Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

Os EUA entrarão em crise. E este é o minimo que você precisa saber sobre ela

Por Pedro Augusto

O economista norte-americano Peter Schiff, que foi um dos poucos a prever a crise de 2008, voltou a alertar em seu canal no YouTube sobre um novo período de recessão. Segundo ele, O FED está tentando esconder os fatos para não prejudicar a campanha de Hillary Clinton.

Vamos voltar no tempo para entender a gravidade da situação. Em 2001, os EUA estavam se recuperando da bolha da Internet que teve seu auge em 2000. Como você deve saber, no dia 11 de setembro de 2001 um grupo de terroristas atacou a Word Trade Center. Após o ataque, o mercado ficou duvidoso quanto à investir nos EUA. O então presidente da época, George W. Bush, pediu que os cidadãos fossem às compras. Para estimular o mercado, o FED diminuiu a taxa de juros de 6,5% para 1,75. Em 2003 ela chegou a 1%. 


Uma parte do mercado, que foi o responsável pela crise, em especial se destacou muito: o imobiliário. Com as taxas de juros menores, os empréstimos ficaram mais baratos e assim ficou mais fácil adquirir um imóvel garantidos pelas para-estatais Freddie Mac e Fanie Mac. Mesmo que o comprador não apresentasse garantias financeiras de poder arcar com os custos. Como os empréstimos ficaram mais baratos, mais pessoas passaram a comprar casas, logo, os imóveis valorizavam e ficavam mais caros. Inclusive, muitas pessoas compravam casas só para revendê-las no futuro, pois sabiam que ela valorizaria.

Chegou um momento que as casas ficaram muito caras (aumentando cerca de 10% ao ano) e o setor começou a desacelerar. Além do mais, muitas pessoas começaram a dar calotes. Conclusão? Crise. Óbvio que não é tão simples assim, mas procurei simplificar o máximo possível a explicação, até porque esta crise não é o foco da matéria. É um fato que levará a ela. Veja um gráfico apontando o aumento dos preços dos imóveis.



Enfim, ao passo que o governo estimulava o crédito, ele gastava muito, tanto com essa área como com as guerras do Iraque e do Afeganistão. Bush, em sua gestão, acumulou de dívida mais que todos os presidentes anteriores, de George Washignton (1789-1797) a Bill Clinton (1993-2001). É bom lembrar que para estimular o mercado e aumentar o crédito, mais dinheiro emprestado era pego pelo governo. No auge da crise em outubro de 2008, Bush conseguiu junto ao Congresso um pacote de 700 bilhões de dólares e mais outros bilhões para salvar a General Motors e Chryster. Como já foi citado, e é bom repetir, somados aos custos das guerras e a esses pacotes de estímulos de 2008 e de anos anteriores, temos um grande aumento da dívida.

Em 2009, o atual presidente Barack Obama começou sua gestão prometendo resolver a crise econômica. E qual foi a primeira decisão diante a taxa de juros? Abaixa-la novamente, ou seja, a mesma atitude de Bush para recuperar a economia em meio aos ataques terroristas e a bolha da internet. Em fevereiro daquele ano, Obama anunciou um outro pacote de estímulos de 787 bilhões de dólares. Mais dívida acumulada pelo governo. 

No total até 2014, foram 10.000 bilhões de dólares em pacotes de resgates financeiros. Esse valor é mais que somados os custos da Primeira e Segunda Guerras Mundiais; Guerras do Vietnã, Coréia e Iraque; New Deal; viagem à lua e Plano Marshall.

Aparentemente os EUA se saíram bem da crise. O desemprego em 2015 ficou estabilizado aparentemente. Porém, em 2016, como apontou Schiff, as coisas estão começando a mudar. De vários problemas que surgiram nestes anos, há o aumento da dívida norte-americana. Durante esses sete anos da presidência a dívida dobrou e só em sua gestão foi acumulado de dívida mais que todos os presidentes anteriores desde a fundação da América.

Dentre as causas disso, há o aumento de gastos do governo, subsídios e resgates de empresas. Para Anthony B. Kim, do Heritage Foundation, nestes últimos anos os salários tiveram queda, poderiam ter sido gerados mais empregos e a economia poderia ter um melhor desempenho se impostos, como os das empresas, não tivessem aumentado. Lembrando que a carga tributária não parou de crescer desde 2009. Lembre-se que quanto mais tributos, menor ficar o seu poder de compra.

Os EUA ainda estão gerando empregos e aparentemente mostram que a economia vai bem. No entanto, a grande parte dos postos de trabalhos gerados são de meio período ou menos, o que obviamente faz os empregados terem menores salários. De acordo com Schiff, grande parte dos empregos gerados em março são de meio período e que 60% das vagas foram ocupadas por pessoas que já tinham outro emprego de meio período, o que não representa um grande aumento de novas pessoas empregadas, o que colabora com o novo aumento das taxas de desemprego chegando a 5%.

Para o professor Jorge Castañeda, da Universidade New York, os empregos criados na gestão de Obama são piores que os perdidos na crise de 2008. Outro que alerta há tempos para a futura crise é David Walker, que foi da Controladoria dos EUA de 1998 a 2008 e pediu demissão de seu cargo para falar mais abertamente dos problemas da economia.

Então, qual seria o grande problema? Os empregos gerados não realmente apresentam ganhos. Na maioria dos casos, pessoas estão com dois empregos porque os de meio período pagam menos. Os motivos para a geração desses postos vão desde o aumento tributário até a obrigação do pagamento do seguro de saúde aos empregados com 40 horas semanais. Com o aumento das taxas de juros para frear a inflação que já está quase no teto estipulado pelo FED, o crédito diminuirá, consequentemente as pessoas comprarão menos. Com as compras em quedas, trabalhadores podem perder seus empregos.

Além do mais, com o aumento das taxas de juros a dívida dos EUA aumentará ainda mais. E caso ela cresça 1%, a dívida aumentará 100 bilhões de dólares por ano. É mais que a Guerra do Vietnã. Para pagar a dívida ou se corta gastos ou dependendo de quem for eleito presidente, mais taxas. Se a inflação já deu uma aumentada, os salários não estão altos e se aumentar os impostos, menor o poder de compra e mais o mercado desacelera. 

O Estado norte-americano se endividou muito para salvar os bancos e empresas, mas quem o salvará? Que a dívida aumentará é um fato, basta saber como eles enfrentarão este desafio. O tempo de criação de bolhas acabou. Como o próximo presidente lidará com isso? Talvez a próxima crise seja uma das piores da nossa época. A hora de pagar a conta chegou. Como eles reagirão?

Para entender melhor a crise de 2008, clique aqui e entenda de maneira mais detalhada. 

Para você saber mais um pouco sobre essa crise, ver fontes de informações desta matéria, com depoimentos de economistas como Peter Schiff e Gerald Celend, além de uma antiga autoridade financeira do governo, veja este documentário:


Veja Peter Schiff falando um pouco dos momentos atuais dos EUA clicando aqui e aqui.

Um comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.