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Por que o Reinaldo Azevedo critica Jair Bolsonaro? Isso tem a ver com PSDB e FHC



Por Rui de Salles Oliveira
Autor convidado do grupo Direita Liberal

Tenho uma opinião. É que, eu suponho, ele considera que o PSDB é mais adequado para o governo federal, sobretudo pelas "reformas estruturais" que foram feitas para implantação do plano real.

Explico.

FHC, para dar estabilidade monetária e econômica ao Brasil, que tinha uma hiperinflação que chegou a 80% ao mês no fim dos anos 80, e 50% ao mês antes da implantação do plano real, tinha que tornar o Estado brasileiro viável. Tinha que eliminar custos porque a inflação era um efeito dessa irresponsabilidade fiscal.

Eu vivi o "tempo das estatais" (TELES, Vale, CSN, COSIPA, CESP, BANESPA e outros 26 bancos públicos). As vendas dessas estatais foram feitas com muito esforço, arranjo, diálogo e um enfrentamento brutal do corporativismo. Uma chuva de liminares, sendo que todos esses bancos eram deficitários. Um peso no bolso do contribuinte que conduzia o Estado brasileiro à literalmente imprimir moeda na cara dura! Tinha até piada no humorístico da televisão.

A par disso, e até anteriormente, havia uma tal "conta movimento do Banco do Brasil", que, nos anos 80 "distribuía cédulas" para os "amigos" e "pagava contas" do Estado brasileiro. Tudo sem lastro, típico encilhamento.

As TELES prestavam um serviço ruim. Só rico tinha telefone. O pobre tinha que preencher formulário e esperar sorteio a ser divulgado pela estatal. O rico comprava telefone no "mercado paralelo" e até alugava para o pobre.

Era uma putaria com dinheiro público. Uma inflação que penalizava o assalariado, porque classes média e alta conseguiam poupar ou se proteger da corrosão da moeda. Eu vi e vivi.
Estradas federais, como a Via Dutra (que liga São Paulo ao Rio de Janeiro), eram uma merda, um perigo. Mas a esquerda dizia ser "patrimônio nacional".

A esquerda, a propósito (o PT era o PSOL hoje), ficou contra todas essas medidas. Espalhou boataria dizendo que se ia "entregar o Banco do Brasil" ao se extinguir a tal conta movimento, que as estatais eram a "riqueza nacional", que o BANESPA estava "sendo entregue", que era um absurdo! Que o Brasil não podia "se tornar uma republiqueta à serviço do sistema financeiro internacional".

Havia, na Justiça do Trabalho, "um tal" de juiz classista, que era uma pessoa ligada aos sindicatos patronais e de empregados, que, sem formação jurídica alguma, sem concurso, sem nada, ficava ao lado do juiz do trabalho, à pretexto de "buscar a conciliação das classes em litígio". Só precisava de oito anos para trabalhar e aposentava. Uma vergonha. Me lembro como se fosse hoje, ganhava o equivalente a 8 mil dólares. Eu conheci um.

Na previdência, servidor público não "contribuía" até 1993 e não havia aposentadoria por tempo de serviço nos dois regimes (geral e público). FHC disse que "(...) quem se aposentava com 50 anos de idade tinha condições de trabalhar, e que isso precisava ser corrigido(...)". O PT afirmava que ele "(...) estava chamando o aposentado que trabalhou a vida inteira de vagabundo(...)". Curioso, a história se repete....

Servidor público não tinha teto salarial. Tudo isso era CUSTO BRASIL, tirado do bolso do trabalhador e do empresário. Este era o cenário que eu vi e vivi.

Conceder estradas, vender bancos deficitários, fazer um arranjo para a gestão privada de estatais, extinguir juízes classistas, implantar aposentadoria por idade na previdência geral foram medidas tomadas com muita dificuldade. Houve manifestações, quebra-quebra, acusações, violência, policial contra o trabalhador, (todos funcionários públicos em defesa do patrimônio nacional). Um discurso de ódio propalado pelas esquerdas, igual ao de hoje, um corporativismo absurdo, e que rendeu a FHC a fama de "entreguista", "fraco", e blá blá blá.

FHC conseguiu fazer só uma parte do que ele queria. Ele queria, ainda, FLEXIBILIZAR as regras de direito do trabalho (CLT) e extinguir a própria justiça do trabalho. Não conseguiu. Eu vi ele dizendo que a carteira de trabalho já não mais se justificava.

Não sou eleitor de FHC, mas seu partido governou, ganhou experiência e, vimos, fez o Brasil avançar um pouco em modernidade e capitalismo. Poderia ter avançado ainda mais, não fosse o PT e as esquerdas.

Logo, Reinaldo Azevedo, experiente que é, a meu ver, está sendo utilitarista. Se com o PSDB avançamos de uma forma conservadora, nada impede que se continue avançado, porque este partido não é avesso à modernidade do livre mercado, não é classista e anacrônico. Podemos avançar mais e o "brasileiro aprenderá a ser de direita".

Também acho que não há candidatos libertários ou liberais fortes, e sinto-me, como eleitor, que não sou representado por nenhum partido. Aguardemos PSL e NOVO.

O Bolsonaro tem o meu respeito como político e cidadão, e tem popularidade porque o brasileiro admira a disciplina e a hierarquia de nossas instituições militares. Tenho para mim que ele "passa essa imagem" aos mais velhos e aos mais jovens.

Mas os militares, quando no poder, a partir do Governo Geisel (1975), ficaram perdulários, gastadores, criadores de várias estatais desnecessárias. Foram tomados de um nacionalismo que impediu a nossa modernidade, o que contribuiu para o inchaço acima noticiado (quem leu a categoria Investimento Estrangeiro, do livro "As Seis Lições", de Ludwig Von Mises, sabe que esse foi um erro estratégico).

Reinaldo tem razão quando diz que "Bolsonaro tem que estudar", se aprofundar em economia e política. Vi sua crítica como construtiva. Ele também quer um candidato direitista de verdade, mas quer um Roberto Campos, um Octávio Gouveia de Bulhões. Não quer mais saber de outras correntes de pensamento econômico.

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