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O que aprendi com anarcocapitalistas

Por Ana Zanatta

O que difere o ser humano dos outros animais? Mais do que a postura ereta e a capacidade de pensamento e reflexão, eu dira que é a capacidade de modificar o mundo. Nenhum outro animal aprendeu a fazer fogo, roda, armas ou técnicas de agricultura e pecuária, por exemplo, além de tantas outras tecnologias que nos são peculiares.

Ainda, por mais organizadas que as sociedades de abelhas ou formigas, por exemplo, possam ser, nenhuma sociedade animal se assemelha à organização humana. Isso se deve não somente à nossa inteligência, mas, principalmente, à nossa habilidade de comunicação. E comunicação gera discussões, gera ideias diferentes. Quando dialogamos e expomos argumentos estamos sendo políticos. Desse modo, política é apenas o resultado das relações humanas, e quem diz não gostar de política está muito enganado acerca do significado do termo ou não quer viver em sociedade.


Dessa vida em sociedade, deriva-se outro aspecto único ao ser humano: a economia. O comércio é natural ao ser humano, e sem uma decisão baseada no raciocínio lógico, não há trocas voluntárias entre os indivíduos. No momento que temos um lar, uma família ou um bairro já temos uma instituição plural que nos dá motivos e meios para adquirir capital, acumulá-lo e multiplicá-lo. Ou seja, economia apenas existe quando membros de uma comunidade, ainda que pequena, se relacionam e negociam entre si, nunca quando indivíduos vivem se forma singular e isolada.

Mas qual a relação disso tudo com o título? Contraponto. Da mesma forma que um ateu um dia considerou a possibilidade da existência de Deus ou que um teísta considerou que pudesse estar errado, seres políticos validam o Estado se perguntando como seria o mundo sem ele, ou seja, analisando a hipótese anarcocapitalista.

Supor um mundo anarcocapitalista é uma proposta muito sedutora e que desperta os nossos mais fortes instintos egoístas. Entretanto, seguindo John Locke, se cada indivíduo obedecesse sua própria moral e sua própria lei, não haveria ordem. Daí a necessidade de um Estado Civil. O fato de termos cultura e regras estabelecidas nos torna mais livres que animais e resulta da busca por um Estado Civil. Se, ao invés de termos chegado a esse Estado Civil, tivéssemos continuado no Estado de Natureza (se é que tenha existido), teríamos alcançado a evolução que a nossa sociedade se encontra atualmente ou já teríamos nos extinguido como espécie?


Então, a contribuição anarcocapitalista tem valor no campo filosófico para alimentar a nossa razão e enriquecer a dialética. Porém, como quando acordamos repentinamente de um sono profundo demoramos uma fração de segundo para percebermos que o sonho acabou e agora estamos na realidade, um humano político e econômico pode fazer uso da mesma dialética para concluir que o método anarcocapitalista não tem sentido prático. Às vezes, só falta um beliscão.

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