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Brasil Caótico - Onde coloco meu dinheiro?



Por Vinicius Campos 

O cenário econômico brasileiro está caótico. A cada dia, uma nova surpresa, uma nova notícia. Recentemente, recebemos a triste notícia da perda do ultimo grau de investimentos que tínhamos, pela agência de classificação de riscos Moodys. O que isso significa? As agências de classificação de risco passam a mensagem aos investidores se comprar títulos de determinado país é seguro, no sentido de avaliar se os governos têm capacidade de honrar seus compromissos e não dar calote. Quanto melhor estiver a capacidade de pagamentos do governo e expectativa de a economia gerar resultados (fonte de renda do governo). Ou seja, quanto mais saudáveis forem suas contas, maior será sua nota de crédito, e, quanto pior estiver sua situação fiscal, pior será tal nota.

Como já dito em outro texto meus, éramos o único país com nível de investimentos que pagava juros de nível especulativo. Ao menos, agora parece estar mais justo, mesmo que puxado para o lado ruim da coisa.

Mas, vamos ao que interessa: onde coloco meu dinheiro? A tendência é que, como já vem ocorrendo, o dinheiro passe a migrar para fora do país e pressione o preço do real. A desvalorização do real poderá dar uma pressão extra na inflação, que já não está das mais agradáveis. Para piorar, essa demanda que pressionará a inflação vem de fora, não nos oferecendo nem mesmo o benefício de poder consumir mais.

A pergunta que fica é: se estamos em crise, e os reajustes de preços já foram repassados ao produto, o que mais vem pressionando tanto a inflação? Eu responderia que há, talvez ainda em pequenos níveis, um pouco de inércia. Os empresários estão receosos com duas coisas: aumento de impostos e aumento de preços. Neste cenário, melhor reajustar o preço enquanto ainda há um resquício de demanda. Se todos pensam assim, o preço sobe.

Além disso, o mesmo aumento de impostos somado à SELIC a níveis elevados, sufocam a oferta de produtos devido ao alto custo imputado a essa. Ademais, há uma queda de investimentos, dado a incerteza na condução econômica e queda das notas de crédito brasileira. A retração econômica, ao contrário do que muitos economistas imaginam, se inicia pela contração de oferta, que pressiona o preço para cima gerando uma queda de demanda. Mas essa queda de demanda não é imediata. Os trabalhadores, quando mandados embora, ainda possuirão algumas reservas para consumir, como poupança, FGTS e fundo de garantia.

Não obstante, há ainda mais um problema: a situação fiscal. Com tantos problemas, a tendência é de que a arrecadação do governo arrefeça e que este não consiga honrar seus compromissos (já prenunciado pelo mesmo). Aumentar a taxa SELIC, a fim de elevar a remuneração dos títulos públicos para forçar uma alta na arrecadação levaria a economia brasileira ao colapso, além de ser um grande tiro no pé, uma vez que, retraindo ainda mais a atividade econômica, reduzirá, também, a própria arrecadação.

O endividamento externo também será arriscado, pois terá de se pagar uma alta taxa de juros, somado ao prenúncio de insustentabilidade das contas públicas, elevando substancialmente o custo do endividamento brasileiro, ainda mais se considerarmos que esse endividamento será em dólar. O que resta? Impressão de moeda fiduciária. A elevação na emissão de moeda, casado a queda da oferta de produtos, dará uma pressão extra tanto na inflação, quanto na cotação do dólar.

Todo esse cenário acontecerá? Não há como ter certeza. O que podemos esperar de um governo petista desesperado? O que poderia ocorrer diferente a isso? Uma redução da taxa SELIC para dar potencial a oferta poderia ocorrer. Entretanto, para isso acontecer, teríamos que reconquistar a confiança do investidor, via enxugamento abrupto do Estado e de seu custo, para, além de gerar confiança, minimizar o risco de calote público e manter a compra de títulos públicos. Não me parece que isso ocorrerá no governo PT, uma por conta de suas próprias características, duas por conta do risco que correria o governo caso não surtisse resultado, levando em conta a incompetência na administração pública.

Tendo isso em vista, onde invisto meu dinheiro? Eu, neste momento, não indicaria nenhum título pré-fixado, dado a incerteza do mercado. É possível que se ganhe dinheiro em um pré, entretanto, não vejo no front uma expectativa real de queda abrupta da SELIC. Pensando em unificar ganho com segurança, creio ser ideal um investimento pós fixado.

Comprar títulos pós com lastro em SELIC é uma boa opção. Igualmente, uma boa saída é se blindar contra a inflação, comprando um título pós-fixado, lastreado nessa que está pagando cerca de 6% descontado IPCA, mescle sua carteira. Vale ressaltar, porém, que o interessante é comprar esses títulos com vencimento curto, no máximo 2020, dado as inconstâncias do mercado e, principalmente, do governo. Mesmo aos mais arrojados, um pouco de conservadorismo financeiro neste momento não lhe fará mal.

Além dessas alternativas, seria interessante pensar em um fundo de pensão privado. Há apenas um fundo, atualmente, que rende mais que DI, o que me soa atrativo. Se trata de um dos fundos da Mapfre. Vale a pena pesquisar.

Por fim, se o leitor não tem amplo conhecimento no mercado, vale a pena buscar auxílio profissional.

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