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Uma nação que não pensa

Por Ana Zanatta

“Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser.” Johann Goethe

Lembro de ouvir, desde muito cedo, que “política, religião e futebol não se discutem”. Não faço a mínima ideia de quem falou isso pela primeira vez, mas tenho convicção de que essa frase foi muito bem plantada, regada e adubada no Brasil. Hoje ela se tornou uma árvore imensa, bem enraizada, cujo fruto é a ignorância.


Quando somos condicionados a não questionar, nos massificamos e nos tornamos facilmente manipuláveis. Pense em quantos adultos tentaram podar a sua criatividade e a sua curiosidade quando criança, o rotulando de chato por perguntar “por quê?” e me diga se não concorda com a minha constatação.

Aqui vou me ater à política e afirmar que esse assunto se discute, sim, e muito. Quantos professores nos contaram sobre as maravilhas do socialismo e nós ficamos calados? Eu conheci os poemas de Johann Goethe e de Fernando Pessoa, os livros de C. S. Lewis e de Victor Hugo, as descobertas de Isaac Newton e as invenções de Benjamin Franklin, mas muito pouco, quase nada, sobre os pensamentos políticos deles.

Friedrich Hayek, Hannah Arendt e Murray Rothbard são algumas das pessoas que explicaram esse fenômeno, afinal, eles identificaram os mesmos sintomas em seus países. Eles e outros perceberam que, enquanto não discutíssemos política, viveríamos nas trevas, ou na escravidão, como preferir chamar. E políticos desonestos sabem que dominar as escolas e a imprensa é o meio mais fácil de controlar a mente de uma geração.


O Brasil tem um história de ódio aos políticos e amor ao Estado, como afirma Bruno Garschagen em seu “Pare de Acreditar no Governo”, e isso leva muitas pessoas a não querer falar de política ou, então, a apenas falar mal dos políticos, reclamar de todos os partidos, falar que todos os políticos são corruptos e achar que o País não tem mais jeito. Mas também pudera: brigas de família envolvendo a Independência, República proclamada num golpe, governos militares, café com leite, getulismo, populismo, regime militar e “democracia” progressista/fabiana/bolivariana. Não tem uma alma que não encha o saco!

Na História recente do Brasil, discutimos política em 2013 e em 2015 e, pasmem, não eram anos eleitorais. Embora se falava que “o gigante acordou” e que finalmente o brasileiro votaria consciente, 2014 passou e provou que ele continuava adormecido, apenas se virou de lado. Em 2015, as ideias estavam mais concretas e os objetivos mais claros, mas será que em 2016 veremos mudanças significativas?

Infelizmente, ainda vejo muitos achando que o problema do Brasil é a corrupção (como mostrado aqui e aqui), ou que basta votarmos "certo" (ou votar nulo ou não votar) para acabarmos com a roubalheira dos políticos e consertarmos o País. E posso afirmar que essas pessoas ainda tem um longo caminho até atingirem um nível de reflexão consciente que resulta em maturidade política. Quem insiste em dizer que odeia política é porque quer continuar sendo governado por ladrões.

Um comentário:

  1. Ótimo texto. Em uma das colunas do jornal no qual trabalho comentei a respeito do voto consciente e a ignorância do próprio povo em relação a política, como se esta última fosse um pecado para suas vidas sociais. E se elas não se importavam pela política de seu próprio país sempre tinha alguém interessado por eles e geralmente esse interesse era para o próprio bolso, mas tiveram a cara de pau de me taxar como "político". Preferia ser taxado como sensato, mas sabe, para alguns brasileiros chamar de político é uma maneira de ofender. Ótimo texto Ana!

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