Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

Um brasileiro acaba de chegar da Venezuela e nos conta o que viu por lá

Insatisfeito, povo faz protesto contra governo de Nicolas Maduro

Por LS
* Nosso autor convidado não quer se identificar por falar de uma tema bastante delicado

A capital venezuelana Caracas é uma cidade grande, típica da América Latina. Dividida entre a parte da classe média e alta e rodeada de favelas nos subúrbios e distritos próximos. A diferença de Caracas para outros grandes centros urbanos do continente é que a vida por lá parece um pouco parada.

Em cada canto de Caracas podem ser vistas pichações nos muros exaltando o regime chavista. Pelas paredes da capital, os aliados da situação desenharam os olhos de Hugo Chávez, que mesmo depois de morto, em 2013, parece vigiar cada passo dos cidadãos venezuelanos. É realmente uma visão intimidadora. Rostos de Simon Bolívar, Hugo Chávez, Nicolas Maduro e Ernesto Che Guevara estão em todos os cantos da capital.

Moradores mais humildes recorrem às filas para comprar comida no supermercado. Tais filas, chamadas de “collas”, demoram cerca de quatro horas. E nem sempre o caraquenho consegue comprar o que quer, pois às vezes não há no estabelecimento e é tudo racionado.

Os moradores de classe média tem um pouco mais de “sorte”. Recorrem ao mercado negro, porém, pagam muito mais caro e acabam tendo que estocar alimentos. A escassez de produtos básicos para a vida dos moradores já demonstra que a Venezuela vive uma situação de emergência. Não há papel higiênico nem desodorante. Carne é item de luxo. Feijão, alimento tradicional na mesa do venezuelano e ingrediente do prato “pabellon criollo”, praticamente não existe. Com muito sacrifício, restaurantes e hotéis ainda possuem um bom estoque alimentar.

Cidade de Caracas viu aumento de favelas
com regime socialista boliavariano
Não há dólares circulando no país. A inflação é uma das mais altas do mundo. Durante a semana, com um dólar se comprava mil bolívares fuertes, a moeda local. Lojas, shoppings e concessionárias vivem com as prateleiras vazias, às moscas. Parece uma cidade fantasma. Caracas sofre com racionamento de água desde o mês de dezembro, somente em determinadas horas do dia há abastecimento. Durante o resto do dia, as torneiras ficam secas.

Caraquenhos mais antigos dizem que é a primeira vez que eles vivem esse tipo de situação. O país que cresceu após a descoberta do petróleo recebeu muitos imigrantes a partir dos anos 50. Portugueses, italianos, espanhóis, árabes, alemães e outros ajudaram a construir a Venezuela, que até poucos anos atrás era um dos países mais desenvolvidos da América Latina. Hoje, eles estão voltando a seus países natais, com medo da violência que atingiu números altíssimos, além da falta de oportunidades no território venezuelano. Caracas é considerada a cidade mais violenta da América Latina. Antes das dez horas da noite, as ruas estão todas às escuras e o comércio fechado. Os moradores parecem viver em uma eterna paranoia.

O socialismo bolivariano da Venezuela é nada mais nada menos que uma cópia do fracassado regime cubano, que ainda tenta resistir, apesar da aproximação com os Estados Unidos recentemente. A inspiração é tanta que o uniforme da Guarda Nacional Bolivariana é igual ao do exército revolucionário de Cuba. A oposição venceu as eleições da Assembleia em dezembro, há alguma esperança, porém pequena, pois os governistas põem muitas travas para que os projetos liderados pelo oposicionista Henrique Capriles não avancem.

Um morador contou-me que a ideologia do governo é mostrar como se destrói um país. Sim, ele está certo. Aos poucos, o socialismo vai fazendo a cabeça dos mais jovens e ensinando-os a destruir tudo de bom que o passado fez, até tudo se acabar e não ter mais como se recuperar.

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.