se que, de fato há estudantes interessados, curiosos e sedentos por conhecimento. E estes mesmos estudantes é que estão revolucionando de forma gradativa nosso meio educacional. Mas ainda há fortes razões para manter constante vigilância. As ações inconvenientes e absurdas do Ministério da Educação em administrações anteriores somadas ao mau-caratismo, a incompetência, a canalhice e a desonestidade de militantes, ditos professores, que estupram intelectualmente seus alunos todos os dias, são motivos suficiente para manter acesa a luz da desconfiança. Sem mencionar o fator mídia e, em especial, a cultura imbecilizante promovida e financiada pelo Estado e seus burocratas que, em minha sincera opinião, não vale os milhões investidos com dinheiro suado do trabalhador brasileiro.

Neste país, ter um pensamento independente e defender incisivamente, em determinados locais, posicionamentos contrários aos da esquerda é um ato de coragem e digno de aplausos. Não há possibilidade de uma verdadeira mudança impulsionada pela juventude enquanto a mesma não aprender a pensar com suas próprias cabeças ao invés de adotar discursos prontos.
  
É propício encerrar essa exposição com um trecho do que diz o Professor Olavo de Carvalho em seu artigo ‘Espírito e Personalidade”: “...a conquista de uma personalidade intelectual num ambiente que desconhece a mera existência dessa possibilidade humana -o caso, sem dúvida, do meio universitário brasileiro hoje em dia - é fonte de inumeráveis dificuldades psicológicas para o estudante, a começar pela quase impossibilidade de encontrar pessoas do mesmo nível de consciência com as quais possa ter diálogo e amizade. A personalidade intelectual só pode ser compreendida desde outra personalidade intelectual: o diálogo com indivíduos desprovidos dela é uma transmissão sem receptor, a ocasião de mal-entendidos e sofrimentos sem fim”.[2]

[1] O. de Carvalho; A Nova Era e a Revolução Cultural
[2] O. de Carvalho; O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota

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