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Temer presidente é a oportunidade de medidas impopulares, mas necessárias


Por Wilson Oliveira

O Brasil necessita de uma série de medidas emergenciais, mas que se prometidas durante uma campanha presidencial são garantias de apenas uma coisa: a derrota. O motivo é muito claro. São decisões amargas para o povo, de total teor impopular, que desagrada setores importantes como sindicatos, funcionalismo e, até mesmo, políticos. Uma delas é a diminuição da quantidade de cargos. Presidente do diretório do PMDB-RJ e da Assembleia Legislativo do Rio de Janeiro, Jorge Picciani já sugeriu que o governo Temer reduza o número de ministérios para 15, o que significa uma diminuição na quantidade de cargos para negociar em troca de apoio ao governo.

Outras medidas que fazem parte da "plataforma temerista", documento intitulado como "Uma ponte para o futuro", são eliminar vinculações constitucionais para a saúde e educação, flexibilizar direitos trabalhistas, aumentar a idade mínima para aposentadoria e eliminar a regra de reajuste real do salário mínimo. Não vai faltar gente pra protestar contra essas medidas, que seriam o verdadeiro ajuste fiscal que o governo Dilma jamais teve coragem sequer para propor. Colocar em ação, a "presidenta" não colocaria porque o PT não permitiria.

Se o eleitorado brasileiro, principalmente a parcela alinhada com posições mais à esquerda, alguns conscientemente e outros inconscientemente, tivesse uma consciência mais racional e menos emocional, veria essas medidas como luz no fim do túnel. A primeira consequência que podemos observar nessa plataforma é a imediata diminuição do desemprego, pois tornar a contratação das pessoas mais simples significa colocar gente no mercado de trabalho. Outra consequência é a austeridade.

Também é comum por parte da esquerda demonizar qualquer política que leve a palavra "austeridade" em conta. Fazem isso porque setores que sustentam partidos de esquerda são beneficiados com o inchaço do Estado. Mas invariavelmente aumentar o tamanho do governo torna o todo administrativo um aglomerado de irresponsabilidades, a exemplo das ações que levaram ao pedido de impeachment de Dilma Rousseff. As pedaladas fiscais.

Austeridade, numa explicação rápida o objetiva, significa não gastar mais do que arrecada. E, caso essa balança esteja descontrolada, diminuir os gastos governamentais o quanto for preciso. Isso é a morte para os esquerdistas (sindicatos, funcionalismo etc), porque de uma forma ou de outra vai morder boa parte da verba direcionada a eles ou as atividades deles.

Para Michel Temer colocar o que pretende em prática não será nada fácil. E a própria história do PMDB conta isso. Em 1985, o presidente eleito Tancredo Neves colocou no ministério da Fazenda seu sobrinho Francisco Dornelles, que trazia um plano econômico bastante liberal se comparado ao que foi executado pelo regime militar. Corte de 10% de orçamento, suspensão de empréstimos de fomento do Banco do Brasil e redução de investimentos das estatais.

O "ajuste fiscal" daquela época elevou bastante as tensões sociais pelo país praticamente inviabilizando a continuação do governo José Sarney (que assumiu após a morte de Tancredo). Resultado: Sarney trocou o ministro, colocando o empresário Dilson Funaro, que lançou mão de uma política nacional-desenvolvimentista, também conhecida como keynesiana, que é justamente a ideia dos economistas Nelson Barbosa e Dilma Rousseff. É o tipo de política que trouxe a atual crise econômica para o Brasil.

Hoje o país está mais maduro e tem várias experiências boas e ruins para equilibrar o que precisa ser feito nesse momento, mas que, como dito, não tem chance nenhuma de ser executado por Dilma-Lula-PT. Políticos e empresários sabem disso. A grande maioria do povo não. Os eleitores querem que a crise se resolva, claro, mas não querem medidas que sejam ou que pareçam impopulares. Mais do que ter as ideias certas em mente, Michel Temer vai precisar de um apoio muito sólido e firme para colocar essas ideias em práticas. São projetos que não vencem eleição, que não deixam nenhuma campanha com tom populista nem demagogo, mas que resolvem problemas.

O que o país precisa nesse momento é exatamente isso: resolver problemas.

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