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Entre histórias não contadas e histórias mal contadas

Por Ana Zanatta

Quem não conhece o seu passado não conhece a si próprio. Uma nação que não sabe como chegou até aqui também não sabe para onde ir. Quem ainda não entendeu o que está acontecendo com o Brasil atualmente provavelmente faz parte daqueles que desprezam bibliotecas, museus, arquivos, teatros e livrarias.


Tente rascunhar a árvore genealógica da sua família com, no mínimo, cinco gerações. Escreva nome, sobrenome, data de nascimento, data de falecimento, número de filhos, profissão, nacionalidade e outras informações que julgar pertinentes. Difícil? Pergunte para seus pais e avós, pesquise em documentos, visite cartórios e igrejas. Trabalhoso? Se conhecer a história da sua própria família já não é uma tarefa simples, tente escrever um livro sobre a História de um país com mais de quinhentos anos – com referências das fontes.

Se o nome da sua rua, do seu bairro ou da sua cidade homenageia uma personalidade, comece pesquisando sobre a vida dela e descubra que essas informações costumam ser raras ou controversas. Se a história de pessoas que, aparentemente, não tiveram tanta importância a nível nacional ou mundial é distorcida ou escondida, imagine a manipulação que aconteceu com figuras decisivas na História do Brasil.

Para conhecer detalhes sobre a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria não é necessário acampar em universidades e bibliotecas. Basta caminhar pela Alemanha e encontrar cicatrizes da História em cada esquina de suas cidades. Os alemães são um exemplo de povo que não faz questão alguma de disfarçar seu passado. Isso não é culpa ou arrependimento, muito menos medo. É consciência. Consciência de que as crianças e jovens devem saber quem os alemães foram há algumas décadas e quem os alemães são agora para que eles construam a Alemanha de amanhã.


Livros de autores como Marco Antônio Villa, Laurentino Gomes e Leandro Narloch chocaram e seguem chocando muita gente. Recebem novas edições e continuam em destaque nas principais livrarias do país. Esses escritores conseguiram conhecimento e coragem suficientes para publicar o que poucos antes diziam e encontraram um público ávido por preencher lacunas, buracos e crateras da História brasileira.

Mesmo assim, ainda há um trabalho hercúleo a ser feito. O Brasil ainda não terminou de resgatar a sua História e, portanto, ainda não está preparado para seguir adiante. Antes do dia 17 de abril de 2016, quantos já tinham ouvido falar no nome do Coronel Brilhante Ustra? E quantos estão lendo os livros de sua autoria nestas semanas? Ainda há muitas histórias a serem desenterradas.

Já faz cerca de um século que governos republicanos fazem questão de matar a cultura dos Estados brasileiros e impor uma cultura central criada por eles mesmo. O resultado disso é que temos uma identidade falsa, um sentimento por algo que não existe de fato, um patriotismo fictício. A História dos Estados foi substituída por uma “História” controlada. É desafiador encontrar livros completos sobre a História de São Paulo, da Bahia, de Pernambuco, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais. Sempre falta uma peça no quebra-cabeça.


“Vá estudar História!” virou xingamento no Brasil. O que era para ser um hábito nobre se reduziu a uma repetição dramática de lorotas mascaradas e inventadas. Dizem que “quem conta um conto aumenta um ponto”, mas ao longo dos séculos brasileiros parece que “quem conta um conto apaga um ponto”. É preciso estarmos em paz com o nosso passado para termos segurança no presente e esperança no futuro.

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