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O caminho vai se abrindo para Marina

Por Pedro Augusto 

Dois eventos podem dizer muito sobre as eleições presidenciais de 2018: o futuro da Lava-Jato e o impeachment de Dilma Rousseff.

Segundo uma pesquisa recente do Datafolha, Marina Silva (Rede), e que ficou em terceiro lugar nas duas últimas eleições presidenciais, ganhou forças e está à frente em qualquer cenário.



Os diversos possíveis candidatos e as consequências da política apontam para o fortalecimento eleitoral de Marina. Ela não está envolvida em nenhum escândalo e mesmo que timidamente, resolveu apoiar o impeachment. Só isso não basta. Além do mais, Marina tem sua religião a seu favor. Assumidamente evangélica, ela encarna um sonho dos protestantes brasileiros: um presidente assumidamente cristão. Somado isso, pessoas que tem uma certa simpatia com essa corrente religiosa e outras que enxergam honestidade nela são possíveis eleitores, como também pessoas que tenham algumas identificações com uma esquerda que se aproximam do centro, levando a ela grande parte dos desiludidos com o PT.

Se Dilma Rousseff sair e Lula for preso, coisas bem prováveis de acontecer, será o fim do PT, mesmo que temporariamente. O partido está desgastado. Grande parte da população desaprova Dilma e está abismada com o desenrolar da Lava-Jato. Somado a isso, o partido atualmente não tem um nome forte para se reerguer. Com este provável cenário, poucos serão aqueles que ainda votarão no PT, indo boa parte de seus eleitores para Marina Silva ou quem sabe para alguém do PSOL, que conquista principalmente a juventude.

Como foi noticiado, o PMDB do Rio de Janeiro já optou por não estar na base do governo Dilma. É provável que o resto do partido faça o mesmo por um motivo óbvio: o PMDB tem um considerável número de deputados na Câmara. Haveria um número maior de votos para o impeachment de Dilma, que traria Michel Temer à presidência e daria mais poder para o partido. Temer não tem carisma e dificilmente ganharia as eleições, exceto por um motivo: se melhorar o ambiente econômico no pouco tempo que lhe restará de governo.

Já falaram de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, ser um nome. Porém, Temer na presidência seria mais conhecido pelos brasileiros que Paes. Resumindo: Temer só ganha se der uma boa melhorada na economia. O que é difícil, mas não impossível. Mais um ponto para Marina?

Por outro lado, há o PSDB. Em seu blog no jornal O Globo, Lauro Jardim informou que Aécio Neves pode ser o peixe grande dos tucanos investigado na Lava Jato. As pessoas já estão, ou melhor, sempre tiveram um pé atrás com ele, ainda mais por estar na lista da Ordebrecht. Aécio é o único nome do partido que tem chances de ganhar as eleições. José Serra não tem popularidade e carisma. Geraldo Alckmin muito menos, além de ter sua aprovação diminuída pelos paulistas.

Para dificultar ainda mais o PSDB, existe a possibilidade do partido Novo lançar um candidato. A direita está crescendo e grande parte dos eleitores desta vertente votam nos tucanos por serem a oposição do PT. Um candidato do Novo abarcaria uma parcela dos votos dos direitistas, tirando votos do PSDB. Ou seja: os tucanos saem enfraquecidos, enquanto Marina não.

Correndo pelas beiradas, temos Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que mudou de partido justamente para disputar a presidência. Talvez ele nem ganhe, mas uma coisa é certa: este tem tudo para surpreender. Bolsonaro receberá os votos da outra parcela da direita e ele é a personificação daquele brasileiro que não se interessa tanto pela política gosta. Ele é politicamente incorreto, defende pautas que muitos defendem como o porte de armas, diminuição da maioridade penal, penas mais duras para certos crimes etc.

Outra coisa em Jair que agrada - e muito - as pessoas é o tom que ele fala sobre os criminosos. Dentre esses e outros motivos, como ser bem direto ao ponto e não ter medo de falar certas coisas, Bolsonaro é alguém que conquistará quem está desiludido com a política, ainda mais por nunca ter sido citado em esquemas de corrupção. Isso pode conquistar muitos eleitores e colaborar também para o PSDB perder votos. Mais uma vantagem para Marina.

O PSOL deve lançar seu candidato, mas não ganhará. Ele será um partido grande, mas em daqui uns 10 ou 15 anos. O máximo que eles farão é tirar uns votos de Marina dos ex-eleitores do PT.

Já ouvi falar que Cristovam Burque também vem como candidato. Acho difícil ganhar. Ciro Gomes é outro, mas a única possibilidade é de repente tirar alguns votos do PSDB ou de Marina, isso se ele não se aliar a ela.

Óbvio que ainda há muita água para rolar até 2018, mas a cada momento o ambiente fica mais favorável para Marina Silva. Mesmo se Aécio não for investigado pela Lava Jato e vir em 2018, Bolsonaro e o partido Novo tirarão grande parte dos eleitores tucanos, abrindo espaço para Marina. A não ser que haja uma reviravolta muito grande, creio que o caminho está cada vez mais aberto para a segunda mulher presidente do país.

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