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Cuidar da cultura é responsabilidade do povo, não do governo


Por Pedro Venâncio

Uma das primeiras medidas do governo de Michel Temer que vem chamando a atenção e despertando a ira da esquerda e dos beneficiários da Lei Rouanet é o “fechamento” do ministério da cultura (ou seria propaganda?). Primeiramente, desfazendo a desinformação esquerdista: o ministério da cultura não foi fechado, mas transformado em secretaria. No entanto, a iminência do fim da renda fácil deixou toda a classe artística esquerdista em pânico.

Infelizmente, o controle do governo na cultura ainda existe e muitos, até mesmo alguns que se dizem de direita, estão revoltosos com a perda de força desta pasta. O fato é que um ministério da cultura é algo completamente desnecessário, dispendioso e que em nada cumpre com seus supostos propósitos.

As pessoas que defendem a existência deste ministério alegam que ele é fundamental para fomentar a cultura, ou seja: para estas pessoas, o Estado deve intervir na cultura da população, supostamente tornando-a mais popular e incentivando as pessoas a seguirem-na. Mas sabemos bem que a iniciativa privada junto a sociedade sempre conseguiram estimular a cultura por meio de fundações culturais criadas por empresas e empresários que só não criam mais projetos justamente pela intromissão do governo e os empecilhos fiscais que atrapalham a alocação de recursos para tal setor.

No entanto há um problema nisso. A cultura é, em essência, a manifestação voluntária na sociedade de práticas e hábitos. Tais praticas, seja música, dança, religião, mitologia, linguagem, gastronomia, vestimenta e outros ganham aderência da sociedade quando ela se identifica com elas e sente-se ligado a elas e a quem as pratica: assim uma cultura surge e se estabelece desde os tempos mais primitivos.

É essa a "cultura" que o governo fomenta com o seu dinheiro

Uma cultura verdadeiramente do povo é exercida por ele livremente devido ao sentimento de identidade com ela e com as demais pessoas que a praticam. Quando alguém, no caso o governo, tenta estimular (leia-se induzir) a população a aceitar filmes nacionais, por exemplo, quando esta não os quer porque não se identificam com eles, não há incentivo à cultura, há indução; as pessoas estão sendo forçadas a aceitarem algo que não querem por meio de leis cobertas em boas intenções, mas que somente expandem o controle do governo sobre cada indivíduo.

Os defensores do Ministério da propaganda, digo, cultura, alegam que ele é importante para ajudar a promover os artistas do país e ajuda-los a ter fama e destaque. Nada poderia ser mais falso. O fato é que um artista conquista a fama quando seu trabalho gera valor, ou seja, quando as pessoas querem o que este artista faz. Todo artista que consegue gerar valor acaba conquistando seu espaço, e consequentemente a fama.

O governo, ao dar incentivos como a infame Lei Rouanet, faz com que artistas que ninguém gosta ou vê valor no trabalho dele acabem ganhando espaço no mercado, poluindo o setor com gente que nenhuma pessoa gosta (ou você acha que Tico Santa Cruz se mantem no mainstream porque é bom?). É justamente por isso que cada vez mais os brasileiros preferem o entretenimento estrangeiro, pois no nacional não encontram nada que gostam e ainda por cima são forçados a aguentarem o que não querem - seja por cota mínima de salas no cinema, seja por cota mínima na televisão fechada - e veem seus impostos bancando cantores de qualidade muito questionável.

Outro problema do incentivo a artistas por parte do governo é o fato dele ficar preso às obrigações do seu mecenas. O governo, ao financiar o artista, exigirá uma contrapartida, ou seja, exigirá que sua produção seja voltada de modo a defender, mesmo que de forma velada, aquele que o financia. Por isso não há surpresa alguma quando vemos uma horda de artistas defendendo o governo anterior e militando por ele, pois precisam retribuir as verbas milionárias que recebem para shows, álbuns e demais projetos. Neste aspecto de militância, o já citado Tico Santa Cruz junto com Caetano Veloso, Chico Buarque e Beth Carvalho são os melhores exemplos do que estou a dizer por aqui; os artistas viram propagandistas da agenda ideológica do governo.

No final das contas, o ministério da cultura seria bem mais honesto se fosse chamado de ministério da propaganda, que é exatamente como o DIP do governo Vargas exceto por uma diferença mínima: o DIP era mais honesto e explícito na sua intenção, diferente do atual que se traveste de mecenas do bem que busca a valorização da cultura brasileira e o reconhecimento dos artistas, mas na verdade não passa de um ministério da propaganda cuja única missão é cooptar artistas para que eles promovam sua agenda e seu projeto de poder.

Não deve haver ministério da cultura, secretaria ou qualquer coisa equivalente, pois a cultura surge e se mantém espontaneamente por meio da própria sociedade. As pessoas darão todo respaldo aos artistas com os quais elas se identificarem. A existência desse ministério tem por única utilidade servir de veículo de propaganda para o partido e a ideologia instalados no poder, onde artistas e a indústria do entretenimento são comprados não para promoverem cultura, mas para promoverem ideologia. Sem um ministério da cultura, não teríamos coisas infames como os “macaquinhos” e nem artistas de péssima qualidade ocupando espaço e degradando a cultura em nome da propaganda ideológica.

Um comentário:

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