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O que os petistas e a maioria dos que protestam nas ruas têm em comum?



Por Vinicius Campos 

Uma das palavras que mais tenho escutado referente ao que vem ocorrendo no país é “alienação”. O que tem sido repetido exaustivamente é que estamos sendo alienados pela mídia e pela elite, nos transformando em golpistas anti-democracia! O que intriga neste roteiro é a pretensão do agente de ficar externo ao fato. Ou seja, eximir-se de se julgar alienado.

A teoria da alienação (me referindo aqui ao uso da massa como manobra) só será corroborada se o agente se admitir, também, como um influenciado. Caso ele negue ser influenciado, nega a própria teoria. Nietzche fala em muitos de seus livros sobre o “niilismo", que é o quanto nos deixamos levar por organizações ao invés de seguir nossos próprios instintos. A diferença básica dele para Marx é que “Nit” admite poder ser vítima dessas mesmas influências. Ou seja, que tudo é influência e que somos moldados pela sociedade, terminando sua dissertação sob a alegação de que, se não quiser acreditar no autor, que seja, pois nem ele tem certeza de estar certo.

Onde quero chegar com isso? O que muitos não constataram ainda, tanto o “lado de lá” e o “lado de cá”, é que somos todos piões em um tabuleiro maior. Enquanto os petistas acusam muitos de serem golpistas, de estarem insuflados pelo ódio e de serem enganados pela “elite” que quer tomar o poder a qualquer custo, o ódio é disseminado entre eles pelo poder de influência de Lula, apregoando que contra seus seguidores estão os ricos que se incomodam com sua ascensão social.

Não há crueldade maior que causar a miséria, fome e desgraça. Há uma exacerbação do ódio contra o grupo que protesta pela queda do governo, usando-se de manipulação para fazê-los crer que “do lado de cá” só existem “mauricinho e patricinha”, fazendo-os se esquecerem que aqueles que estão junto aos líderes do PT são empreiteiros milionários, grandes construtoras de automóveis e banqueiros, algumas das classes mais ricas e que mais enriqueceram no ultimo governo (além de políticos como Fernando Collor e Paulo Maluf). Ou seja, pertencentes ao grupo taxados de "elitistas".

Eu estou contra o governo justamente por querer o progresso dos mais pobres. Mas, para o “lado de lá”, sou “farinha do mesmo saco”. É nisso que acreditam aqueles que apoiam o PT. Podemos perceber ainda mais nitidamente essa ocorrência ao constatar que a discussão sobre a legalidade dos áudios foi colocada à frente da discutição sobre seus conteúdos. E não digo isso nem juridicamente, mas entre as próprias pessoas do “lado de lá”. Por quê? Porque assim foi dito por aqueles que querem sustentar o poder.



Do lado de cá, a Globo faz furor sobre as investigações a respeito do PT. Claro, defendem seu interesse, ou seja, estão do lado do que “paga mais”, aqueles que lhes dará a “maior fatia do bolo” ou, no caso, simplesmente o lado com maior chance de sobreviver, já que a emissora está envolvida até a tampa na operação zelotes e uma eventual queda do governo reduz a pressão que estão sofrendo por conta disso. Enquanto isso, Eduardo Cunha e Aécio Neves fazem de tudo para acusar o PT, se fazendo valer das informações disseminadas, tentando retirar o foco de si mesmo.

O que a maioria não percebeu é que não se trata de PT x PSDB, de direita x esquerda, de pobre x rico. Mas sim de povo x Estado. A estrutura de Estado inchada, com grande poder para regulamentar mercado e criar condições para beneficiar empresários, grande cabide de empregos, entre outras particularidades, é um atrativo gigantesco para qualquer político corrupto.

Como bem explicou Bastiat em seu livro “A lei”, quando a lei é desvirtuada para beneficiar um grande Estado corrupto, os políticos não mais lutam para desfazer o arranjo, mas sim, para se valer dele. E é justamente o que vem acontecendo. Todos brigando para sobreviver e continuar abocanhando o que é do povo. Trata-se de um Estado flagrado tentando cortar a mão para manter o braço. E nós somos as facas descartáveis.

Justamente por isso, não canso de bater na tecla de que temos de protestar pelos verdadeiros motivos: a reformulação do Estado. Tanto do lado de lá quanto do lado de cá somos massa de manobra, disseminando ódio de uns contra os outros, nos deixando levar por uma paixão política/ideológica que nos é alimentada a cada dia, lutando entre nós quando na verdade deveríamos estar lutando todos juntos por uma nova estrutura de Estado.

Como diria uma amiga socialista: o poder aliena. Concordo com ela. Quanto mais concentrarmos o poder em poucas mãos, mais sangue será jorrado. Sangue nosso, alienados não apenas de um lado, mais de ambos. O que nós queremos não é estar de um lado ou de outro, mas sim, sermos livres.

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