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Sobre ensino superior, desemprego e empreendedorismo


Por Ana Zanatta

Lembro desta notícia ter movimentado várias discussões há cerca de um mês. Os profissionais em destaque são os engenheiros, mas sabemos que o desemprego é generalizado. A cada novo dia se multiplicam o número de conhecidos que foram demitidos e está mais e mais difícil deles se recolocarem no mercado de trabalho.

E o desemprego ataca jovens profissionais, profissionais mais experientes, jovens recém formados, pessoas com ensino superior, pessoas que mal sabem ler e escrever, mães, pais, solteiros, casados, ricos, pobres, enfim, todo perfil de brasileiro. Mas, para quem tem ensino superior parece ser um pouco mais penoso encontrar um novo trabalho.


O que essas pessoas estão fazendo? Voltando a estudar, partindo para um intercâmbio, estudando para concurso público, se tornando autônomos, investindo na bolsa de valores, abrindo uma empresa e, aceitando subempregos. Como na notícia do início, engenheiros estão, inclusive, se tornando motoristas do Uber.

Isso é bom ou ruim? Os profissionais não estão acomodados, estão buscando alternativas, estão se reinventando, então tendo iniciativa própria. Isso é muito positivo. Mas, vamos combinar que ter engenheiros dirigindo carros do Uber é um desperdício de recursos humanos, ou não?


Para o engenheiro em questão, e para sua família, a renda pode ser boa, ou ao menos quebrar um galho na crise, e pode até render excelentes experiências e aprendizados, mas para o país, ter essa realidade é extremamente negativa. Já parou para pensar que esse engenheiro, muitas vezes, se formou em uma universidade pública, com o investimento do dinheiro dos pagadores de impostos?

Mesmo que ele tenha se formado em uma universidade privada, você prefere contratar um engenheiro ou um chef para comandar a cozinha do seu restaurante? Você contrataria um chef ou um engenheiro para projetar a obra de reforma do seu restaurante? A economia de livre mercado funciona quando cada um desempenha o papel em que é mais eficiente.

Em uma crise econômica é natural que os setores produtivos sejam afetados mais fortemente. Então, os engenheiros que trabalhavam em indústrias, usinas e na construção civil são primeiros profissionais a migrarem em massa para outros setores da economia, usualmente prestação de serviços. Mas, quando a economia voltar a crescer, esses engenheiros serão necessários para movimentar as criações e gerar riqueza.

Os que exaltam regimes socialistas, Cuba e a educação cubana comentam que em Cuba se encontram faxineiras, camareiras, taxistas, garis e até prostitutas com ensino superior. Se isso fosse realmente bom, Cuba não seria Cuba, não é mesmo? Essa é uma situação que poderia ser tolerada temporariamente, em um momento de ajuste do ciclo econômico, mas não pode ser permanente.


As propagandas do PT que vem aparecendo na TV nas últimas semanas dizem que a crise é uma invenção e que para superarmos esse momento de dificuldade basta trabalharmos. Com o governo vermelho tirando metade do salário dos brasileiros em impostos, impondo burocracias, praticamente impossibilitando o empreendedorismo, realizando pedaladas fiscais e, ainda, roubando o dinheiro dos pagadores de impostos, fica fácil falar que basta o povo brasileiro trabalhar.

Não faltam brasileiros inteligentes, criativos e que saibam solucionar problemas por essas terras. Esses estão fazendo bombons e vendendo na porta de escolas, fazendo artes gráficas como freelancers, dando aulas de inglês e tantas outras coisas que aprendemos a fazer, mas que não estavam planejadas.

Para piorar o cenário, há quem manipule dados e diga que, com a crise, o empreendedorismo está crescendo no país. Pergunto: esse “empreendedorismo” é resultado da necessidade ou da oportunidade? Mais uma vez, até um cego enxergaria melhor a realidade que quem comemora um falso empreendedorismo motivado por circunstâncias desfavoráveis que praticamente obrigaram o “empreendedor” àquela situação, isto é, não foi uma escolha livre dele.


Pessoas com ensino superior e pessoas empreendedoras são muito importantes e extremamente úteis, desde que essas pessoas tenham autonomia para decidir sua profissão. Nem todos os profissionais precisam ter ensino superior para ter sucesso. Aliás, muito conhecimento de qualidade não é obtido com diplomas. Uma economia saudável tem pessoas trabalhando com seus talentos, sua vocação, com o que faz sentido para elas, não em empregos planejados, diretamente ou indiretamente, por um governo que é pós-doutor em arruinar a economia.
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