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A Direita Liberal mostra sua identidade. Confira o resultado do Censo!


Por Wilson Oliveira

No último dia 25 de abril, Helio Gurovitz, do portal G1, publicou em sua coluna um artigo com o seguinte título: "O renascimento da direita no Brasil". No texto, a foto de ilustração trazia o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com o dedo em riste, num momento de fala diante de um microfone. Imagem bastante sugestiva, ainda mais se lembrarmos que a polêmica do momento envolvendo o parlamentar é a citação, na hora do voto pelo impeachment, a Brilhante Ustra, comandante do exército acusado de ter promovido uma série de torturas na época do regime militar no Brasil.

Não é de hoje - aliás, é desde a época dos governos militares - que o lado direito do espectro político é conectado com militarismo quando se fala em política no país do samba, do futebol e da festividade. Esse é um dos retratos mais fieis da ignorância e da imaturidade política reinante em terras brasileiras, o que perigosamente também é objeto de causa nas salas de aula de escolas e das universidades. Mas já dando um sinal, ainda que tímido, de avanço no conhecimento, o próprio jornalista Gurovitz tratou de abordar diferentes vertentes da direita em seu texto. Ele listou quatro grupos: direita econômica; direita religiosa; direita nacional-militarista; direita fascista.

A última é um verdadeiro contrassenso. Na Europa, continente onde o fascismo nasceu, viveu e morreu, o regime de Benito Mussolini era tratado como "terceira via". Não era exatamente de esquerda porque tinha a pretensão de combater justamente aquilo que representava a esquerda no mundo: a União Soviética. E também não era de direita pois, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, também se colocou contra os dois países que representavam os pilares da direita no planeta: os Estados Unidos e o Reino Unido [1].

As outras três representam, na verdade, um erro de leitura que precisa ser consertado. Assim como na esquerda, com o comunismo numa ponta e a social-democracia na outra, na direita temos a centro-direita e a extrema-direita. A primeira é representada por várias correntes: liberalismo clássico, conservadorismo político, democracia cristã são as mais representativas. A segunda é mais restrita à Europa e seus partidos são extremamente nacionalistas - contra a União Europeia, contra a imigração, contra a cooperação mútua entre os países e contra os acordos de livre comércio. O que andava em falta mas está nascendo no Brasil é a centro-direita, sobretudo o liberalismo clássico, uma vez que o conservadorismo e a democracia cristã nunca ficaram ausentes da tradição popular brasileira, ainda que na política nossos partidos atuais tenham se formado do centro para a esquerda.

No grupo do Facebook chamado Direita Liberal (criado e administrado por este autor que vos escreve, em parceria com os também colunistas deste Capitalismo & Liberdade Ana Zanatta e Pedro Venâncio, além dos amigos Filipe Morais e Silas Romanha), foi realizado um censo para identificar o perfil daqueles que se sentiram atraídos pelo único grupo na citada rede social que segue, claramente, os preceitos de centro-direita. Foram 648 participantes, no período que se estendeu do dia 29 de março até 30 de abril. As perguntas foram desde gênero e orientação sexual, faixa etária, religião, renda pessoal mensal, cor de pele, Estado até o perfil político, com mais outra sequência de perguntas que englobaram temas de fundamental importância.

Questões políticas

A maioria massacrante de perguntas tiveram respostas preferidas por esmagadoras maiorias: 86,4% concordam com o fim do financiamento público; 92,6% querem a revogação do estatuto do desarmamento; 92,6% defendem o fim das cotas raciais; 86% querem a privatização de todas as empresas estatais; 74,4% pedem o limite de reeleições no legislativo; 89,5% desejam o voto facultativo; 79,9% pedem que o serviço militar seja opcional; 89,5% defendem a redução da maioridade penal; 97,5% assinalaram pelo fim da obrigatoriedade da contribuição sindical; 88,6% querem que a negociação entre empregados e empregadores seja livre de intervenções do governo; 83% querem a liberação dos jogos de azar; 82,1% concordam com o ensino infantil domiciliar (homeschooling); e 85,8% defendem a privatização de todos os presídios.

É claro que também existem aquelas questões cuja maioria não se formou com uma margem tão ampla como as pautas do parágrafo anterior. Por exemplo, 64,2% concorda com a descriminalização da maconha, enquanto 24,1% discorda e 11,7% não tem opinião formada. Quando a pergunta foi sobre a descriminalização de todas as drogas, o jogo virou: 52,6% discorda, 31,8% concorda e 15,6% não tem opinião formada. Já sobre a descriminalização do aborto, 54,5% discorda, 30,7% concorda e 14,8% não tem opinião formada.

O economista escocês Adam Smith (1723 - 1790) é
considerado o pai do Liberalismo Clássico
Partido NOVO é o favorito, mas maioria não é filiada a nenhum

Como já era de se esperar, o Partido NOVO tem a maioria de filiados entre os integrantes do grupo Direita Liberal: são 16,7% dos membros. O segundo é o PSDB, mas com apenas 2,8%, seguido do PSL, com 1,9% e do DEM, com 1,1%. O PSC atingiu 0,5% e o PP 0,3%. Mas a ampla maioria, formada por 75,2%, disse não ser filiada a nenhuma sigla.

Porcentagem parecida apareceu na pergunta sobre a participação de grupos político-ideológicos. Incríveis 72,7% disseram não participar de nenhum, enquanto 13,3% disseram fazer parte do Instituto Liberal; 8,6% do Movimento Brasil Livre; 6,9% do Estudantes Pela Liberdade; 4,2% do Vem Pra Rua e 4,8% da opção "outros".

Na pergunta sobre o termo usado para se classificar politicamente, foi possível encontrar o maior equilíbrio de todo o censo. Enquanto 36,1% disse ser liberal-conservador, 24,5% respondeu que é liberal clássico. O termo libertário também apareceu com força: 20,1%, enquanto 7,7% são minarquistas; 5,6% conservadores e 1,5% ordoliberal. A opção "outro" ficou com 4,5%.

Perfil pessoal

Uma resposta que talvez seja a que mais mereça atenção é a de gênero. Apenas 7,4% de mulheres contra 92,6% de homens. Na questão da orientação sexual a proporção segue parecida: 90% de héteros e 6,2% de homossexuais. Mas há um terceiro grupo, o de bissexuais, que corresponde a 3,9%. Na faixa etária, a ampla maioria está entre 19 e 30 anos. São 34,6% que possuem entre 19 e 25; e 17,1% com 26 a 30 anos.

Na religião o maior grupo é o de católicos, com 25,9%. Em segundo lugar ficou o de agnósticos, com 21,5%. O terceiro grupo com mais adeptos é o de protestantes, com 17,9%. Os ateus ficaram em quarto, com 15,1%. Mais abaixo vêm os espíritas, com 7,6%. O judaísmo ficou com 1,4%, o budismo com 1,2%, o umbandismo com 1,1% e o candomblé com 0,2%. Ainda 8% votaram na opção "outros".

Na faixa de renda pessoal mensal, 27,8% responderam que recebem mais de R$ 5 mil, enquanto 21,5% disseram que recebem menos de R$ 1.000. Os que recebem entre mil e dois são 19,1%, os que recebem entre dois mil e três mil são 14,8%, os que recebem entre três e quatro mil são 10%, e os que receberem entre quatro e cinco mil representam 6,8%.

Para falar sobre os estados da federação, os mais votados foram São Paulo, com 29,5%; Rio de Janeiro, com 15,9%; Rio Grande do Sul, com 10,6%; e Minas Gerais, com 8,6%. Na pergunta sobre a cor de pele que a pessoa considerava ter, 71,5% respondeu branco; 24,5% disse pardo; 3,1% respondeu negro; 0,6% oriental e 0,3% índio. 


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[1] URSS, Reino Unido e EUA lutaram, juntos, na Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha Nazista e a Itália Fascista - e esse fato parece ser esquecido por aqueles que se apressam em colocar o nazismo e/ou o fascismo como direita ou esquerda. Mussolini e Hitler foram derrotados e depois o mundo viu a verdadeira disputa entre a esquerda e a direita no que ficou conhecido como Guerra Fria, período em que os Estados Unidos travou uma batalha sem enfrentamento bélico com a União Soviética e se saiu vitorioso.

Um comentário:

  1. Muito bom o artigo. Somos nós, avançando sobre essa ideologia atrasada que impera nesse país.

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