Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

[Um Ano do Impeachment] Eletrobras: a empresa que foi assassinada por Dilma Rousseff


Por Ana Zanatta

“Quando uma pessoa ou empresa gasta mais do que arrecada, vai à falência. Quando um governo gasta mais do que arrecada, ele te manda a conta.” Ronald Reagan

A Eletrobras acumulou um prejuízo de R$ 13 bilhões em 2012 e 2013. Em 2010, a estatal valia R$ 46 bilhões, em 2014 desabou para R$ 11 bilhões ainda no primeiro semestre. Em apenas um mandato, Dilma conseguiu destruir “a Petrobrás do setor elétrico”. Em outubro de 2014, com a Operação Lava Jato já em curso, o eleitor brasileiro, ou a Smartmatic, elegeu novamente a assassina que matou o país, para que ela pudesse esquartejar e queimar o corpo também. A ideia para salvar a Eletrobras? Intervenção estatal não está funcionando, mas estamos interferindo pouco, vamos interferir mais...

Antes que 2015 iniciasse foi anunciado que a tarifa de energia elétrica passaria a ser mais cara. E o brasileiro deveria ser compreensivo com a bandeira vermelha, afinal, a estiagem fez baixar o nível dos reservatórios de água. Não era culpa do governo, que se preocupa com o povo, era culpa da natureza. Enquanto alguém não inventa uma forma de estocar vento, é preciso aprender a conviver com esses percalços.

O ano de 2016 está no seu quinto mês e a auditoria de 2014 e 2015 da Eletrobras ainda não foi finalizada devido às investigações da Operação Lava Jato sobre as obras das usinas de Belo Monte e Angra 3, de responsabilidade da construtora Andrade Gutierrez. Mas há estimativa de que a dívida da Eletrobras chegue a R$ 40 bilhões. Quanto vale a companhia estatal hoje? Muito menos que valia antes da reeleição de Dilma Rousseff. E caindo.


Quando um produto está em escassez no mercado seu preço tende a subir. A eletricidade, como um serviço de primeira necessidade, mantém sua demanda pouco alterada, mesmo em momentos de crise, mas o governo, que controla o setor elétrico e praticamente o monopoliza, não está ofertando energia elétrica suficiente. Digo que o setor é quase um monopólio estatal devido à grande regulação e às concessões, que não são privatizações genuínas. Consumidores industriais, por exemplo, podem participar de leilões de energia, o que permite flexibilização de tarifas e volumes, mas consumidores residenciais não têm escolha. Por conta disso, essa interferência estatal impacta no brasileiro comum que compulsoriamente deve contratar o serviço determinado pelo Estado, senão ficará sem energia elétrica.

Nessas horas, muito se fala em geração distribuída, em energias renováveis, em redes inteligentes e outras soluções inovadoras, mas pouco se fala na efetiva liberalização do mercado de energia elétrica, um processo que foi finalizado na Europa há mais de uma década. Na maioria dos países europeus, o Estado ainda possui alguns organismos de regulação e/ou fiscalização, mas qualquer consumidor pode escolher qual empresa prestará o serviço na sua casa ou empresa. É a livre concorrência fazendo mais pelos pobres que qualquer medida keynesiana.

Não é difícil imaginar petistas culpando a população pela falta de energia elétrica, pedindo que a população gaste menos energia elétrica, apelando para o drama ambiental e promovendo apagões coletivos. Isso tudo antes que o racionamento de energia elétrica se torne realidade. Uma pena que sem energia não haja produção e sem produção não haja crescimento econômico. Mas para quem acredita que economia é um jogo de soma zero, não adianta nem tentar explicar isso. O socialismo ainda é um fantasma que assombra o Brasil e não foi afastado com o queda de Dilma Rousseff.

O esquerdista até pode dizer, por ignorância, que não come dólar, que não come petróleo, mas não pode ficar sem eletricidade. Quem estava torcendo para que a crise quebrasse os empresários capitalistas malvadões vai quebrar a sua própria cara. Os crony capitalists das empreiteiras podem até falir e ser presos, mas quem vai pagar o rombo da Petrobrás e da Eletrobras é o pagador de impostos. Sim, é você, amiguinho, caso trabalhe e não viva mamando nas tetas do governo.


Sugestões de Leitura:
1) O papel da regulação na liberalização do setor elétrico português
2) A "liberalização do mercado energético em Portugal" - verdadeira concorrência?

---------------
P.S. 1: A Usina de Belo Monte é um projeto cuja única finalidade foi lavar dinheiro para as campanhas eleitorais do PT em 2010 e 2014, e continuaria sendo para os próximos anos, caso a "presidanta" não tivesse sido afastada do cargo. Por causa do "mimimi" de artistas e ambientalistas, a usina está sendo construída praticamente a fio d’água, ou seja, a vazão necessária para movimentar as turbinas depende da energia potencial da queda d´água natural e não da barragem, pois, além do relevo, a “necessidade” de preservar a flora, a fauna e os indígenas do lugar impediram que o projeto resultasse em uma digna usina hidrelétrica. Por esses fatores também, as turbinas e geradores ficarão desligados a maioria dos meses do ano, embora a inércia a ser vencida para ligar e desligar máquinas do tamanho das instaladas em Belo Monte seja monumental. Mesmo assim, o pleno funcionamento da usina só está previsto para 2019, ou seja, mais de dez anos de lavagem de dinheiro descarada.

P.S. 2: Esta crônica foi publicada originalmente no dia 19/05/2016.


Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.