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As três desculpas dos governistas para o protesto do dia 13/03 e minhas considerações



Por Vinicius Campos

Antes de qualquer coisa, gostaria de parabenizar os brasileiros que, sob os poderes que a democracia lhe confere, embora uma democracia ainda criança, frágil, exerceram-no gritando nas ruas do Brasil por justiça! Justiça frente à corrupção? Também, mais justiça em poder exercer seu direito de se arrepender, mas não por culpa de seus pares, e sim por culpa do próprio governo. Se pedir a saída de um governo que prometeu uma coisa para simplesmente vencer, e entregou algo totalmente oposto não for democracia, eu não sei o que é.

Este é um fato irrevogável. Aqueles que batem de frente a esse não podem negá-lo. O máximo que podem dizer esses é que, prometer algo, sabendo-se que não poderá cumprir e até mesmo tomando iniciativas prejudiciais à economia do país, simplesmente para vencer as eleições, é democrático e dá o poder pleno de governo. Seria um argumento válido, embora absurdo.

Ademais, gostaria de enfatizar alguns pontos que achei interessantes em resposta ao protesto marcante do dia 13. É notório o desespero da base governista, de seus aliados e de seus simpatizantes.

1 –“Aqueles que convocaram o ato foram expulsos” Não!! O ato não foi convocado pelo PSDB. Desde o início, notando a revolta popular frente à notória incongruência entre o prometido e o executado pelo governo, alguns movimentos tomaram frente a fim de organizar os movimentos.

É verdade que, a princípio, as pautas eram diversas, a exemplo do emblemático "passe livre".

No entanto, embora ainda não 100% límpido, as pautas foram filtradas. O que pudemos ver, independente das lideranças, foi, majoritariamente, pedidos de "fora Dilma", "abaixo Lula", "contra corrupção" e protestos contra os líderes do senado, Renan Calheiros, e do congresso, Eduardo Cunha.

Desde o início, o PSDB tem exercido uma oposição frouxa, sem se arriscar, mantendo-se em cima do muro. Típico de quem visa o poder e não o bem-estar da população, não querendo correr o risco de abraçar um movimento que poderia falir, lhe dando um tiro no pé. Aécio deixou claro isso por vezes, alegando que não participaria.

Ao notar que o movimento aderiu uma pauta mais clara, além de crescer exponencialmente, mitigando o risco político de abraçar tal pauta, o senador e sua “trupe” resolveram “entrar de cabeça”. Mas não apenas isso. Tentou, também, apoderar-se do movimento. Não à toa, foi taxado de oportunista e expulso da manifestação. A atitude de Aécio Neves acabou virando um álibi para a base governista que alegou, seja por desonestidade, seja por inocência, que o movimento estava fadado ao fracasso, uma vez que seu suposto líder havia sido expulso.

Pois bem, agradeço ao senador pelo “desserviço” e sua oposição insípida. Muito fácil aguardar em cima do muro até que o terreno esteja fértil. O povo não cai mais na lábia de desonestos. Já nos basta o partido do PT.

Ademais, àqueles que querem continuar se enganando com tal falácia, mesmo estando tão clara sua falsidade, fiquem a vontade. Aos nossos olhos, não passam de cachorros adestrados.

2 - #Nãovaitergolpe. Ainda insistem nisso? Mas que golpe? Se você é pró-governo e repete essa falácia, ou é incoerente ou ignorante. Pense da seguinte maneira:

Eu lhe faço uma promessa (sabendo que não poderei cumprir), abusando de sua inocência. Todas as minhas atitudes apontam diretamente para resultados inversos aos que estou prometendo. Mas você, em sua falta de conhecimento, acredita em mim e firma o acordo comigo. Posterior a minha escolha, como já apontava, faço tudo inverso. Sua atitude óbvia? Romper o acordo comigo. Seria legítimo eu lhe chamar de golpista, usando o fato de você ter me escolhido e firmado um acordo comigo? Não faz um mínimo de sentido. É simplesmente ridículo!

Podemos discutir se simplesmente tal fato dá margem a um impeachment? Podemos, mas jamais taxar as manifestações de golpe. Dizem que o movimento tem por detrás uma elite que está usando a indignação seletiva para tomar o poder. Será que apenas um grupo é capaz de fazer um país inteiro falar a mesma língua? Então, o inverso há muito mais chances de ser verdadeiro. A base que tanto defende o Governo também compõe um grupo pertencente a uma massa de manobra de grupos de elite – sim, elite, de empreiteiros, governistas milionários etc para manter o poder. Quem será o golpista, afinal? Do lado de cá, temos os números. Queda na renda, inflação, juros altos, recessão, desemprego, aumento da pobreza, insustentabilidade fiscal e por ai vai. “Bando de dados elitistas”.

3 – “O caos político advindo da queda da presidente Dilma poderia gerar ainda mais problemas econômicos”. Há alguns que ainda possuem esse receio, e por isso chegam ao disparate de serem a favor da manutenção do governo. Eu poderia mostrar apenas em dados que já responderiam por mim, como a reação do dólar e do Ibovespa frente às notícias sobre o impeachment. Mas vou além. É verdade, a queda de Dilma seria um caos de incertezas. Quem assume? Temer? Cunha? Calheiros? Entretanto, precisamos lembrar que todas as ferramentas que poderiam dar fôlego ao mercado – até mesmo as keynesianas que postergariam os efeitos da crise – estão esgotadas. Existe saída estrutural? Talvez, mas o horizonte mais promissor a frente é a volta da confiança, tanto interna quanto externa no Brasil. Embora a queda de Dilma tenha potencial de gerar incertezas, há uma certeza ainda maior pertencente a este fato: Dilma não estará mais no poder.

Quer mais incerteza do que congelar preços e expandir gastos, casado a queda de juros na marra? Quer mais incertezas do que maquiar contas públicas? Quer mais incerteza que baixar as classificações de renda para dizer que se está combatendo a pobreza? Quer mais incerteza que perder notas de crédito como quem perde agulha em palheiro?

Além do mais, o sinal é claro: estamos fazendo justiça. O simples fato de demonstrarmos ao mercado que a corrupção está sendo punida como nunca é um fator à diminuir o famoso “risco Brasil”. Uma demonstração clara que o capital aqui investido está um pouco mais seguro. O investidor não quer só retorno. Ele quer, principalmente, ter certeza que seu capital não corre risco. Uma das formas de o tal minimizar riscos é ter acesso ao andamento das contas públicas.

Este investidor, hoje, já tem algumas convicções acerca do Brasil. Por exemplo, sabe que as informações sobre seu capital não estão bem claras, que o governo pode manipular o mercado a qualquer momento e comprometer seu retorno ou que o governo tem sérios problemas de liquidez, o que coloca suas economias em risco.

O governo Dilma já minou a confiança desse investidor. Não há nada que mude esses fatos, a não ser que o governo seja outro. Pense como se fosse um relacionamento. Ao comprovar uma traição, não há o que fazer para retornar ao nível de confiança anterior ao fato. A relação se torna frágil. Quem governará o país? Não sabemos. Haverá dúvidas sobre as informações, sobre como o novo governo (seja ele qual for) conduzirá a máquina e o mercado. Mas, ainda sim, fico com o ônus da dúvida do que com a certeza de que estamos fadados ao fracasso.

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