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Felizes são aqueles que não leem jornal

Por Ana Zanatta

Faça a experiência: fique 24h sem assistir TV, nem acessar a internet, nem ler jornais e revistas, nem ouvir rádio. Não use nenhum meio de comunicação unilateral e evite uma considerável parte dos meios bilaterais. Naturalmente não é fácil, mas o esforço vale a pena. Você verá que não perdeu praticamente nada do mundo e que sua vida continuou com demasiada normalidade.


Ninguém vai morrer por demorar um dia a mais ou a menos para saber os últimos acontecimentos da Operação Lava Jato, o último vídeo a se tornar viral na internet, o resultado do último jogo de qualquer campeonato de futebol, a última fofoca do Big Brother. Ainda mais por vivermos em uma época de notícias descartáveis e carentes de imparcialidade.

Convenhamos: morar em um lugar onde não precisamos nos preocupar com as peripécias de ex-presidentes, amantes de deputados, filhas de senadores, cunhados de prefeitos e assessores de governadores seria um sonho. Que belo sonho! Imagine: viver sua própria vida, trabalhar, estudar, cuidar da família, se divertir, comer, dormir e tantos outros verbos sem lembrar ao menos uma vez por dia de políticos corruptos, nem dos honestos, deveras.


Qual o poder da publicidade? Qual o poder da censura? Quanto dinheiro está envolvido nos bastidores da imprensa? Qual o poder de influência das mídias de massa sobre a opinião pública? Qual a verdadeira relação entre políticos e jornalistas? Qual é o preço de tanta informação e de tanta desinformação? De que adianta lermos o jornal logo cedo no café da manhã se não temos certeza se aquelas letras falam a verdade?

Vivemos na era da informação. Da informação vazia. Da informação que fala, fala e não diz nada. As palavras agora chegam mais rapidamente que em 1970, por vezes nem conseguimos acompanhar a sua velocidade. Porém, não há tempo para absorver e avaliar as primeiras, e já chegam as segundas, as terceiras, as centésimas, as milésimas...


E isso se reflete na investigação de suspeita de crimes. No Brasil não há transparência nas informação provindas do governo. O povo não sabe o que está acontecendo, a polícia não sabe o que está acontecendo e a imprensa também não. Os Três Poderem dificultam bastante o acesso à informação. Chega a ser irônico, para não dizer paradoxal: homens públicos se escondem e não respeitam a propriedade privada dos cidadãos.

No último sábado, o apresentador Alexandre Garcia provou esse veneno no telejornal do canal aberto de televisão de maior audiência nacional. Lula, que não responde por si, apenas se comunica por meio de seus advogados e por meio do tal Instituto Lula, reclamou um direito de resposta, como se pudesse controlar a programação da emissora. Quem é o mentiroso da história?

O jornalista Alexandre Garcia

Diz-se que não há liberdade de imprensa quando há interferência estatal na notícia. Mas e quando o agente da interferência é um ex-presidente, qual o termo que devemos usar? Repito: Lula foi, no passado, presidente. Não é mais, mas quer mandar como se fosse o homem mais poderoso do mundo. E qual é a razão da atuação da imprensa, se esta não puder expressar diferentes opiniões e ideologias?

E a Globo colocou mais lenha na fogueira: cobriu as manifestações de rua no dia 13 de março de 2016 (a maior manifestação popular já vista na história do país, diga-se de passagem) de uma maneira que não vinha fazendo nos últimos anos. Aos poucos, vai admitindo que o povo vestido de verde e amarelo não foi às ruas protestar, de maneira vaga, contra a corrupção, como tanto disse de 2013 a 2015, mas vai entendendo que o alvo é o Partido dos Trabalhadores, nas figuras do ex-presidente Lula e da presidente Dilma.


Às vezes, a ignorância é uma bênção, evita tantas dores e sofrimentos. Mas quando se faz necessário conhecer alguma informação, deseja-se ao menos que seja verdadeira. Do contrário, é melhor ler um livro clássico por mês ao invés de ler pilhas e pilhas de notícias fúteis diariamente. Não se alimenta a mente e a alma com mentiras, nem com meias verdades. Não saber ler ou ser surdo também podem ter suas vantagens.

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