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O verdadeiro contragolpe é a cassação de registro do PT


Por Wilson Oliveira

A presidente Dilma Rousseff não fala mais em outra coisa. Pra quem quer que ele dê entrevista, seja qual for o assunto da pergunta, independente do motivo em que ela esteja falando com os jornalistas, suas respostas sempre giram em torno da palavra "golpe". Foi assim no seu depoimento após a votação da Câmara dos Deputados, que aprovou a admissibilidade do impeachment. E pelo visto será assim em Nova York, na sexta-feira, onde Dilma comparecerá ao encontro da ONU que vai celebrar o Acordo de Paris, sobre o clima. Mas ela não vai até os Estados Unidos para falar sobre o assunto oficial do reunião de líderes mundiais, mas sim para verbalizar novamente sobre o "golpe", que mais parece um chiclete grudado em sua língua com cola super bonder.

Mas cabe aqui uma pergunta pequena, porém de gigantesca importância. O que ela e o PT esperavam do PMDB? O que ela e o PT esperavam dos deputados do famoso "centrão", que mudam de posição ao sabor do vento? O que ela e o PT esperavam de Eduardo Cunha? De Michel Temer? E da oposição? E do povo brasileiro? Será que em algum momento realmente passou pela cabeça dela e dos demais correligionários que todos no país passariam a ficar numa constrangedora posição de comer nas mãos dos petistas como faz, por exemplo, o PC do B desde que sua fundação?

Dilma e o PT não podem, em hipótese alguma, dizer que foram pegos de surpresa. Muito menos podem chamar o que está acontecendo no país de golpe. Ora, chega de papinho furado! O verdadeiro golpe não acontece em 2016. Na verdade acontece todo santo dia contra os cidadãos anônimos, que morrem nas filas dos hospitais públicos, que não conseguem matricular seus filhos em escolas, que não possuem sequer saneamento básico, que não podem manter seu pequeno negócio aberto por conta das trapalhadas do governo, que não podem fazer um planejamento financeiro a longo prazo pois precisam dar boa parte da riqueza que geram pro Estado! Golpe, senhora Dilma Rousseff, é o que aconteceu com a Petrobrás quando a senhora era presidente do conselho administrativo. Golpe é o que o seu Partido dos Trabalhadores sempre fez com seus adversários em eleições presidenciais, sempre usando a rasteira tática do terrorismo eleitoral.

Isso sem falar dos golpes que os movimentos guerrilheiros, que tinham Dilma como participante, davam contra a sociedade civil na época do Regime Militar. Pois esses grupos não lutavam por uma democracia, mas sim por uma outra espécie de ditadura: a comunista (ou do proletariado, se é que é possível, visto que não faz nenhum sentido uma ditadura ser controlada por todos os trabalhadores de um país)... Esses grupos guerrilheiros aterrorizavam cidades inteiras com sequestros, quebra-quebra, bagunça, arrastão, violência, assaltos. Tudo em nome de um ideal que só serve aos comunistas e que só atrapalha a vida do cidadão comum. E isso, na exatidão da palavra, era golpe de verdade.


Mas voltando aos dias atuais. O vice-presidente Michel Temer está na política há muito tempo. Já foi três vezes presidente da Câmara dos Deputados, já foi secretário de segurança de São Paulo, presidiu o PMDB por muitos anos (atualmente está licenciado do cargo). E essa raposa velha, bastante experiente, só virou vice-presidente porque essa era a grande vontade do próprio PT. Se quisessem colocar alguém pra ser um parceiro eternamente fiel, teriam colocado uma pessoa do PC do B. Mas não. A fome insaciável pelo poder fez os petistas buscarem o presidente do maior partido do Brasil, pois queriam contar com o apoio da ampla maioria do parlamento brasileiro. O mais importante pra eles era agir como se fossem os verdadeiros donos do país.

O que estamos vendo acontecer agora, nesse processo de impeachment, obviamente não é apenas uma mera resposta aos atos de pedaladas fiscais ou seja lá qual for a irregularidade (e foram muitas) que esse governo tenha cometido. É, também, uma resposta a esse partido que tem uma fome muito maior que o estômago. O PT deixou muito claro para todos que buscava controlar tudo o que fosse possível no Brasil. Colocou ministros da sua confiança no Superior Tribunal Federal, no Tribunal Superior Eleitoral. Nomeou gente da sua confiança no comando das empresas estatais. Aumentou expressivamente o número de ministérios para agrupar o máximo possível de apoio político. Quis tomar conta de todos os créditos do que deu certo no Brasil (até mesmo de coisas que o próprio PT votou contra, como a Constituição de 1988) e jogou tudo que tinha dado errado nas costas da oposição. Ignorou por completo as críticas que vinham da sociedade (chamava de "elite branca" e pronto, virava as costas) e só deu atenção para os elogios, como se apenas quem elogiasse o PT fosse brasileiro de fato.

Um coisa tem que ficar muito clara: o PT nunca teve a hombridade de fazer um mea culpa, mesmo sendo um partido com uma coleção impressionante de erros. E só de falar que o PT tenha cometido erros, é capaz que um eventual petista que esteja lendo esse texto já esteja com a cabeça quente xingando este autor de tudo quanto é nome. Porque eles realmente acham que são perfeitos, que possuem super poderes, que não erram, nunca erraram e nem nunca vão errar. E que, claro, todos aqueles que fazem qualquer crítica ao PT são "elite branca", "coxinhas" ou até mesmo "fascistas".

O PT é como aquela criança super mal criada, que faz merda atrás de merda, e que quando alguém mais velho vem lhe chamar atenção, vira-se e começa a soltar uma coleção incontável de palavrões, sem o menor pudor, sem o menor respeito, sem a menor consciência. O PT demonstrou ao longo desses anos uma irresponsabilidade que deixava bastante explícita seu descaso com as regras, com os limites e com o reconhecimento do espaço dos outros. Quando vimos, por exemplo, os líderes do PT reconhecerem que algum momento um partido aliado deveria lançar o candidato a presidente recebendo apoio dos petistas? Nunca! Pois para o PT somente eles possuem o direito de se destacar. E os demais que se limitem a apoiá-los, ou então serão xingados de tudo quanto é nome, pois na ótica petista é proibido criticá-los ou pertencer ao outro time.

A senhora Dilma Rousseff, os integrantes petistas do seu governo, os movimentos sociais engajados exclusivamente em defender o PT, os blogs e sites claramente governistas e os políticos do PT em geral se acham, todos, a última batata do deserto. Eles possuem a certeza que sempre acertam e nunca erram. Eles nunca pronunciaram em público a palavra "errei". Um pedido de desculpas vindo de qualquer um deles, então, é algo impensável. E é justamente por essa soberba que eles elevaram os ânimos de todos os seus apoiadores e, consequentemente, dos seus críticos. É por conta desse "nariz em pé" do PT que o Brasil está dividido, de um lado radicais que os apoiam e do outro radicais que os detestam. A famosa lei de Newton nunca foi tão propícia: "Toda ação gera uma reação igualmente oposta".

Se hoje temos essa profunda tensão no país, uma crise aguda e briga política para tudo quanto é lado precisamos "agradecer" diretamente ao PT. Seu jeito truculento, explosivo e desproporcional de fazer política um dia veria essa conta ser cobrada. E esse dia chegou. Então, senhora presidente Dilma Rousseff, quando for abrir a boca pra falar que está sendo vítima de um "golpe", lembre-se dos vários golpes que o seu partido deu no Brasil e no brasileiro. Lembre-se que toda ação gera uma reação. E agradeça, pois tudo o que está acontecendo certamente é muito pouco. O PT e todo o seu trabalho sujo de décadas mereciam muito mais: mereciam deixar de existir!

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